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sexta-feira, 24 de junho de 2011

De Goiânia ao Fim do Mundo 10

15/01/2008

                  Saímos de El Calafate, por volta de 09h30m. O velocímetro do jipe marcava 26.150 km, ao deixarmos o hotel em direção ao Perito Moreno. São 50 km na estrada para chegar ao parque e depois mais 28 km até o acesso.

Glaciar Perito Moreno
 Compramos ingressos para o passeio de barco: 35 pesos para cada um. Para entrar no parque, já tínhamos pago 80 pesos, 40 para cada. Para ver o Perito Moreno inicialmente pega-se o mesmo caminho que fizemos no dia anterior para Punta Banderas, mas depois a estrada se bifurca.
O glaciar Perito Moreno, que tem esse nome em homenagem a Francisco Moreno, explorador pioneiro da Patagônia, que era perito do governo argentino, estende-se por uma superfície de 250 km quadrados, desde sua zona de formação, no Campo de Hielo Sur até o Lago Argentino. São 5 km de paredão sobre o Brazo Rico do Lago Argentino, formando um dique natural, que fascina os turistas. Por causa do aquecimento global, o glaciar avança 2 metros por ano, estando, portanto, diminuindo devagarzinho.
No barco, defronte o belo Perito Moreno
 Nos pontos mais altos, chega a 80 m de altura. No passeio de barco, chega-se relativamente perto de uma das paredes do glaciar e pode-se observar blocos de gelo se despencando da parede e caindo nas águas do lago. O passeio de barco dura mais ou menos uma hora. Para variar, encontramos vários brasileiros a bordo. Primeiro, uma garota de Brasília, que viajava de mochila, sozinha, por esse mundo afora. E depois um grupo de várias pessoas de Ribeirão Preto, com os quais conversamos mais. Tavinho, principalmente, já que é sua região de origem.. Tiramos algumas fotos e a moça brasiliense bateu uma de nós dois.
Com os casais brasilienses
Descendo do barco, resolvemos pegar o ônibus para ir até as passarelas observar o Perito Moreno de outros ângulos. Valeu a pena a descida até o Mirador del Glaciar, onde se tem uma visão mais panorâmica da grande geleira e observa-se com mais frequência e de mais perto o deslocamento dos blocos de gelo e o estrondo que eles produzem no choque com a água.
É muito bonito o espetáculo e fascinante a cor branquíssima e, em alguns pontos, incrivelmente azulada. Dizem que é o reflexo do sol.
No mirante, encontramos uma turma de Brasília, três casais e um deles, goiano, de Silvânia, cidade próxima de Goiânia, que conheço bem por ser cidade natal de um dos meus compadres. Tiramos fotos junto com a turma.
O fantástico paredão de gelo
Apesar da beleza grandiosa dos glaciares, ao encerrarmos nossa visita à mais bela geleira do continente, decidimos que já havíamos visto gelo e montes nevados suficientes e resolvemos abortar nossa antes planejada ida para El Chaltén, cuja atração maior é o Cerro Fitz Roy, com 3.405 m. Dizem que ele tem um visual maravilhoso, mas naquele momento, preferimos partir para a Península Valdés. Eu estava a fim de ver os pinguins.
Assim, uma vez mais modificamos o nosso roteiro. Acertamos que voltaríamos a Rio Gallegos e de lá, seguiríamos pela Ruta 3 até Puerto Madryn, de onde iríamos à Península para curtir os pinguins. Depois, Buenos Aires, Uruguai e volta pelo sul do Brasil.
            No retorno do Parque Nacional Los Glaciares, paramos em El Calafate, onde fizemos um lanche no Café e Pizzaria Casablanca, que já conhecíamos. E colocamos apenas um pouco de diesel, já que também lá, os argentinos cobram mais caro dos veículos com patente (placa) estrangeira. Eu estava com dor na coluna e tomei um comprimido, logo a dor melhorou e eu peguei o volante para o Tavinho dormir um pouco. Mas, só consegui dirigir 60 km, veio um sono terrível e eu parei no posto de Esperanza. Tomamos um café e Tavinho pegou a direção novamente.
             A estrada, bem conservada, estava com pouco movimento. A paisagem, bem patagônica, árida e desértica, provoca sono e moleza, devido à monotonia. Chegamos a Rio Gallegos, onde planejávamos dormir, às 18h30m. Mas, como ainda tínhamos algumas horas de sol, o meu companheiro estradeiro (acho que ele deve ter sido motorista de caminhão na outra encarnação) me convenceu a seguirmos até uma cidadezinha chamada Monte León, a cerca de 200 km a frente. No posto, onde abastecemos, um motorista de ônibus disse ao Tavinho que havia uma pousada naquela localidade.
         Acreditei na veracidade da informação, uma vez que vi no mapa que perto havia uma ilha com pinguins. Por outro lado, rodando mais naquele dia nos possibilitaria chegar a Puerto Madryn no dia seguinte.
           Passamos na estrada por um grupo de casas em que estava escrito Estância Monte León. Imaginamos que a pousada estaria mais a frente. Ledo engano. Pelo visto, era lá mesmo. Tavinho odeia voltar e não quis fazê-lo. Resolveu tocar até a próxima cidadezinha que, no mapa, estava a 30 km. Mas, no tal lugar não havia hotel e a alternativa que nos sobrou foi seguir até Puerto Julian.
       Chegamos a Puerto Julian pouco mais de 22 horas e percorremos a cidade inteira em busca de acomodação. Por fim, fomos ao posto de informação turística, que funciona junto ao terminal de ônibus, para receber a confirmação do que já havíamos constatado: não tinha vaga em nenhum hotel da cidade e nem mesmo nas casas de família, que se transformam em hospedarias quando aumenta a demanda na região.
            Já havíamos ouvido relatos semelhantes várias vezes, mas nunca pensamos que pudesse ocorrer conosco. Estávamos exaustos, com muito sono e a cidade mais próxima, que poderia ter vaga em hotel, era Caleta Olivia, há aproximadamente 3 horas e meia de viagem. Resultado: estacionamos em um posto YPF, à beira da estrada e preparamo-nos para dormir no carro. Antes de conseguir dormir, fiquei pensando na barraca que eu tinha pensado trazer  exatamente porque tinha lido histórias de viajantes que tinham passado por isso. Naquela de minimizar a bagagem, a barraca foi descartada.







