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segunda-feira, 13 de junho de 2011

De Goiânia ao Fim do Mundo 5

02/01/2008

No centro de Pucón
                  Na manhã seguinte, após nosso café da manhã, quando vi queijo pela vez primeira naquela viagem, acompanhado de pão, leite com nescafé, manteiga e geléia, pegamos nosso jipe, que marcava 21.166 km rodados, e fomos explorar a cidade. Primeiro, uma volta perto do lago que, de fato, é muito lindo. Depois, fomos ao centro, onde estão os restaurantes e a avenida principal. Vimos outro troller igualzinho ao nosso, mas não encontramos os ocupantes. Topamos com uma turma de brasileiros, que estavam em oito pessoas, todos com veículos 4x4, de Joinvile, Santa Catarina. Estavam no caminho inverso, já retornando, iam passar em Santiago e retornar para o Brasil. Um dos casais nos falou que passaram três dias em Porto Varas, que acharam muito linda. Demos-lhes dicas sobre Santiago.
              Cabe, aqui, falar um pouco de Pucón. Trata-se de uma cidadezinha –o guia fala em 25 mil habitantes – fascinante, talvez a mais charmosa da região dos lagos chilenos. Ela atrai turistas do mundo inteiro, por sua versatilidade, uma vez que, além do visual representado pelo formoso lago e pelo vulcão maravilhoso, ainda tem águas termais e é procurada pelos amantes dos esportes radicais, mountain bike, trekking, rafting e, no inverno, esqui e snowboard. Me fez lembrar Gramado e Canela, mas tem mais atrativos.
                Retornamos ao hotel, fechamos a conta (30.000 pesos) e resolvemos seguir em frente, rumo ao vulcão Villarrica.
No meio da subida do Villarrica
Chegamos ao gelo do vulcão
                Fantástico! No início da subida, quando paramos o jipe a primeira vez, encontramos dois casais brasileiros, que havíamos visto em Mendoza. Acabamos subindo juntos. Eles são de Brusque/SC e um deles é dono de uma fábrica de cerveja artesanal. Na subida inicial, descobrimos que estávamos na pista errada e voltamos para subir pelo caminho dos alpinistas. Caramba! A gente sobe até bem alto e alcança os blocos de gelo, nas encostas do vulcão. Quando os enxergamos à distância, nem imaginamos que é possível alcançá-los de carro. Muito lindo e emocionante!  Tiramos muitas fotos no gelo e eu peguei duas pedras do vulcão para lembrança. É incrível, a gente vê o gelo derretendo e escorrendo devagarzinho. Vimos muitos alpinistas subindo e descendo do pico, mas turistas comuns não têm como passar do ponto em que chegamos. Há lá uma estação de teleférico, mas não estava funcionando. Deve abrir somente na temporada de inverno. O tempo estava meio fechado, mas mesmo assim deu pra tirar boas fotos.
                      Descemos, abandonando os companheiros de Brusque. Eles vão para Valdívia, nós decidimos ir direto para Puerto Varas e, de lá, o nosso pensamento era  irmos a Bariloche, de barco e ônibus, deixando o jipe guardado. Os planos foram mudados, conforme contarei depois. Paramos em Villarrica para comermos uns salgados numa padaria da Av. Pedro de Valdivia e pegamos a Panamericana. Naquele dia, paramos apenas para lanches rápidos e para abastecer nos postos da Rede Pronto/Copec, dos quais ficamos fregueses. Muito bons!
                 Os dias na região dos lagos andinos são longos. Rodando pela estrada, com Tavinho na direção, observei que, apesar de ser 20 horas, o sol ainda estava alto. Resolvi prestar atenção para marcar a hora do poente. Chegamos a Puerto Varas por volta de 21 horas e ainda era dia. Terminei me esquecendo de marcar a chegada da noite, mas não tardou muito, deve ter ocorrido mais ou menos, às 22 horas.
                  Instalamo-nos no hotel Licarayen, uma charmosa construção de estilo alemão, que fica num local estratégico, numa das curvas da Avenida que margeia o lago Lianquihue. A cidade é bem agradável, com casas de madeira, inspiração da colonização alemã. É a porta de entrada para o Parque Nacional Vicente Peres Rosales, cujas atrações principais são o famoso Lago Todos Los Santos e o Osorno, o vulcão que é um dos mais tradicionais cartões postais do Chile. Nosso apartamento no hotel tinha vista parcial para o lago e a diária era 104 dólares. No Chile, é comum o preço na moeda americana, principalmente nos hotéis medianos e de luxo.
             Jantamos no restaurante Da Alessandro, que se localiza na avenida que passa defronte ao lago. Percorremos a cidade, que o guia informa ter 33.000 habitantes, informação que imaginei estar incorreta, já que pareceu-me maior. Havia muitos restaurantes abertos, tanto na margem do lago, quanto no centro da cidade, que fica numa parte mais alta, mas chegamos à conclusão que fizemos a escolha correta. Comi um belo salmão e Tavinho novamente optou por massa, o tradicional gnocci. Pagamos 24.200 pesos pelo jantar. A idéia para o dia seguinte era explorar a cidade e decidir se faríamos o passeio para Bariloche. O custo do mesmo, só a ida, é 170 dólares por pessoa.

