Powered By Blogger

sexta-feira, 10 de junho de 2011

De Goiânia ao Fim do Mundo 2

Tavinho na ruínas de San Ignacio
                                                                                                                                                       ainda 25/12/2007
Poucos km a frente, a primeira polícia rodoviária (gendarmeria). O policial nos pediu a carteira internacional e o seguro Carta Verde. Tudo ok. Seguimos pela Ruta (rodovia) 12. Em Colonia Victoria, o primeiro pedágio, baratinho, 1,70 pesos.
San Ignácio Mini é a mais importante das quinze missiones argentinas, que são Patrimônio da Humanidade. A aldeia fica à margem da Ruta 12, antes da cidade de Posadas, a capital das Missiones. Paramos lá. Por causa do feriado de Natal, o museu estava fechado, mas tivemos acesso às ruínas, que são interessantes, do ponto de vista turístico. Tiramos algumas fotos e aprendemos um pouco sobre a história das Missões Jesuíticas, que foram erguidas pelos padres da Companhia de Jesus, no início do século XVII. Consta que apesar das guerras e das epidemias, as Missões foram prósperas na região, chegando a ter mais de 140 mil habitantes. Devido às invasões portuguesas e paraguaias, muita coisa se perdeu até que no século passado foram feitos trabalhos de preservação para resgatar a
memória e as tradições do povo guarani. A Unesco, em 1993, as reconheceu como Patrimônio Cultural da Humanidade.
Paramos em Posadas e procuramos um restaurante, mas estava tudo fechado, em razão do feriado. No nosso guia de viagem, a informação é que a cidade possui cerca de 250 mil habitantes, mas quase não vimos ninguém. Conseguimos comprar, numa padaria, sanduíches prontos que tomamos com refrigerante. Foi o nosso almoço de Natal. Prosseguimos a viagem e rodamos mais 310 km até Corrientes, onde procuramos o Hostal Del Rio, o qual aparecia no guia como o de melhor custo-benefício da cidade. De fato, o nosso apartamento era bem razoável, mas, no dia seguinte ficamos decepcionados com a pobreza do café da manhã (café, leite, torrada e geléia). Mas, ao chegar, após um banho, fomos em busca de uma refeição salutar. Na avenida Costanera, que tem um belo visual do Rio Paraná, conseguimos, não sem alguma dificuldade, o nosso objetivo.
por do sol em Corrientes
Corrientes, com 330.000 habitantes, pertence à região do Chaco e é capital da província do mesmo nome. È uma das cidades mais antigas da Argentina, de 1588, mas, tirando a bela avenida beira-rio, não tem maiores atrativos 
                                                                                                                                           26/12/2007
Saímos de Corrientes um pouco depois das sete horas. Tínhamos pensado em sair bem cedinho, mas decidimos esperar pelo desayuno, que terminou sendo aquela decepção já narrada. A decisão de tomar o café da manhã no hotel não é somente pela economia, já que o valor está embutido na diária, mas também porque evita uma parada mais na frente. Mas, em alguns casos, realmente não vale a pena. O ideal é se informar no dia anterior sobre o horário e o menu, porque, pra tomar um café com torrada, não compensa pena perder tempo, mesmo porque, por medida de segurança e para abastecimento e checagem das condições do veículo, temos que parar de vez em quando.
Atravessamos a ponte que liga Corrientes a Resistência, a cidade que é conhecida como a “das estátuas”, porque há estátuas espalhadas por toda a cidade, mas optamos por prosseguir em frente e não fomos ver. Demos apenas uma paradinha para uma foto da ponte, que não ficou muito boa, acho que em razão de ter sido tirada contra o sol.
Pegamos a Ruta (rodovia) 11, em direção à Santa Fé, mas decidimos não ir até lá. Nosso objetivo seguinte era a cidade de Córdoba. Então, resolvemos passar por Esperanza pegando a Ruta 19. Mas, atrasamos um pouco porque erramos o caminho. Antes um pouco do meio dia, paramos em um posto onde tinha um restaurante. A fome bateu e resolvemos comer gnocchi. Pagamos 57 pesos. As três cocas que bebemos custaram mais que o prato de massa. A bebida na Argentina é bem mais cara que no Brasil, com exceção do vinho.
Já na ruta 19, ainda na Província de Santa Fé, fomos parados pela polícia e os agentes começaram a revistar toda a nossa bagagem. Como a documentação estava em ordem, procederam a uma revista minuciosa, sinalizando que estavam a fim de obter propina. Já tínhamos tomado conhecimento que havia policiais corruptos nessa região da Argentina e ficamos expectantes, aguardando o bote. O policial cismou com o meu notebook e falou que teria que apreendê-lo, uma vez que não tínhamos declarado a propriedade do mesmo na alfândega. Alegamos que era instrumento de meu trabalho, como advogada, mas não adiantou. Mas, ele não tomou atitude nenhuma, ficou enrolando, esperando que oferecêssemos uma recompensa. Eu havia rezado, implorando a ajuda dos meus anjos da guarda e penso que eles resolveram agir. Por incrível que possa parecer, parou um carro e dele desceram duas pessoas. Um rapaz veio até nós e perguntou o que estava acontecendo. Era brasileiro, o garoto. Contamos o que estava ocorrendo e ele nos disse para não fazer nada e aguardar. Voltou daí a pouco com um senhor moreno, argentino, que disse trabalhar na embaixada brasileira, em Assunção. Ele deu a maior bronca no chefinho dos agentes – os dois larápios tinham saído de fininho – dizendo que os policiais não tinham nada que apreender um instrumento de trabalho. Falou que os argentinos daquela região estavam mal vistos, em razão desse tipo de procedimento, que era um absurdo total a atitude de molestar brasileiros, o que estava prejudicando o relacionamento entre os dois países. Foi uma senhora bronca, não conseguimos entender tudo o que ele falou, mas vimos que exigiu que o policial nos liberasse de imediato, com pedido de desculpas.
Saímos aliviados, mas estressados, com o ocorrido, eu intimamente agradecendo aos céus a grande ajuda. Com esse atraso, vimos que nosso objetivo de chegar a Córdoba não seria possível. Assim, paramos num hotelzinho à beira da estrada chamado Devoto, que tinha o básico indispensável: garagem, cama razoável, banheiro limpo, TV simples e até secador de cabelo. Estávamos muito cansados, mas mesmo assim demos uma saída (estávamos em um vilarejo) procurando alguma coisa pra comer, mas não encontramos nada. Voltamos ao hotel e comemos um sanduíche.

