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domingo, 12 de junho de 2011

De Goiânia ao Fim do Mundo 4


30/12/2007
                  Acordamos felizes e descansados em Santiago. Nada como iniciar o dia namorando para obter mais energia para despender. Estávamos na capital do Chile e queríamos desfrutar do melhor que ela poderia nos oferecer.
Visão de Santiago do Cerro Sta.Lucia

             O café da manhã tinha um suco de fruta (me pareceu tamarindo, mas é uma fruta parecida), pãozinho careca, bolo e café com leite. Estava sentindo muita falta do meu queijinho minas, que eu não comia desde que saí do Brasil. Mas, como bons viajantes, temos como regra nos adaptarmos aos costumes locais, nada de ficar procurando coisas de nossa terra. Fomos visitar o Cerro (parque) Santa Lucia, bem em frente ao nosso hotel. Tem uma bela escalada e no alto há um mirante, que descortina uma bela vista de Santiago e também da portentosa montanha. Novamente (talvez seja sempre) havia neve no cume. No mirante, tem um tipo de telescópio, onde se coloca uma moeda grande para apreciar a vista dos Andes, mas não tínhamos a moeda certa. Como estávamos bem próximos do parque, pensamos que voltaríamos com a tal moeda, mas esse projeto terminou ficando para uma oportunidade futura. Antes de subirmos, quando preenchíamos o livro de visitantes, ocorreu de encontrarmos duas brasileiras, mãe e filha, que moram em São Paulo. As duas, muito simpáticas, estavam lamentando estarem no fim da viagem e deu-nos algumas dicas sobre Santiago, recomendando-nos, principalmente, não deixarmos de conhecer o restaurante Giratorio, na Calle 11 de setembro, pegando o metrô para Los Leones.
                 No alto do Cerro Santa Lucia havia muitos turistas. Conversamos com um casal jovem, ela mineira de Muriaé, ele, carioca, mas ambos com residência em São Paulo. Ficaram entusiasmados com o nosso passeio, trocamos e-mail e prometemos mandar-lhes o resumo da nossa viagem, uma vez que pretendem realizar coisa parecida no futuro. A promessa ainda não foi cumprida, mas agora que decidi digitar minhas anotações vou me lembrar de comunicar com eles.