                    
                     

terça-feira, 21 de junho de 2011

De Goiânia ao Fim do Mundo 9


13/01/2008

Nosso hotel e a vista de Puerto Natales
                Saímos um pouco antes das nove horas de Puerto Natales, com o velocímetro do jipe indicando 25.860 km e dez quilômetros depois chegamos à fronteira com a Argentina. Não havia ninguém na fila, nem precisei descer do carro. Tavinho levou os documentos  e o encarregado carimbou nossos passaportes. Na aduana argentina, também não tinha ninguém, mas demorou um pouquinho porque só havia um funcionário para todos os trâmites.
              Pegamos a ruta 40, em dúvida se continuávamos nela ou se passávamos para a ruta 7, caminho mais longo, mas com asfalto. Tínhamos ficado com um pouco de medo de rodar no rípio por causa dos trincados que já tínhamos no parabrisa. Mas, concluímos que não havia razão para fugir dos trechos sem pavimentação, uma vez que estávamos em um veículo 4 x 4. Assim, ficamos mesmo na Ruta 40, onde atingimos 10.000 km rodados na viagem. A estrada estava boa e são apenas 76 km até El Calafate.
          Chegamos no início da tarde ao nosso destino e fomos logo a um posto de informações da municipalidade, que fica na estação rodoviária, na Rua Júlio Roca. El Calafate é uma cidade de aparência muito agradável e o comércio se concentra na sempre presente Av. San Martin, onde tem um monte de hotéis e pousadas. Pegamos indicação de quatro hotéis com a funcionária do posto. No primeiro, já não havia vagas, mas havia outro, em frente, chamado Los Lagos, onde conseguimos um apartamento bem razoável: quarto amplo, com TV, banheiro acanhado (o que não é novidade por lá) e internet na recepção. Endereço: Rua 25 de Mayo, 220. Preço: 200 pesos, com café da manhã. Devido ao apelo turístico do local, não se consegue hotel decente mais barato do que isso.
            A proprietária do hotel, muito simpática, nos indicou um restaurante na Av. San Martin. Optamos pelo bufê, para comer salada, mas a carne servida não estava à altura da tradição argentina, que já conhecíamos bem. Mas, deu para matar a fome. Pagamos 90 pesos pela refeição.
              Fomos andar pela cidade e passamos em uma lan house, porque eu queria verificar qual o passeio que tinha sido sugerido pela nossa amiga Terezinha,que estivera a pouco tempo em El Calafate. Passamos numa agência de turismo e contratamos uma excursão onde iríamos conhecer cinco glaciares, inclusive o maior de todos, o Upsala. O pacote para nós dois custou 120 euros. O glaciar mais famoso, o Perito Moreno, não fazia parte do pacote, mas nele poderíamos chegar de carro até o local de pegar o barco. Então, decidimos que no dia seguinte faríamos a excursão e no outro o passeio até o Perito Moreno.
Motoqueiros cariocas em El Calafate.
           Resolvida a questão dos passeios, ficamos andando pela cidade e fazendo compras: comprei camisetas para as crianças da família e afilhados e encontrei uma peça bonita de inspiração indígena patagônica que comprei para minha amiga Maria Amélia. Nas andanças pela cidade, vimos muitos brasileiros. Entre eles, um grupo de motoqueiros cariocas, que não dispensam a nossa bandeira. É agradável estar sempre encontrando nossos compatriotas.
Cansados de andar, resolvemos comprar lanche para comer no apartamento. Teríamos que levantar cedo no dia seguinte porque o ônibus da excursão viria nos  apanhar as sete horas.