                                                                                                                                            27/12/2007
Com a quilometragem do Troller marcando 18.966 km saímos, às 07:27 do hotel, depois de tomar o tradicional desayuno argentino: café com leite, medias lunas (croissant), torradas, manteiga, geléia e doce de leite. Já no início do caminho, decidimos mudar o trajeto que tínhamos planejado, passando ao largo de Córdoba, indo direto pra Mendoza. Só que resolvemos fazer um caminho mais longo, passando pela serra. Foi uma idéia muito feliz. Rodamos por uma estrada mui linda, várias localidades mui belas e dois lagos maravilhosos. Antes de pegar a estrada sinuosa, passamos por plantações de girassóis lindíssimas.
Paramos para fotografar e também compramos queijo e salame, que degustamos no jipe, com a idéia de não perder tempo almoçando.
Passamos nas localidade de Villa Maria, Rio Cuarto, Villa Mercedes, San Luis (uma cidade maior), La Paz, La Dormida, Gobernador, Santa Rosa e San Martin.

Chegamos bem cansados em Mendoza. Não tivemos dificuldades para encontrar o Hotel San Martin, que havíamos escolhido por sugestão de um dos nossos guias de viagem. Temos dois, que têm sido de grande valia. Queríamos um hotel bem localizado, com os serviços básicos e que tivesse internet. O San Martin atendia a esses requisitos. Não observamos, entretanto, que o apartamento não tinha frigobar. Outro contratempo foi o fato de não termos trazido adaptador para as tomadas. Na Argentina, eles usam há tempos, o sistema de três pinos. Fomos a um supermercado (Carrefour, que familiar!), mas não encontramos o adaptador. Na volta, paramos em um restaurante perto do hotel e comemos um assado e bebemos uma cervejinha.
Mendoza pareceu-me uma cidade agradável e bem simpática. Segundo o guia, a cidade tem 110 mil habitantes, mas com o concurso dos distritos vizinhos, que integram a grande Mendoza, atinge cerca de um milhão. Vimos muitos turistas. Aqui é o ponto de encontro de alpinistas que pretendem subir o Aconcágua, que fica a 180 km da cidade. A cidade está, portanto, aos pés da Cordilheira dos Andes. Pretendíamos, no dia seguinte, visitar algumas bodegas, degustar e comprar vinhos, que são orgulho nacional da Argentina. 70% dos vinhos argentinos são das vinícolas de Mendoza. Ficamos hospedados no micro centro da cidade, bem na Plaza Independencia. Vi uma feirinha noturna, na praça, que me despertou o desejo de fazer uma visitinha.




Nenhum comentário:

Postar um comentário