03/01/2008

                   Após o café da manhã, que tinha pãezinhos e o kuchen, uma iguaria tradicional da região, de origem alemã, que é uma espécie de mistura de bolo com rosca, recheado com frutas, muito gostoso, saímos para dar um volta pela cidade. O nosso carro marcava 21.601 km rodados. Descobrimos que a viagem para Bariloche de barco estava lotada até nem me lembro quando. Então resolvemos ir até o Lago de Todos Los Santos e ver os saltos do Rio Petrohue.
O fantástico Rio Petrohue
Passamos primeiro nos Saltos. Paga-se 1.200 pesos por adulto para ver os saltos e vale muito a pena. O rio tem uma cor fantástica, vários tons de verde e tem várias cascatas. Muito bonito! Tiramos belas fotos.
Fomos em seguida para o parque, onde está o lago. Lá decidimos pegar um barco de excursão para Peulla. São quase duas horas de navegação. O visual, na viagem, é maravilhoso. Vê-se o Osorno, com toda a sua imponência, bem de perto, e também outros vulcões como o Calbuco e o Puntiagudo, todos com picos nevados. Passamos por uma ilha particular chamada Margarita, que é de propriedade dos donos da agência de turismo local, que tem monopólio sobre o turismo na região.
Em Peulla, não há nada a fazer, a não ser contemplar os vulcões. Trata-se de um lugarejo minúsculo, onde, para surpresa nossa, tem um grande hotel e havia muitos hóspedes lá. Tavinho encontrou uns brasileiros que estavam numa excursão da agência CVC, em dois ônibus. Iam dormir lá para seguir no dia seguinte para Bariloche, na viagem de barco que tínhamos planejado fazer, mas que não havia lugar. As agências compram os pacotes e não sobram vagas para os particulares.
A permanência do barco na cidade é de pouco mais de uma hora e meia. Pode-se usar o tempo fazendo o que eles chamam de safári fotográfico – entrar num barco especial, que chega bem pertinho dos vulcões e dos locais mais bonitos para fotografar. Dispensamos. Preferimos usar o tempo caminhando até o centro da cidadezinha, onde descobrimos o hotel, tomamos um café e pudemos usar os banheiros.
O rio Petrohue, com o Osorno ao fundo
                Antes, no porto onde tomamos o barco, também havia um hotel. Aproveitamos para almoçar no restaurante do mesmo, já que tínhamos de esperar até as 15 horas para a partida do barco. Passava das 13 horas quando, para variar, comemos salmão acompanhado de suco de laranja. O almoço custou 23.000 pesos.
                A ida a Peulla valeu pela paisagem que apreciamos do barco. A cidadezinha, conforme mencionei antes, além de não ter nenhum atrativo, tirando a visão do lago e dos vulcões, ainda tem uns habitantes bem desagradáveis: moscas grandes, que mais parecem abelhas e que ficam revoando em volta das pessoas. Não dão sossego. Quanto mais você as expulsa, mais elas se agitam. O nome da mosca, segundo nos informaram é tábano. Uma cearense que estava no passeio disse que vai batizar com esse nome todas as pessoas chatas que cruzarem o seu caminho.
No barco, a caminho de Peulla
           Conhecemos uma espanhola chamada Maria, que estava só e viajava com uma malinha e duas sacolas. Ela nos pediu carona para voltar a Puerto Varas e, no caminho, conversamos muito. Lembrei-me da minha amiga Tê, que consegue viajar sempre com pouca coisa, mas a tal Maria é mais mochileira. Pelo que contou, já percorreu meio mundo, sempre gastando o menos possível. Ficou horrorizada com o preço do nosso hotel e disse que ia procurar um alternativa mais barata. Nós a deixamos na cidade, na porta de um pequeno hotel. Ela tinha chegado pela manhã a Puerto Varas e ido direto ao passeio, naturalmente para economizar uma diária. Se despediu agradecendo efusivamente pela carona. Voltamos ao nosso hotel e fomos dormir sem resolver nosso destino do dia seguinte.