Tavinho na Concha Y Toro
                      Voltamos ao hotel e resolvemos ir no jipe visitar a Vinícola Concha Y Toro. A excursão ficaria por 50.000 pesos para nós dois, mas vimos que não era tão longe e. portanto, já que estávamos de carro, não justificava pagar esse preço. A única dificuldade foi sair da cidade (que falta faz o GPS), mas logo, perguntando aqui e ali, pegamos a Av. Vicuña Mackenna, que é praticamente uma reta até a vinícola. Foi incrivelmente fácil e economizamos bastante porque pagamos apenas 6.000 pesos cada um pela visita guiada com a degustação e ainda ganhamos a taça usada de “regalo”. Para variar, tinha um monte de brasileiros na vinícola e virou um troca-troca de experiências. Todos ficaram empolgados com a nossa aventura, nenhum deles estava de carro, faziam parte de grupos ou, simplesmente, tinham pegado um vôo para conhecer a capital do Chile. Nessas conversas descobrimos que, para quem não está de carro e não quer pagar o preço da excursão oferecida nos hotéis, é só pegar o ônibus número 81 ou 73, que vem direto. Alguns brasileiros pegaram o metrô até a Plaza de Puente Alto e depois um taxi até a vinícola. Mas, segundo Tavinho apurou com os funcionários da vinícola, o ônibus é a melhor alternativa para quem quer economizar. Fica a dica para os interessados. Para se ter uma idéia de como o preço cobrado pelas agências: 25.000 pesos por cabeça, é extorsivo, basta compará-lo com o preço do nosso hotel. A diária do Monte Carlo, que possui localização privilegiada, quarto amplo com banheiro, ar condicionado, TV a cabo, telefone, duas mesas com cadeiras, sofá, cofre, internet na recepção e bom atendimento, nos custou 30.000 pesos.
                Ficamos fascinados com a Vinícola Concha Y Toro, orgulho dos chilenos. Ela está localizada em Prique, um município limítrofe de Santiago e está instalada numa grande área arborizada, onde se destaca uma bela mansão que foi outrora a residência dos proprietários. A visita é acompanhada por uma guia que leva a turma de visitantes para percorrer os vinhedos, assiste-se um filmeto sobre a história da vinícola e a produção dos vinhos. Ao final, há um bar onde se pode comer alguma coisa e tomar mais vinho. Foi o que fizemos e também compramos uma caixa de Casilero Del Diablo, cabernet savignon tinto. Não somos entendidos, mas, de um modo geral, os vinhos chilenos são muito bons. A Concha Y Toro foi escolhida, em 2005, como a melhor do mundo, conforme consta nas informações disponíveis para os turistas
Na volta da vinícola, ligamos o rádio e escutamos Roberto Carlos cantando Proposta, em espanhol. Pode?
Nosso almoço foi em um restaurante bem na esquina do quarteirão do hotel chamado Patagônia e, por coincidência, fomos atendidos por uma garçonete brasileira, Andressa, muito bonita. Contou-nos que a mãe é chilena e o pai brasileiro. Moravam no Brasil, mas os pais se separaram e ela veio com a mãe, há dez anos, morar em Santiago. Disse-nos que adora passar férias no Brasil. Comemos uma “parrilada patagônica”, que consiste em churrasco misto, com carne de vaca, porco, javali e lingüiça. A cerveja, artesanal, estava quente, como todas as anteriores que bebemos após a saída do Brasil. Que coisa mais chata!
               Após o descanso pós almoço, Tavinho desceu pra navegar na internet. Tinha mensagem dos nossos amigos retardatários, José e Elisa, que estavam em Mendoza, desde o dia anterior e haviam decidido passar lá o Ano Novo. Quanto a nós, àquela hora ainda não tínhamos resolvido se ficávamos na capital do Chile para a virada ou se arriscaríamos a descida para o litoral. No saguão do hotel, Tavinho encontrou uma família brasileira, de Oswaldo Cruz, interior de São Paulo. Tiveram azar. Foram roubados no mercado e ficaram sem uma bolsa onde estava, entre outros pertences, a chave do cofre do hotel. Mais tarde, encontrei-os novamente e fiquei sabendo que ficaram, também, sem os documentos do carro. Fiquei com pena porque era domingo e 30 de dezembro, o que diminuía sensivelmente as chances deles conseguirem solucionar o problema. Naquela noite, caprichei na minha oração, agradecendo a Deus o fato de não termos tido nenhum problema na viagem. O Troller dos nossos amigos que estavam em Mendoza já tinha trincado os faróis e pifado uma vez, mas eles conseguiram resolver o problema.
No Giratorio, em Santiago
              À noite, já por volta das 22 horas, pegamos o metrô e fomos, conforme sugerido pela turista paulista, ao restaurante Giratório. Descendo na estação Los Leones, basta atravessar a rua. Facílimo! O restaurante é atração imperdível em Santiago. Compensa a longa espera por lugar . Conseguimos entrar depois das 23 horas, mas valeu muito a pena. Enquanto você janta, o piso vai girando lentamente possibilitando uma visão panorâmica belíssima da cidade. Tomamos duas garrafas de um bom vinho branco, Tavinho comeu trutas e eu, salmão. Estava excelente a comida e pagamos por tudo 36.300 pesos, preço que consideramos razoável, considerando a qualidade da refeição e o cenário. No saguão de espera, ainda encontramos os dois casais brasileiros que havíamos visto na vinícola. Mais conversa, troca de experiências, fotografias e promessas de encaminhar os arquivos.