14/01/2008

             O ônibus da excursão apareceu no hotel as 07h40m. Fomos os antepenúltimos a entrar. Rodamos cerca de uma hora até chegar ao porto. Pelo folheto, vimos que a distância é de apenas 50 km. Lá chegando,  tivemos que comprar os tickets para o barco: 40 pesos cada um. O barco ficou lotado, com gente de todo o lugar do mundo.
               O passeio vale muito a pena, principalmente para nós, brasileiros, onde não existem glaciares.
Saímos do Puerto Bandera, em El Calafate e navegamos pelo braço norte do lago argentino, passando por cinco glaciares, inclusive o maior de todos, o Glaciar Upsala.
 O barco dá ideia do tamanho do gelo.

No início da navegação, já vimos blocos de gelo boiando no lago e a visão dos gigantescos blocos, que formam os glaciares, é fantástica.
O lago argentino é portentoso e ficamos extasiados com a visão dos vários glaciares, um atrás do outro.
O barco faz uma parada na baía Onelli, onde há uma grande concentração de blocos de gelo sobre as águas límpidas da baía. O acesso ao local mais bonito exige uma caminhada de mais ou menos um km por uma alameda cheia de árvores, que é uma típico bosque andino patagônico, conforme a definição que vi em um folder que obtivemos no local. Nesta baía, se encontram os glaciares Onelli, Bolado e Agassiz, que se confluem no lago Onelli. É muito bonito e dá vontade de ficar por ali contemplando a natureza.
Clélia e Tavinho na Baía Onelli

Nessa parada, há um restaurante, onde aproveitamos para almoçar. A maioria das pessoas tinham levado lanche, não sei se por economia ou para não perder tempo. Mas nós não estávamos preparados e fomos ao restaurante, onde comemos bife a milanesa com fritas: 100 pesos, razoável.
Além dos glaciares da baía Onelli e do grande Upsala, vimos também o Glaciar Spegazzini e outros menores.
É voz corrente que o Perito Moreno é o mais belo dos glaciares. Fiquei imaginando se isso poderia ser verdade porque o espetáculo que vimos naquele passeio foi realmente fantástico e inesquecível.



sexta-feira, 17 de junho de 2011

De Goiânia ao Fim do Mundo 8


11/01/2008

             Na manhã do dia 11 de janeiro, com nosso carro marcando no velocímetro 24.683 km, preparamo-nos para deixar a linda Ushuaia. Como sempre fazíamos, a primeira providência era o abastecimento e os cuidados com o jipe. Fomos a vários postos, mas todos insistiam em cobrar preço diferente da tabela. Aliás, nas cidades de fronteira, na Argentina  (não me lembro se no Chile acontece o mesmo),  o preço para veículos estrangeiros é sempre superior, o que até entendemos, uma vez que ao contrário os brasileiros só abasteceriam no local. Mas, ali em Ushuaia, achamos que isso não justificava.                
          Quando estávamos a ponto de desistir de colocar diesel, encontramos um posto na saída que nos cobrou o preço da bomba. É incrível como eles conseguem vender  o combustível bem mais barato que o nosso. E não são auto suficientes, como dizem que somos. Culpa da famigerada política tributária do Brasil.
Até qualquer dia, Ushuaia
Voltamos à nossa conhecida Ruta 3, contemplando pela janela do veículo os incríveis montes nevados. Lembrei-me que esqueci de registrar que quando estávamos no Glaciar Martial, no dia anterior, vimos que nevava lá no alto.
             Até Rio Grande, realmente a paisagem é incrível! Quando lá chegamos, completamos novamente o tanque de combustível e seguimos para San Sebastian, na fronteira com o Chile. Ultrapassamos sem problemas as duas aduanas. Poucos quilômetros à frente, pegamos novamente a via de rípio e o parabrisa do Troller foi atingido por algumas pedrinhas, ao cruzarmos com caminhões. O saldo foi três pequenos trincados. Ficamos preocupados porque não tínhamos ideia  se o vidro corria o risco de se romper. Se isso acontecesse, o transtorno seria imenso porque teríamos que pedir outro vidro do Brasil, já que nosso carro não tem por lá. Entendemos, então, a razão de vários 4x4 que cruzamos pelo caminho possuírem uma tela frontal para proteção do vidro. Para andar direto por estradas de rípio, é acessório indispensável. Mais uma que aprendemos. Quando chegamos à balsa, Tavinho conversou com alguns motoristas de caminhão sobre os trincados do parabrisa e eles nos tranquilizaram, disseram que do jeito que estava, não havia risco.
Atravessamos novamente o estreito de Magalhães. Desta vez, nem desci do carro e aproveitei para colocar as anotações em dia. 
Os outros correram
               Na sequência, ao deixarmos a balsa, pegamos a Ruta 255 e seguimos pela margem do grande estreito de Magalhães. A opção seguinte era Punta Arenas, onde a atração maior é a zona franca, com preços atraentes. Mas, como nosso objetivo não era fazer compras, decidimos ir direto para Puerto Natales, em busca das belezas de Torres del Paine. 
O animal que eu tinha achado parecido com um veado chama-se guanaco e é típico da Patagônia. Vimos rebanhos inteiros, mas eles são ariscos. Quando nos aproximamos para fotografar, eles fogem.
Dava pra morar aqui
Chegamos bem cansados em Puerto Natales e nem tivemos ânimo para procurar um hotel no esquema "bom e barato". Queríamos uma cabana no estilo da que ficamos em Ushuaia, mas terminamos ficando num lugar denominado Centro Turístico Terravento, onde as cabanas são muito bem equipadas. A hospedagem é cara: 50.000 pesos, mas abriga uma família, porque tem dois quartos e mais um bom sofá-cama na sala. Como estávamos sós, ficou pesado, mas contratamos somente por uma noite. No dia seguinte, tencionávamos procurar com calma outro lugar mais em conta. Também, não havia outra alternativa. as cabanas estavam lotadas e a vaga era mesmo só para aquele dia.
Acatando a sugestão do proprietário do hotel, fomos jantar no El Asador Patagonico, restaurante simpático que fica na praça central da cidade. Comemos cordeiro patagônico e bebemos um bom vinho cabernet sauvignon. Valeu a extravagância. Nada como uma boa mesa e uma boa cama para motivar carinhos patagônicos. Fui dormir pensando que, no dia seguinte, conheceria um dos orgulhos chilenos, o famoso parque nacional Torres del Paine.