04/01/2008

                   Estranhamente, acordamos mais tarde do que o costume, na manhã de quatro de janeiro.
                   Pegamos o jipe, que estava com 21.733 km e decidimos ir até Puerto Montt. Fica bem perto de Puerto Varas, só 16 km e é uma cidade maior, embora não tenha o charme da bela vizinha. Resolvemos dar umas voltas pela cidade, indecisos se pegávamos uma balsa para conhecer a ISLA DE CHILOE ou se tomávamos o rumo da Carretera Austral, que fazia parte dos sonhos do Tavinho. Trata-se de um caminho radical, estrada de rípio, que, segundo consta nos manuais de viagem, tem um visual maravilhoso, belíssimas paisagens. Eu disse a meu companheiro que topava a aventura, porque sabia que ele queria muito enfrentar esse caminho cheio de surpresas, mas, no fundo, estava com um pouco de medo. A maioria dos aventureiros que pegam a famosa Carretera o fazem em grupo, mas nós estávamos sós e não tínhamos experiência suficiente para esse tipo de aventura. Tavinho é bom motorista e eu também não faço feio, mas não entendemos nada de mecânica. Se a máquina pifasse, o que faríamos? Será que conseguiríamos ajuda? E os outros perigos?
               Por fim, prevaleceu o bom senso. Decidimos esquecer a Carretera Austral e descer pela Argentina. Com a ajuda dos nossos mapas e consultando também as anotações que retiramos de um livro escrito por um fotógrafo de Florianópolis, que fez, com a família, viagem semelhante à nossa, narrando a aventura em “Aventura no Fim do Mundo”, Tavinho montou nosso roteiro para os próximos dias. Esse livro nos foi emprestado por um casal de Goiânia, José de Deus e Elisa, que saíram da cidade depois de nós, no dia 26 dezembro para também ir à Patagônia. Pretendíamos nos encontrar pelo caminho. Só que, infelizmente, eles só foram até Mendoza. Estavam em quatro no Troller, o casal e as duas filhas, mas a viagem ficou desconfortável. Para uma viagem longa, não é o carro ideal para transportar quatro pessoas. Daí, passaram o Ano Novo em Mendoza e voltaram para Goiânia. Pena!
Curtindo o Pacífico
                Decidido o roteiro, resolvemos curtir a cidade. Na parte da manhã, logo que chegamos a Puerto Montt, tínhamos ido ao Serviço de Orientação ao Turista, onde um jovem nos forneceu mapas e informações da cidade. Queríamos botar o pé na água do Pacífico, que víamos pela vez primeira, mas no centro da cidade não tem praia, porque as margens do Golfo, que banha a cidade, são cobertas de pedras. Mas, descobrimos que havia uma praia logo à frente, seguindo a Av. Costanera e rumamos para lá. Tirei os sapatos e mergulhei os pés finalmente nas águas do Pacífico, fazendo a minha saudação costumeira à Yemanjá e aos meus protetores. Salve! Valeu pelo ritual porque a prainha não tinha qualquer atrativo, até me esqueci de anotar o nome do lugar.
                  Voltamos ao centro nevrálgico de Puerto Montt em busca do Mercado, onde o rapaz do serviço turístico disse que poderíamos almoçar pescados. De fato, o Mercado é uma preciosidade, para usar a expressão mais comum da espanhola Maria, nossa caroneira do dia anterior. Além das barracas normais de todos os mercados, há um sem número de pequenos restaurantes, alinhados uns ao lado dos outros, em dois andares do prédio, bem característico, todo de madeira. Os garçons ou proprietários ficam convidando os passantes a entrarem, fazendo propaganda da comida. Puerto Montt é a capital do salmão, segundo lemos nos folhetos turísticos. Foi difícil escolher o restaurante, dada a diversidade de opções. Entramos no da Rosita e, claro, pedimos salmão. A última vez que tinha comido carne vermelha foi no Restaurante Patagônia, em Santiago. No dia 31 de dezembro, o prato foi a Centolla, o caranguejo da região e, a partir de primeiro de Janeiro, só comi salmão. Delícia! E o melhor da história é que, conforme nos havia dito o garçom em Santiago, quanto mais a gente desce, menos ele custa. Lá na Rosita pagamos 10.600 pesos pelo almoço, aí incluída uma porção extra de arroz que pedimos, mais refrigerantes e água. Claro que se trata de um restaurante popular, mas a comida é de primeiríssima qualidade e feita na nossa frente. Dez mil e seiscentos pesos representam menos de cinqüenta reais.
              Instalamo-nos no hotel Miramar, bem simplezinho. Não tinha estacionamento e tivemos que colocar o Troller no posto Esso, que fica em frente. A grande vantagem do hotelzinho é a localização, defronte à costa, pelo que tínhamos uma vista bem agradável da janela. A diária foi de 25.000 pesos, valor que pagamos adiantado para sair bem cedo rumo à Bariloche.
              Tínhamos mandado lavar nossas roupas sujas, por precaução, porque pensávamos que iríamos pela Carretera. Numa lavanderia situada na galeria Espanha pagamos 8.000 pesos por oito quilos de roupa. Foi ótimo! Ainda tínhamos bastante roupa sem usar, mas com essa providência nos despreocupamos, embora, pelos nossos cálculos iniciais ainda tínhamos quase um mês de viagem pela frente.

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