31/12/2007

Com a centolla no Mercado
                    Decidimos ficar em Santiago para o Ano Novo. Pela manhã, ficamos no hotel envolvidos com as tarefas de transferência das fotos para o notebook e envio de emails para os familiares. Após o meio dia, fomos ao Mercado Central, onde, acolhendo a sugestão do guia “O Viajante”, escolhemos o restaurante Donde Augusto e pedimos uma Centolla grande. Trata-se de um super caranguejo e é incrível a maneira do garçom destrinchá-lo. Ele coloca uma luva cirúrgica e com uma tesourona abre o bicho inteiro, deixando as carnes expostas pra gente comer. Antes, ele nos forneceu babadores, já que o ritual de devorar o caranguejo é mergulhando as patas e demais pedaços em um molho com azeite, alho e mais alguma coisa. O grande babador protege a roupa dos inevitáveis respingos. Tiramos fotos para registrar a primeira vez que comemos a centolla no Chile. Naquela região, a cozinha é basicamente de frutos do mar, fato que apreciei muitíssimo. Pagamos 58.960 pesos, o que, na época, equivalia, se não estou enganada a um pouco mais de 200 reais. Comidinha cara, mas que valeu a pena. O garçom nos disse que aquele prato, na região mais ao sul para onde seguiríamos, custaria um terço daquele valor.
                  Após o almoço, demos uma volta pelo Mercado, que é uma construção bonita e pitoresca, onde não falta o burburinho dos feirantes oferecendo peixes e mariscos frescos e os garçons convidando os passantes para almoçar nos diversos restaurantes que integram o complexo popular do Mercado Central de Santiago. Sem dúvida, trata-se de visita obrigatória para quem vem conhecer a bela cidade de Santiago. No retorno a pé para o hotel, paramos numa cafeteria, para um espresso e numa loja com internet e cabines telefônicas. Aproveitamos para ligar e dar notícias para o pessoal.
              À noite, após um salutar descanso, vestimos branco para saudar o Ano Novo na tradicional Alameda, ou seja, a Av. O’Higgins, onde acontece a queima de fogos. Antes, no próprio hotel, decidimos comer alguma coisa, já que não sabíamos se encontraríamos algum restaurante disponível na avenida. Optamos pelo chacareiro, o sanduíche mais popular do Chile, que consiste, basicamente, em pão, carne, tomate e vagem, com os condimentos que eles tanto apreciam. Felizmente, não havia excesso de pimenta.
                A tal avenida é bem próxima ao nosso hotel e, descendo por ela, pudemos reparar nos detalhes que diferenciam a comemoração deles com a nossa. Primeiro, lá não há o costume de se usar o branco. As pessoas colocam chapéus adornados com fitas de papel brilhoso fosforescente, aquela que usamos no carnaval. Ou usam chapéus ou perucas de papel, bem coloridas. Além disso, quase todo mundo compra confete e frascos de uma espuma, para jogar nos outros. Assim, pelo caminho, havia um sem número de ambulantes oferecendo esses artigos. Observei todo o tipo de pessoas, gente bem vestida, gente mal vestida, com roupas normais, muitas crianças, idosos, muitos deficientes, enfim, uma miscelânea. Na hora dos fogos, muitos aplaudiam e verificamos, com surpresa, que muitos faziam questão de cumprimentar os policiais que acompanhavam a comemoração, naturalmente com o objetivo de garantir a ordem. O espetáculo dos fogos foi bonito, mas nem de longe chega perto daqueles que ocorrem no 31 de dezembro nas capitais brasileiras. Cabe registrar, entretanto, que nos pareceu que a comemoração deles é mais espontânea, com uma certa dose de inocência. Não ficamos muito tempo, depois da meia noite, mas quase posso jurar que não houve excessos, nem violência. Me fez lembrar do passado, quando eu era criança, na minha então jovem cidade de Goiânia: no dia 31 de dezembro, os carros buzinavam nas ruas e o povo ia à noite para a praça Cívica, para aguardar os fogos da meia noite. Eu nunca fui, quando criança, porque meus pais não compartilhavam desse hábito, mas morria de inveja das minhas amigas que, nessa noite mágica, tinham permissão para ir dormir mais tarde.
             No nosso ano novo, em Santiago, compramos na rua um espumante, de qualidade mais que duvidosa, mas deu pra gente brindar e sonhar com um 2008 de muita paz, saúde, amor e prosperidade para todos.