12/01/2008

                  Deixamos cedo a nossa linda cabana e fomos para o centro de Puerto Natales em busca de outro hotel e encontramos sem dificuldade o Hostal Francis Drake, simples, mas muito agradável. A diária era 29.000 pesos e pudemos, inclusive fazer o nosso desjejum, sem nenhum acréscimo.
Paisagem fascinante na estrada para T.del Paine
                     Às 09h15m, com o velocímetro acusando 25.486 km, pegamos a estrada a caminho de Torres del Paine. Antes, porém, fomos a uma mercearia e compramos pães, queijo, salaminho e água. Não me lembro se isso foi sugerido por alguém, mas o fato é que foi uma  providência feliz, conforme verificaríamos mais tarde.
                    Punta Arenas, Puerto Natales, o Parque Torres del Paine e a base de Puerto Williams é o que há de principal na Patagônia Chilena. O Parque fica a 115 km de Puerto Natales, pela Ruta 9. No caminho, paramos um monte de vezes tentando fotografar os guanacos, que são selvagens, da mesma família das lhamas. São referência na região e dominam a paisagem campestre, alternando com grandes rebanhos de ovelhas.
Na entrada do parque
              Entramos no parque pela portaria Laguna Amarga. O parque, que tem 242 mil hectares possui outras quatro entradas, devendo-se evitar apenas a Laguna Verde, porque por ela não dá acesso ao parque de carro. Compramos os ingressos (15.000 pesos cada) na portaria e nos forneceram um mapa. É um local privilegiado da natureza. Pode-se percorrê-lo quase inteiro de carro. A estrada é de rípio, mas apresenta boas condições. Fomos rodando devagarzinho curtindo a paisagem. Há diversos lagos no trajeto, como o belíssimo Pehue e o Grey e ainda uma cachoeira que, para ser visualizada, deve-se descer do carro e andar cerca de 500 metros, segundo informa a placa no local. No entanto, tem-se a impressão que a subida é muito maior que o meio quilômetro anunciado. Isto porque o vento no local é absurdamente forte. Mas, o visual da cachoeira, com os picos nevados ao fundo, a linda vegetação e as pedras às margens do rio compensam todo o esforço da subida.
Valeu a subida. Natureza bela!
Fizemos o circuito completo possibilitado pela estrada que corta o parque, parando e fotografando os locais mais bonitos. Entramos em um dos hotéis  que existem no parque, que estava lotado, cheio de turistas de todas as partes do mundo, a maioria européia. Por curiosidade, perguntamos o valor da diária 151.250 pesos para duas pessoas, ou seja, três vezes o valor de uma diária de hotel similar em qualquer cidade próxima. Pelo que vimos, o hotel é confortável, mas está longe de ser considerado de luxo. Portanto, fica a dica pra quem quiser explorar o parque: quem não for amante de camping e de refúgios de montanha (há bastante deles no parque), o melhor é ficar em Puerto Natales e contratar uma excursão de van. Isso, se não estiver de carro, que pra mim é a melhor opção. No inverno, disseram que poucos campings funcionam, já que as temperaturas ficam baixíssimas, tem que ter barraca impermeável e antitérmica, saco de dormir, fogareiro, etc. Estávamos lá no verão e sentimos frio algumas vezes, já que o vento, na Patagônia, é constante. Imagine como deve ser no inverno. Voltando aos comentários sobre o  hotel, os preços no bar são também muito acima do normal. Pagamos por dois  cafezinhos 4.000 pesos e o pior é que o café estava péssimo.
              Foi aí que bendizemos o fato de havermos levado nosso lanchinho. Enquanto Tavinho dirigia devagar, preparei sanduíches com os suprimentos que havíamos comprado em Puerto Natales. Foi ótimo.
Os  maravilhosos Cuernos del Paine
 Antes de sairmos do parque, já no final da tarde, pegamos uma das estradinhas suplementares, a que leva à Hosteria Las Torres para chegar mais perto das famosas torres que dão nome ao parque e ficamos um bom tempo à espera de que as nuvens se afastassem do cume das torres para conseguirmos fotos mais nítidas. Mas, não adiantou, as nuvens não ajudaram e nossas fotos ficaram todas com elas encobrindo parcialmente as torres. Tivemos mais sorte com os não menos famosos CUERNOS DEL PAINE, rochas em forma de chifres, que junto com as torres fazem parte do chamado Macizo del Paine.  Para chegar nesse local, é preciso atravessar uma ponte de madeira estreitíssima, que quase não coube o Troller. Pela estrada, volta e meia guanacos apareciam e às vezes cruzavam na frente do carro. Lindos!
Guanacos compondo a bela paisagem

