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sexta-feira, 17 de junho de 2011

De Goiânia ao Fim do Mundo 8


11/01/2008

             Na manhã do dia 11 de janeiro, com nosso carro marcando no velocímetro 24.683 km, preparamo-nos para deixar a linda Ushuaia. Como sempre fazíamos, a primeira providência era o abastecimento e os cuidados com o jipe. Fomos a vários postos, mas todos insistiam em cobrar preço diferente da tabela. Aliás, nas cidades de fronteira, na Argentina  (não me lembro se no Chile acontece o mesmo),  o preço para veículos estrangeiros é sempre superior, o que até entendemos, uma vez que ao contrário os brasileiros só abasteceriam no local. Mas, ali em Ushuaia, achamos que isso não justificava.                
          Quando estávamos a ponto de desistir de colocar diesel, encontramos um posto na saída que nos cobrou o preço da bomba. É incrível como eles conseguem vender  o combustível bem mais barato que o nosso. E não são auto suficientes, como dizem que somos. Culpa da famigerada política tributária do Brasil.
Até qualquer dia, Ushuaia
Voltamos à nossa conhecida Ruta 3, contemplando pela janela do veículo os incríveis montes nevados. Lembrei-me que esqueci de registrar que quando estávamos no Glaciar Martial, no dia anterior, vimos que nevava lá no alto.
             Até Rio Grande, realmente a paisagem é incrível! Quando lá chegamos, completamos novamente o tanque de combustível e seguimos para San Sebastian, na fronteira com o Chile. Ultrapassamos sem problemas as duas aduanas. Poucos quilômetros à frente, pegamos novamente a via de rípio e o parabrisa do Troller foi atingido por algumas pedrinhas, ao cruzarmos com caminhões. O saldo foi três pequenos trincados. Ficamos preocupados porque não tínhamos ideia  se o vidro corria o risco de se romper. Se isso acontecesse, o transtorno seria imenso porque teríamos que pedir outro vidro do Brasil, já que nosso carro não tem por lá. Entendemos, então, a razão de vários 4x4 que cruzamos pelo caminho possuírem uma tela frontal para proteção do vidro. Para andar direto por estradas de rípio, é acessório indispensável. Mais uma que aprendemos. Quando chegamos à balsa, Tavinho conversou com alguns motoristas de caminhão sobre os trincados do parabrisa e eles nos tranquilizaram, disseram que do jeito que estava, não havia risco.
Atravessamos novamente o estreito de Magalhães. Desta vez, nem desci do carro e aproveitei para colocar as anotações em dia. 
Os outros correram
               Na sequência, ao deixarmos a balsa, pegamos a Ruta 255 e seguimos pela margem do grande estreito de Magalhães. A opção seguinte era Punta Arenas, onde a atração maior é a zona franca, com preços atraentes. Mas, como nosso objetivo não era fazer compras, decidimos ir direto para Puerto Natales, em busca das belezas de Torres del Paine. 
O animal que eu tinha achado parecido com um veado chama-se guanaco e é típico da Patagônia. Vimos rebanhos inteiros, mas eles são ariscos. Quando nos aproximamos para fotografar, eles fogem.
Dava pra morar aqui
Chegamos bem cansados em Puerto Natales e nem tivemos ânimo para procurar um hotel no esquema "bom e barato". Queríamos uma cabana no estilo da que ficamos em Ushuaia, mas terminamos ficando num lugar denominado Centro Turístico Terravento, onde as cabanas são muito bem equipadas. A hospedagem é cara: 50.000 pesos, mas abriga uma família, porque tem dois quartos e mais um bom sofá-cama na sala. Como estávamos sós, ficou pesado, mas contratamos somente por uma noite. No dia seguinte, tencionávamos procurar com calma outro lugar mais em conta. Também, não havia outra alternativa. as cabanas estavam lotadas e a vaga era mesmo só para aquele dia.
Acatando a sugestão do proprietário do hotel, fomos jantar no El Asador Patagonico, restaurante simpático que fica na praça central da cidade. Comemos cordeiro patagônico e bebemos um bom vinho cabernet sauvignon. Valeu a extravagância. Nada como uma boa mesa e uma boa cama para motivar carinhos patagônicos. Fui dormir pensando que, no dia seguinte, conheceria um dos orgulhos chilenos, o famoso parque nacional Torres del Paine.

