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sábado, 11 de junho de 2011

De Goiânia ao Fim do Mundo 3

28/12/2007
        Após o café da manhã, por sinal bem melhor que os anteriores – salada de frutas, suco, iogurte, sanduíche, geléia e as sempre presentes medias lunas – fomos em busca do adaptador para carregar o notebook, as pilhas da máquina e para eu poder usar o aparelho que utilizava à noite. Conversamos com uns brasileiros, um casal carioca, que nos deu algumas dicas. Encontramos o adaptador e foi possível usar a internet. Enviamos e-mail para meus filhos e também para José de Deus e Elisa, casal que saiu de Goiânia depois do Natal e que pretendíamos encontrar mais à frente.
Almoçamos em um dos restaurantes do Paseo Sarmiento, uma rua fechada para autos, onde tem uma série de barzinhos e restaurantes, um ao lado do outro. Comemos pouco e não bebemos, porque havíamos marcado um tour por algumas bodegas e o ônibus viria buscar-nos às 14:30h.
clélia na vínicola em Mendoza
Às 15h30m chegou o microônibus, que levou-nos a duas bodegas, onde compramos alguns vinhos. Já tinha feito tours semelhantes no Brasil, na região de Caxias do Sul e pareceu-me que a degustação nas vinícolas brasileiras é muito mais interessante. Em Mendoza, eles limitam-se a servir pequenas porções de poucos vinhos (foram três na primeira e apenas dois na segunda), isso depois de rápida visitação nos locais de fabricação, com aquelas explicações básicas. Valeu mais pelo encontro que tivemos com casais de brasileiros, com os quais trocamos experiências.
No passeio que fizemos com o guia pela cidade, observamos que há canais que correm junto ao meio fio das calçadas. Ficamos sabendo que por esse canais corre água que irriga a cidade, que vem do Rio Mendoza, cuja origem vem do degelo da Cordilheira dos Andes. O sistema é controlado por comportas, que são abertas nos dias quentes e no verão. A região é muito seca, por isso inventaram esse sistema para abastecer e melhorar a umidade.
             A intenção nossa ao chegar ao hotel era tomar um bom banho e irmos a um restaurante especial para saborear uma legítima comida argentina acompanhada de um vinho especial. Mas, deu preguiça e terminamos saindo do jeito que estávamos e fomos parar no mesmo Paseo Sarmiento de antes. Sentamos no restaurante vizinho ao anterior e pedimos uma cerveja bem gelada. O cara trouxe uma jarra de chope, que de gelado não tinha nada, estava quase natural. Em garrafa só havia cerveja preta. Isso acabou com o humor do Tavinho. Com o meu, não, eu me sentia particularmente feliz aquele dia, provavelmente porque tinha conseguido falar com minhas filhas no MSN, que me disseram estar bem e deram também notícias do Gustavo, com quem não consegui falar. Isso, para uma mãe, é tudo de bom. Assim, achei ótimo o prato de papas (batatas) com salsichas, que tomamos com coca-cola. Na Argentina não tem guaraná e os outros refrigerantes, que experimentamos, são horríveis.
Antes do restaurante, eu percorri a feirinha da praça, mas não encontrei nada diferente. Encantei-me apenas com um vaso trabalhado com motivos da cultura inca. O danado custava 60 pesos que, na hora, achei um pouco caro. Não comprei e, como sempre, depois me arrependi.

29/12/2007

                19.888 km rodados no troller. Completamos exatamente 4.000 km de viagem, aqui em Mendoza. Temos muito chão pela frente.
A primeira visão dos picos nevados
Saímos do hotel pouco depois das oito horas e pegamos a Ruta 40. Logo no início da estrada, deparamos com a montanha nevada a nossa direita. Foi emocionante a primeira visão dos picos nevados e paramos para fotografar. Quando estávamos parados, fomos alcançados por um ciclista que nos abordou. Era um garoto paulista, que também ia para Santiago. Disse que estava fazendo a viagem de ônibus, mas resolveu fazer de bike o percurso de Mendoza a Santiago. Simpático o garoto.