Fiquei fascinada com Torres del Paine. O parque, desde 1978, foi declarado Reserva Mundial de Biosfera, pela Unesco e ele merece todos os adjetivos que lhe são atribuídos. Por todos os ângulos, a paisagem é sempre muito bonita e, às vezes, tem um monte de coisas belas num mesmo contexto: lago, montanha, céu com nuvens multicores e os animais quase sempre presentes, correndo livres.
               Chegamos de volta a Puerto Natales depois das dezenove horas, mas como é normal naquela região, o sol ainda estava alto. Fomos à cidade e enquanto fui dar uma volta em busca de souvenirs da região, Tavinho foi a uma lan house checar seus e-mails.
                  Mais tarde, escolhemos ao acaso um restaurante, na Calle Pedro Mont, para contemplarmos o Serro (estreito) Ultima Esperanza, o pedaço de mar que banha a cidade de Puerto Natales. Comi um congrio com salsa (molho) de mariscos e Tavinho foi de salmão. Tomamos um vinho Concha Y Toro. Estava tudo muito bom!
                No restaurante encontramos uma brasileira, de São Paulo, que jantava com o filho. Estavam  numa excursão e disseram que seguiriam no dia seguinte para El Calafate, na Argentina. Na ocasião, não imaginávamos que a veríamos novamente, em circunstâncias interessantes, na capital portenha.





















































































































































































































































































































































































































