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sexta-feira, 24 de junho de 2011

De Goiânia ao Fim do Mundo 10

15/01/2008

                  Saímos de El Calafate, por volta de 09h30m. O velocímetro do jipe marcava 26.150 km, ao deixarmos o hotel em direção ao Perito Moreno. São 50 km na estrada para chegar ao parque e depois mais 28 km até o acesso.

Glaciar Perito Moreno
 Compramos ingressos para o passeio de barco: 35 pesos para cada um. Para entrar no parque, já tínhamos pago 80 pesos, 40 para cada. Para ver o Perito Moreno inicialmente pega-se o mesmo caminho que fizemos no dia anterior para Punta Banderas, mas depois a estrada se bifurca.
O glaciar Perito Moreno, que tem esse nome em homenagem a Francisco Moreno, explorador pioneiro da Patagônia, que era perito do governo argentino, estende-se por uma superfície de 250 km quadrados, desde sua zona de formação, no Campo de Hielo Sur até o Lago Argentino. São 5 km de paredão sobre o Brazo Rico do Lago Argentino, formando um dique natural, que fascina os turistas. Por causa do aquecimento global, o glaciar avança 2 metros por ano, estando, portanto, diminuindo devagarzinho.
No barco, defronte o belo Perito Moreno
 Nos pontos mais altos, chega a 80 m de altura. No passeio de barco, chega-se relativamente perto de uma das paredes do glaciar e pode-se observar blocos de gelo se despencando da parede e caindo nas águas do lago. O passeio de barco dura mais ou menos uma hora. Para variar, encontramos vários brasileiros a bordo. Primeiro, uma garota de Brasília, que viajava de mochila, sozinha, por esse mundo afora. E depois um grupo de várias pessoas de Ribeirão Preto, com os quais conversamos mais. Tavinho, principalmente, já que é sua região de origem.. Tiramos algumas fotos e a moça brasiliense bateu uma de nós dois.
Com os casais brasilienses
Descendo do barco, resolvemos pegar o ônibus para ir até as passarelas observar o Perito Moreno de outros ângulos. Valeu a pena a descida até o Mirador del Glaciar, onde se tem uma visão mais panorâmica da grande geleira e observa-se com mais frequência e de mais perto o deslocamento dos blocos de gelo e o estrondo que eles produzem no choque com a água.
É muito bonito o espetáculo e fascinante a cor branquíssima e, em alguns pontos, incrivelmente azulada. Dizem que é o reflexo do sol.
No mirante, encontramos uma turma de Brasília, três casais e um deles, goiano, de Silvânia, cidade próxima de Goiânia, que conheço bem por ser cidade natal de um dos meus compadres. Tiramos fotos junto com a turma.
O fantástico paredão de gelo
Apesar da beleza grandiosa dos glaciares, ao encerrarmos nossa visita à mais bela geleira do continente, decidimos que já havíamos visto gelo e montes nevados suficientes e resolvemos abortar nossa antes planejada ida para El Chaltén, cuja atração maior é o Cerro Fitz Roy, com 3.405 m. Dizem que ele tem um visual maravilhoso, mas naquele momento, preferimos partir para a Península Valdés. Eu estava a fim de ver os pinguins.
Assim, uma vez mais modificamos o nosso roteiro. Acertamos que voltaríamos a Rio Gallegos e de lá, seguiríamos pela Ruta 3 até Puerto Madryn, de onde iríamos à Península para curtir os pinguins. Depois, Buenos Aires, Uruguai e volta pelo sul do Brasil.
            No retorno do Parque Nacional Los Glaciares, paramos em El Calafate, onde fizemos um lanche no Café e Pizzaria Casablanca, que já conhecíamos. E colocamos apenas um pouco de diesel, já que também lá, os argentinos cobram mais caro dos veículos com patente (placa) estrangeira. Eu estava com dor na coluna e tomei um comprimido, logo a dor melhorou e eu peguei o volante para o Tavinho dormir um pouco. Mas, só consegui dirigir 60 km, veio um sono terrível e eu parei no posto de Esperanza. Tomamos um café e Tavinho pegou a direção novamente.
             A estrada, bem conservada, estava com pouco movimento. A paisagem, bem patagônica, árida e desértica, provoca sono e moleza, devido à monotonia. Chegamos a Rio Gallegos, onde planejávamos dormir, às 18h30m. Mas, como ainda tínhamos algumas horas de sol, o meu companheiro estradeiro (acho que ele deve ter sido motorista de caminhão na outra encarnação) me convenceu a seguirmos até uma cidadezinha chamada Monte León, a cerca de 200 km a frente. No posto, onde abastecemos, um motorista de ônibus disse ao Tavinho que havia uma pousada naquela localidade.
         Acreditei na veracidade da informação, uma vez que vi no mapa que perto havia uma ilha com pinguins. Por outro lado, rodando mais naquele dia nos possibilitaria chegar a Puerto Madryn no dia seguinte.
           Passamos na estrada por um grupo de casas em que estava escrito Estância Monte León. Imaginamos que a pousada estaria mais a frente. Ledo engano. Pelo visto, era lá mesmo. Tavinho odeia voltar e não quis fazê-lo. Resolveu tocar até a próxima cidadezinha que, no mapa, estava a 30 km. Mas, no tal lugar não havia hotel e a alternativa que nos sobrou foi seguir até Puerto Julian.
       Chegamos a Puerto Julian pouco mais de 22 horas e percorremos a cidade inteira em busca de acomodação. Por fim, fomos ao posto de informação turística, que funciona junto ao terminal de ônibus, para receber a confirmação do que já havíamos constatado: não tinha vaga em nenhum hotel da cidade e nem mesmo nas casas de família, que se transformam em hospedarias quando aumenta a demanda na região.
            Já havíamos ouvido relatos semelhantes várias vezes, mas nunca pensamos que pudesse ocorrer conosco. Estávamos exaustos, com muito sono e a cidade mais próxima, que poderia ter vaga em hotel, era Caleta Olivia, há aproximadamente 3 horas e meia de viagem. Resultado: estacionamos em um posto YPF, à beira da estrada e preparamo-nos para dormir no carro. Antes de conseguir dormir, fiquei pensando na barraca que eu tinha pensado trazer  exatamente porque tinha lido histórias de viajantes que tinham passado por isso. Naquela de minimizar a bagagem, a barraca foi descartada.







                    
                     

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