Pegamos a Ruta 7 e seguimos nos extasiando com a visão dos Andes. Entramos no vilarejo de Potrerillos, onde tem várias casas de veraneio e há uma estação de esqui próxima, Vallecitos, mas não fomos até lá.
Retornamos à ruta 7 e fomos até Uspallata, um pequeno povoado, a 1.900 metros de altitude, famoso por ter sido palco das filmagens de “Sete anos no Tibet”. O povoado possui um quiosque de informações turísticas, onde ficamos sabendo as atrações que tínhamos pela frente: Penitentes, a 65 km, Puente Del inca, a 70 km e, logo depois, o parque do Aconcágua. Por último, Villa Las Cuevas, pouco antes da fronteira do Chile.
Puente del Inca-ruínas do hotel
          Seguimos e paramos em Puente Del Inca, que tem uma paisagem belíssima. O povoado está a 2.720 m de altitude, no meio das montanhas. O local foi ocupado por uma corporação do exército devido à sua localização estratégica, a poucos quilômetros do Chile, mas é muito pequeno, tem o pessoal do exército de um lado e do outro um aglomerado de casas. Não há ruas. Antigamente, havia aqui um hotel de luxo, mas hoje só tem as ruínas dele. Venta uma barbaridade no local. Estávamos em pleno verão, mas tivemos que colocar nossos agasalhos. Há inúmeras banquinhas de venda de artesanato, a maioria de influência inca. Aliás, o nome da localidade, deriva de uma formação natural, em forma de arco, que passa sobre o rio Mendoza e que seria utilizada pelos Incas.
Não comprei nada do artesanato em Puente Del inca. Fiquei apaixonada por um tapetinho com motivos incas, mas estava com poucos pesos e fiquei com receio de precisar de dinheiro argentino antes da fronteira. Foi tolice, da qual me arrependi outra vez.
Ah, o Aconcágua!!!!!!! Que visão fantástica!
Entramos no Parque Provincial Aconcágua e deixamos o carro no local indicado. Resolvemos subir até onde nossas limitações permitissem. A trilha inicial da subida é bem tranqüila. Fomos, sem dificuldade, até a altitude de 2.900 metros. O que incomoda é o vento forte e gelado. É impossível ficar com os braços nus. Devido ao vento frio, o sol não incomoda, mas queima impiedosamente a pele dos desavisados. Não foi o nosso caso
porque já tínhamos lido vários relatos de viajantes que se aventuraram pela rota dos Andes e estávamos preparados. Acima da altitude que alcançamos, é escalada para profissional. Tinha dezenas deles, de todos os lugares, devidamente equipados para a subida. Muitas turmas de motoqueiros, inclusive brasileiros. Aliás, ali na rota dos Andes, os motoqueiros são as presenças mais constantes, volta e meia passavam vários deles por nós. No curso de nossa viagem, uma coisa me encabulou: a maioria dos viajantes estava sempre em grupo, várias motos ou vários 4x4. Muitos que conversamos se admiraram de estarmos os dois sozinhos. Não sentimos medo e, talvez por isso, os deuses nos ajudaram. Não tivemos contratempo nenhum com o Troller, nem sequer um pneu furado. E nenhum problema de saúde, graças a Deus. Pra não dizer que não houve nenhum momento difícil, tenho que confessar que ficamos, sim, apreensivos numa parte do deserto da Patagônia, mas o momento de contar isso ainda não chegou. Por enquanto, não dá pra descrever a emoção de uma goiana e um paulista ao contemplarem por horas a fio, a majestade da Cordilheira dos Andes. Essa emoção, como diz a propaganda do cartão de crédito, não tem preço.

Ainda inebriados com o visual da montanha, paramos logo a frente em Villa Las Cuevas, lugarejo onde tem um monte com um Cristo Redentor. Las Cuevas está a 3.200 metros de altitude e para chegar ao Cristo tinha mais 1.000 metros, ou seja, 1 km de subida a pé. Não nos interessamos em subir. Cristo Redentor já conhecemos o da nossa Cidade Maravilhosa que, temos certeza, não existe mais belo.
Almoçamos no restaurante do local. Comida caseira: arroz, carne, purê de batatas, lentilhas, tomate e beterraba. Gostoso e barato. Pagamos 48 pesos, incluindo três cocas. Estávamos prestes a sair, pela vez primeira, da Argentina e me dei conta de que ainda não comprara nem um souvenir. Pela nossa idéia original, que aquelas alturas não sabíamos se íamos manter, ainda entraríamos outras vezes no país dos hermanos, mas, por via das dúvidas, comprei ali um pratinho de parede e um boné de Mendoza.
A fila na aduana
Chegamos, finalmente, à fronteira com o Chile, onde uma surpresa nos esperava: Operação Padrão na aduana. Pelo menos, foi essa a conclusão a que chegamos ao ver uma fila que se estendia por quilômetros de comprimento. Chegamos às 14:10 h e só fomos liberados exatamente às 20 horas, ou seja, pouco faltou para seis horas de espera. Quando chegou a nossa vez, foi incrivelmente rápido. Havíamos preenchido os papéis do veículo e os pessoais e, para não ter problemas novamente, declaramos o notebook, a câmera fotográfica e até o radinho de pilha. Mas, os agentes não olharam, nem revistaram nada. Deviam estar cansados, mas percebemos que a rivalidade deles é com os argentinos. O carro dos hermanos, à nossa frente, foi revistado. Estávamos um pouco preocupados porque ficamos com pena de jogar fora o queijo e o salame maravilhoso que havíamos comprado na serra. Não é permitido entrar com alimentos, mas nem perguntas fizeram para nós. Melhor assim. Não dá para ser sempre politicamente correto. No caso, jogar fora aqueles alimentos seria pecado, ou não? Enfim, somos humanos e brasileiros e o que
pensamos foi somente que, depois de toda aquela espera, seria muito desagradável ter problemas na fronteira.
                  Quando finalmente pegamos a estrada, nova surpresa nos esperava. A rodovia (se é que pode ser assim chamada), ali no início do território chileno, é muito louca. Curvas super fechadas, com um despenhadeiro embaixo e sem qualquer proteção. São vários quilômetros nessa situação, até quase o fim da descida. Quando chegamos ao fim desse trecho surreal, paramos no primeiro restaurante que apareceu, bem na beira da estrada. Comemos dois sanduíches que estavam bons, mas com um certo exagero de pimenta. Pagamos 5.900 pesos pelo lanche, incluídos os refrigerantes.
                 Em Santiago, devido ao nosso cansaço, decidimos contratar um táxi para nos levar até o hotel que havíamos escolhido. Ainda não tínhamos GPS, falha nossa. Não havia vaga no local e fomos para um outro, bem perto, o Monte Carlo, que nos agradou. Não tinha frigobar e a internet no apartamento não funcionava, somente no hall, mas naquele momento a única coisa que queríamos era uma boa cama para descanso. Tavinho, como de hábito, apagou de imediato e eu também não agüentei escrever muito. Já era mais de meia noite.







2 comentários:

  1. Oi!

    Esta ficando ÓTimo seu blog , parabéns!

    OLHE! SUA FOTO NÃO ESTA APARECENDO COMO SEGUIDORES, mas esta aparecendo qdo vc deixa msgs para mim.BYE!

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  2. Obrigada, Luciane.Sua ajuda foi fundamental. abraços!
    clélia

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