quinta-feira, 16 de junho de 2011

De Goiânia ao Fim do Mundo 7

08/01/2008

                  Com o velocímetro do troller marcando 23.050 km, deixamos Sarmiento por volta de oito e meia da manhã.
prospecção de petróleo 
                  Já na estrada, no meio dos campos áridos do deserto patagônico, descobrimos aquela que deve ser a razão da existência da cidade que acabávamos de deixar: máquinas e mais máquinas de prospecção de petróleo, trabalhando a todo vapor. Tiramos fotos. Nunca havíamos visto de perto essas máquinas. Mais na frente, uma estrutura industrial da Petrosar S/A, a Petrobrás da Argentina. Deve ser um local de distribuição, porque havia vários caminhões parados no pátio.
                   Um animal, que parece um veado, típico daquela região, atravessou a pista à nossa frente, no galope. Paramos o carro e o vimos retornando para se juntar a um grupo deles, que brincavam no campo seco. Bati uma foto, mas não consegui pegar direito. Fiquei lamentando, mal sabendo que veríamos centenas deles pelas estradas da Patagônia.
                    Da estrada, vimos, do alto, a cidade de Comodoro Rivadavia, onde tínhamos planejado dormir na noite anterior. Ela fica à beira-mar, agora na Oceano Atlântico, mais precisamente defronte ao Golfo San Jorge. Vimos, no guia, que a cidade tem mais de 200 mil habitantes e é responsável por 30% da produção petrolífera da Argentina. Tem uma localização estratégica entre o norte e o sul da Patagônia. Fica naquela parte mais estreita da América do Sul. É uma cidade portuária e há uma estrada que liga a cidade à sua equivalente chilena, voltada para o Pacífico, para facilitar o transporte de mercadorias de uma lado para o outro do continente.
Comodoro  Rivadavia
                   Paramos num posto YPF, na entrada da cidade de Caleta Olivia, ainda à beira-mar. Compramos sanduíche para o caminho e abastecemos o carro.A estrada distanciou do mar e a solidão do deserto aumentou. Peguei o volante e dirigi cerca de 160 km. Em parte desse percurso, a ruta estava em obras, passei por um desvio em estrada com rípio e trechos esburacados. Depois, voltou a estrada reta, quase sem curvas, monótona, sem acostamento, mas com pista regular, possibilitando desenvolver boa velocidade. Me deu sono e devolvi o volante ao motorista principal.
                   Paramos novamente em Puerto San Julian, num moderno posto YPF. Moderno, mas carente de estrutura. Demorou para conseguirmos atendimento e tivemos que nos contentar com sanduíches já prontos, que estavam na vitrine, já que não havia ingredientes para fazer nada diferente. Compramos para levar o que havia disponível: batatas fritas, coca-cola, chocolate e haws. O lanchinho custou 29,80 pesos. O troller tinha rodado, desde a última parada, 351 km e abastecemos novamente porque não sabíamos se encontraríamos diesel mais a frente.
                   Pelo mapa, verificamos que já não haveria nenhuma cidade mediana até Rio Gallegos. Percebi que Tavinho estava com sono, pedi o volante, mas ele custou a entregar os pontos. Como o conheço bem, calcei meu tênis e fiquei aguardando. Não deu outra: um pouco à frente, ele capitulou. Foi bom porque ele conseguiu dormir um pouco enquanto eu dirigia. O deserto continuava firme e o vento também.Naquela solidão do deserto patagônico, verifiquei, no velocímetro, que estávamos completando 8.000 km de aventura. Eu não estava ainda com a menor vontade de regressar. Estava fascinada com o passeio, que superava a minha expectativa. Quanto a Tavinho, ele estava louco para chegar a cidade de Ushuaia, conhecida como Fim do Mundo, que era nosso objetivo principal. Parece que meu companheiro não estava curtindo muito aquela paisagem desoladora.
                 Chegamos a Rio Gallegos às 18 horas. Entramos na cidade e fomos em busca do hotel que havíamos escolhido no guia. Não havia vaga. Saímos para procurar e logo encontramos dois bem próximos, que tinham apartamentos vagos. Optamos pelo que tinha o quarto mais confortável, porque o outro tinha cheiro de mofo. Só lamentamos porque no insalubre havia internet e no aprazível não. Paciência. O hotelzinho escolhido chama-se Nevada e fica bem em frente a um posto YPF, onde fizemos um lanche e planejamos tomar o desayuno no dia seguinte, já que o serviço não estava disponível no hotel. O Nevada fica na Rua Zapiola número 480, é bem simples, mas o quarto é amplo e tem TV a cabo, único luxo disponível. Mesmo assim, custou-nos 150 pesos, pagos adiantados, conforme costume nesses lugares de passagem.
                 Após nos instalarmos no hotel, fomos dar uma voltinha pela cidade. Inicialmente, saímos à pé, mas o vento gelado nos fez retornar para buscar o jipe. Chegamos até a avenida costeira, que margeia o Rio Gallegos. A cidade não é bonita, mas tem comércio significativo, um monte de hotéis e, parece, que a economia vem da exploração do petróleo.
                 Descansando no hotel, verificamos que no dia seguinte, chegaríamos ao Fim do Mundo, com a permissão do Alto. Tínhamos um trajeto complicado pela frente. Para chegar a Ushuaia, tínhamos que passar por duas alfândegas, pegar uma balsa, depois uma estrada de rípio e outra em más condições. Mas, o que mais nos preocupava, era a burocracia das aduanas. Contávamos com a nossa sorte e com os relatos de quem havia estado lá. Todos diziam que os percalços valiam a pena e que no trecho final da estrada, a paisagem é deslumbrante. Agora já estávamos próximos à Terra do Fogo, mas o vento forte que nos perseguia desde a entrada na Patagônia ainda continuava. Pelo jeito, deve ser assim até o final da estrada, no Fim do Mundo, já que descobrimos que o vento vem da Antártica.