01/01/2008

                  Resolvemos ir embora no dia primeiro de janeiro de Santiago. Eu ainda queria visitar o palácio La Moneda e o Museu, além do Cerro São Cristobal, mas descobrimos que, devido ao feriado, estava tudo fechado. Assim, fechamos as malas e partimos, por volta das 09h30m do hotel. O velocímetro indicava 20.344 km rodados.
                   Pegamos a Ruta Panamericana (Ruta 5), pensando em ir até Pucón, na região dos lagos andinos, distante cerca de 800 km da capital, mas com estrada boa, segundo as informações de nosso guia e mapas, fato que confirmamos. Há excelentes postos pelo caminho, da rede Pronto/Copec. Passamos ao largo de várias cidades, sem parar, uma vez que as informações que tínhamos sobre elas, não justificava a interrupção da viagem: Rancagua, San Fernando, Talca, Chillán, Los Angeles, Temuco. Completamos 5.000 km rodados na rodovia Panamericana, ao passarmos sobre a ponte no pequeno rio Pio-Pio, a 150 km da cidade de Temuco. Pelo nosso cálculo inicial, pretendíamos rodar cerca de 15.000 km pelos rincões da parte sul de nossa América. Estávamos, portanto, atingindo um terço da viagem.
Nosso refúgio em Pucón
                 Logo depois, na altura da cidade de Freire, deixamos a Ruta 5 e pegamos a estrada para Villarrica e Pucón, que ficam bem próximas uma da outra. Paramos primeiro em Villarrica. Havíamos ligado do posto em Temuco e verificado que havia vaga em um hotelzinho, que pertence a uma brasileira. Passamos na porta, mas não deu vontade de ficar. Seguimos para Pucón e procuramos pelo Refúgio Península, uma das indicações do nosso guia de viagem. Encontramos um quarto com banheiro, bem rústico. Trata-se de uma hospedagem, tipo cabana de madeira, cujo charme é a localização, bem no meio de um bosque natural. O lago Villarrica fica defronte, embora o mato não permita avistá-lo do hotel.
Pucón e o Villa Rica
                    Após um banho revigorante, saímos a pé, para curtir a linda cidadezinha, que tem um visual fantástico. O famoso vulcão Villarrica, que está a 14 km, é visto da cidade e a visão é indescritível. O lago, do mesmo nome, também é belíssimo. Jantamos em um restaurante, escolhido aleatoriamente, numa rua cheia deles, um atrás do outro. Tavinho pediu lasanha e eu, salmão. Aliás, não comi carne vermelha no Chile. Em todos os lugares, aproveitei para me deliciar com frutos do mar, especialmente, salmão e trutas que, no Chile, custam barato e são saborosíssimas. A lasanha veio servida numa cumbuca e trouxeram uma colher para o Tavinho. Foi a primeira vez que vi servirem dessa forma a iguaria italiana, mas estava ótima, segundo o meu companheiro. O meu salmão veio com batatas assadas, como se fosse um bolo recheado em camadas, as batatas alternando com o salmão. Pagamos 17.000 pesos, que equivalia a cerca de 85 reais, imaginando quanto custaria uma refeição daquele nível em uma cidade turística brasileira. O ponto negativo foi que, mais uma vez, não conseguimos encontrar bebidas geladas. Tomamos cerveja quente e refrigerante idem. A situação pitoresca, que nos provocou risos, foi o tamanho da porção de pão que o garçom trouxe para acompanhar a massa: três minúsculos pedacinhos. Pedimos mais pão e veio uma outra porção igualzinha. Os pedaços eram menores que uma torradinha comum. Fiquei pensando se havia crise de farinha por lá e pensei em pesquisar a respeito, mas depois me esqueci. Mas, a comida estava excelente e isso é o que importava.
                       Saímos do restaurante, passamos em um banco para sacar um pouco de pesos, uma vez que o hotel não aceitava cartões. Tomamos um chocolate quente numa cafeteria. Estava um pouco frio em Pucón.

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