12/01/2008

                  Deixamos cedo a nossa linda cabana e fomos para o centro de Puerto Natales em busca de outro hotel e encontramos sem dificuldade o Hostal Francis Drake, simples, mas muito agradável. A diária era 29.000 pesos e pudemos, inclusive fazer o nosso desjejum, sem nenhum acréscimo.
Paisagem fascinante na estrada para T.del Paine
                     Às 09h15m, com o velocímetro acusando 25.486 km, pegamos a estrada a caminho de Torres del Paine. Antes, porém, fomos a uma mercearia e compramos pães, queijo, salaminho e água. Não me lembro se isso foi sugerido por alguém, mas o fato é que foi uma  providência feliz, conforme verificaríamos mais tarde.
                    Punta Arenas, Puerto Natales, o Parque Torres del Paine e a base de Puerto Williams é o que há de principal na Patagônia Chilena. O Parque fica a 115 km de Puerto Natales, pela Ruta 9. No caminho, paramos um monte de vezes tentando fotografar os guanacos, que são selvagens, da mesma família das lhamas. São referência na região e dominam a paisagem campestre, alternando com grandes rebanhos de ovelhas.
Na entrada do parque
              Entramos no parque pela portaria Laguna Amarga. O parque, que tem 242 mil hectares possui outras quatro entradas, devendo-se evitar apenas a Laguna Verde, porque por ela não dá acesso ao parque de carro. Compramos os ingressos (15.000 pesos cada) na portaria e nos forneceram um mapa. É um local privilegiado da natureza. Pode-se percorrê-lo quase inteiro de carro. A estrada é de rípio, mas apresenta boas condições. Fomos rodando devagarzinho curtindo a paisagem. Há diversos lagos no trajeto, como o belíssimo Pehue e o Grey e ainda uma cachoeira que, para ser visualizada, deve-se descer do carro e andar cerca de 500 metros, segundo informa a placa no local. No entanto, tem-se a impressão que a subida é muito maior que o meio quilômetro anunciado. Isto porque o vento no local é absurdamente forte. Mas, o visual da cachoeira, com os picos nevados ao fundo, a linda vegetação e as pedras às margens do rio compensam todo o esforço da subida.
Valeu a subida. Natureza bela!
Fizemos o circuito completo possibilitado pela estrada que corta o parque, parando e fotografando os locais mais bonitos. Entramos em um dos hotéis  que existem no parque, que estava lotado, cheio de turistas de todas as partes do mundo, a maioria européia. Por curiosidade, perguntamos o valor da diária 151.250 pesos para duas pessoas, ou seja, três vezes o valor de uma diária de hotel similar em qualquer cidade próxima. Pelo que vimos, o hotel é confortável, mas está longe de ser considerado de luxo. Portanto, fica a dica pra quem quiser explorar o parque: quem não for amante de camping e de refúgios de montanha (há bastante deles no parque), o melhor é ficar em Puerto Natales e contratar uma excursão de van. Isso, se não estiver de carro, que pra mim é a melhor opção. No inverno, disseram que poucos campings funcionam, já que as temperaturas ficam baixíssimas, tem que ter barraca impermeável e antitérmica, saco de dormir, fogareiro, etc. Estávamos lá no verão e sentimos frio algumas vezes, já que o vento, na Patagônia, é constante. Imagine como deve ser no inverno. Voltando aos comentários sobre o  hotel, os preços no bar são também muito acima do normal. Pagamos por dois  cafezinhos 4.000 pesos e o pior é que o café estava péssimo.
              Foi aí que bendizemos o fato de havermos levado nosso lanchinho. Enquanto Tavinho dirigia devagar, preparei sanduíches com os suprimentos que havíamos comprado em Puerto Natales. Foi ótimo.
Os  maravilhosos Cuernos del Paine
 Antes de sairmos do parque, já no final da tarde, pegamos uma das estradinhas suplementares, a que leva à Hosteria Las Torres para chegar mais perto das famosas torres que dão nome ao parque e ficamos um bom tempo à espera de que as nuvens se afastassem do cume das torres para conseguirmos fotos mais nítidas. Mas, não adiantou, as nuvens não ajudaram e nossas fotos ficaram todas com elas encobrindo parcialmente as torres. Tivemos mais sorte com os não menos famosos CUERNOS DEL PAINE, rochas em forma de chifres, que junto com as torres fazem parte do chamado Macizo del Paine.  Para chegar nesse local, é preciso atravessar uma ponte de madeira estreitíssima, que quase não coube o Troller. Pela estrada, volta e meia guanacos apareciam e às vezes cruzavam na frente do carro. Lindos!
Guanacos compondo a bela paisagem

Fiquei fascinada com Torres del Paine. O parque, desde 1978, foi declarado Reserva Mundial de Biosfera, pela Unesco e ele merece todos os adjetivos que lhe são atribuídos. Por todos os ângulos, a paisagem é sempre muito bonita e, às vezes, tem um monte de coisas belas num mesmo contexto: lago, montanha, céu com nuvens multicores e os animais quase sempre presentes, correndo livres.
               Chegamos de volta a Puerto Natales depois das dezenove horas, mas como é normal naquela região, o sol ainda estava alto. Fomos à cidade e enquanto fui dar uma volta em busca de souvenirs da região, Tavinho foi a uma lan house checar seus e-mails.
                  Mais tarde, escolhemos ao acaso um restaurante, na Calle Pedro Mont, para contemplarmos o Serro (estreito) Ultima Esperanza, o pedaço de mar que banha a cidade de Puerto Natales. Comi um congrio com salsa (molho) de mariscos e Tavinho foi de salmão. Tomamos um vinho Concha Y Toro. Estava tudo muito bom!
                No restaurante encontramos uma brasileira, de São Paulo, que jantava com o filho. Estavam  numa excursão e disseram que seguiriam no dia seguinte para El Calafate, na Argentina. Na ocasião, não imaginávamos que a veríamos novamente, em circunstâncias interessantes, na capital portenha.





















































































































































































































































































































































































































Um comentário:

  1. Balila, me passe seu telefone.

    luciane BUENO, sua professora de inofrmática.
    81033883.

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