09/01/2008

                  O jipe estava com 23.939 km, o que significava que tínhamos rodado 889 km, de Sarmiento a Rio Gallegos. A distância real é um pouco menor do que consta nos mapas. Saímos do hotel Nevada às 08h40m, após o café da manhã no posto. Na estrada, passamos por três carros brasileiros, de Santos e Guarujá. Eles entraram em uma estrada secundária em direção à Laguna Azul. A curiosidade nos fez pensar em segui-los para ver o que haveria lá de interessante, mas como não achei nenhuma referência nos guias a essa laguna, seguimos em frente.
                  Na fila da aduana, havia cerca de vinte carros à nossa frente. Essa aduana e a seguinte, tomou duas horas do nosso tempo, assim mesmo porque o senhor paranaense que já tínhamos encontrado antes descobriu que nós, brasileiros, estávamos dispensados de uma das filas. Foi ótimo e demos a dica para o grupo de Santos, que também estava na fila esperando.
Atravessando o estreito de Magalhães
                  Chegamos ao Estreito de Magalhães, onde entramos em outra fila, para esperar a balsa. Fomos à hosteria, que fica à margem, e pedimos um chocolate caliente. A moça nos serviu um leite quente com um tablete de chocolate. Bueno! Misturamos o tablete no leite e ficou bom. Custou 1600 pesos. O senhor paranaense, cuja idade estimamos em pouco mais de 65 anos, já havia feito amizade com um argentino, que reside em Ushuaia. Pelo mapa, havia duas alternativas para chegar ao nosso destino, mas decidimos optar pelo caminho do argentino, que devia saber qual a melhor opção.
                   O local da balsa é Punta Delgada (Chile). Do outro lado, na ilha, é Bahia Azul. Chegando a nossa vez na fila, colocamos o carro na balsa e fomos para a parte posterior do barco assistir o show das baleinhas, que ficam saltando. Tiramos fotos, mas é difícil flagrá-las no momento certo. Pagamos 12.000 pesos pela travessia do Estreito de Magalhães. O canal separa o arquipélago, que constitui a Terra do Fogo, do extremo sul do continente sul-americano. Tem esse nome em homenagem a Fernão de Magalhães, o navegante português que foi o primeiro europeu a atravessar o estreito, em 1520.
                   Após a travessia, passamos pelas duas aduanas seguintes sem qualquer problema. Como a estrada inicial era de rípio, nosso valente 4x4 levou vantagem sobre os demais, ultrapassamos todos e chegamos à frente nas aduanas. O nosso amigo paranaense passou-nos o nome do hotel em que ele reservara lugar, em Ushuaia. Assim, quando chegamos na cidade de Rio Grande, ligamos e conversei com a proprietária do mesmo. Entendi que havia lugar e que tínhamos garantido uma reserva. Era janeiro e temíamos ter problemas de hospedagem na cidade, dado o sem número de turistas que descem pra lá nessa época.
Monumento das Malvinas em R.Grande
                   Rio Grande é uma cidade estratégica. De lá, saiu a aventura argentina em busca das ilhas Falklands, que os hermanos teimam que são argentinas e denominam Malvinas. Há um monumento em homenagem aos mortos da guerra e, pela cidade e nas rodovias próximas, há placas dizendo: LAS MALVINAS SON ARGENTINAS. Pelo que vimos, esse sonho não vai acabar tão cedo.
Tivemos que parar pra ver a paisagem
Só paramos na cidade para abastecer, comprar lanche (media lunas e coca-cola, para variar) e fotografar, rapidamente, o monumento da guerra das Malvinas. Seguimos nosso caminho, ansiosos para vencer a última etapa que nos separava da cidade de Ushuaia. A paisagem já tinha melhorado, passamos a ver o verde, algumas árvores e, ao longe, de novo os picos nevados. Agora, sim, estávamos na Terra do Fogo, assim chamada porque os colonizadores, ao chegarem a essas terras, viram índios com fogueiras acesas para se aquecerem do frio inclemente. Os índios não existem mais, mas o nome ficou. A paisagem foi ficando cada vez mais bonita. Paramos duas vezes no caminho para tirarmos fotos. De novo, os montes nevados e lagos e também o mar. Passamos por um lago belíssimo denominado Paseo Garibaldi. Será que o herói italiano passou também por aquelas plagas?
                    Pelo nosso mapa, o asfalto acabaria em Talhuim, mas vimos que ele estava desatualizado, uma vez que fomos pelo asfalto até nosso destino. Menos mal.
USHUAIA
                    Ao contrário de um grande número de viajantes com os quais conversamos, o tamanho da bela Ushuaia não nos surpreeendeu. Havíamos lido muito sobre ela. Pelas informações do guia, o número de habitantes da cidade é 65.000, mas, ela está permanentemente acrescida de milhares de turistas. A atração de chegar à cidade mais meridional da Argentina e do continente americano, a apenas 1.000 km da Antártida, desafia um número fantástico de turistas do mundo inteiro. O Chile tem uma base militar, denominada Puerto Williams, que fica um pouquinho mais ao sul, então os dois países polemizam sobre o assunto, mas concluímos que o privilégio vai continuar mesmo com a Argentina, porque Ushuaia é realmente uma cidade fascinante.
                   Ao chegar, fomos em busca do hotel contatado em Rio Grande. Lá chegando, descobrimos que não havia vaga, o que a proprietária havia me dito é que nos levaria a um conhecido que ainda tinha disponibilidade em seu estabelecimento. Às vezes, a conversa em portunhol dá margem a conclusões equivocadas.  Resolvemos ir com ela porque ficamos com medo de não achar vaga. Pelas conversas do caminho, já sabíamos que era comum os hotéis ficarem lotados na região. De fato, conseguimos a hospedagem em um apart confortável, com aquecimento, bastante amplo, mas sem TV, nem internet.
                Instalamo-nos e fomos à rua. Tavinho queria ligar para sua mãe e também queríamos contatar nossos familiares e amigos na Internet. Fomos a uma lan house, a um caixa do Banco da Patagônia para sacar dinheiro e, por fim, escolhemos , ao acaso, a cantina Fueguina de Freddy para jantar. Fica na Av. San Martin, 326. Curioso que todas as cidades argentinas tem avenida com o nome do seu festejado herói.
Na hora de voltar ao hotel, descobrimos que havíamos perdido o mapa fornecido pelo proprietário, não sabíamos o nome do hotel, nem a rua. Provavelmente, o mapa tinha voado pela janela do carro. Também na Terra do Fogo venta bastante.
                Rodamos por um bom tempo, até conseguirmos localizar o hotel. Felizmente, depois de passarmos infinitas vezes ao lado da rua do mesmo, viramos pro lado certo e o encontramos. Agradeci novamente aos meus anjos. Cheguei a pensar que iríamos dormir no carro, já que vaga em outro hotel provavelmente não encontraríamos.

10/01/2008

              O dia em Ushuaia  foi cheio. Pela manhã, fomos a uma cafeteria na Rua San Martin para o breakfast porque no apart não tinha.
                 Seguimos então para o Parque Nacional Tierra Del Fuego, que fica a 11 km da cidade, seguindo pela Ruta 3, na direção de Lapataia, à beira do Canal de Beagle, pertinho da fronteira com o Chile.  O parque, que tem 63 mil hectares,  tem paisagens bonitas, com muita vegetação, vários lagos e vales com trilhas para os interessados explorarem. Na entrada, os viajantes recebem um mapa, com as indicações das trilhas e o nível de dificuldade.
                     Percorremos de carro a estrada asfaltada que corta o parque e paramos no ponto máximo para tirar fotos. Nesse local, há placas indicando se tratar do final da Ruta 3 e o visual é fascinante. 
                Saindo do parque voltamos à cidade para percorrer seu famoso comércio da Rua San Martin. Embora a cidade seja zona franca de comércio, os preços de eletrônicos, perfumes e artigos importados não são muito atraentes. A explicação é que, embora haja isenção de impostos, o preço do traslado, devido à distância, termina encarecendo os produtos. Mas, os produtos argentinos e mesmo alguns de grifes estrangeiras são mais baratos que no Brasil, mesmo porque o câmbio estava e continua bem favorável para nós.
              Compramos alguns presentes e souvenirs e depois fomos almoçar. Escolhemos um dos restaurantes recomendados pelo guia, o Gustino, que fica na Av. Maipu, 530 e comemos de entrada truta marinada e, como prato principal, cordeiro fueguino, escolha também sugerida pelo guia. Estava bom, mas para o meu gosto, com pouco sal na carne.
Vista de Ushuaia. Maravilhosa!
               Defronte ao restaurante, há um centro de artesanato, onde comprei um cachecol, que foi muito útil e uma lembrancinha para a mana Regina.
           Após o almoço decidimos ir de carro até o Glaciar Martial. Fomos até a base do teleférico e compramos os ingressos para a subida: 25 pesos cada um. Fazia muito frio, coloquei meu cachecol e o gorro mapuche que eu comprara uns dias antes. Faltaram as luvas, que não tínhamos - e como fizeram falta!. O frio lá em cima estava por volta de 4 graus, como informou o funcionário do parque. No final da viagem pelo cabo, para chegar até a geleira, seria necessário caminhar cerca de duas horas, mas decidimos, por razões óbvias, ficar só até o fim da linha. Tiramos fotos da bela paisagem e enfrentamos a volta no teleférico, quando já estava mais frio ainda, uma vez que estava mais tarde. Ao chegar em baixo, tomamos um chocolate regenerador, no barzinho que existe no local.
No Glaciar Martial
               Voltamos ao hotel  para programarmos a agenda e descansar um pouquinho. Queríamos fazer umas comprinhas e então fomos novamente para o centro da cidade. Comprei alguns souvenirs para a galera, uma camiseta branca para o Gustavo jogar tênis e Tavinho comprou várias camisetas da sua marca preferida, que estavam bem mais baratas que no Brasil.
                 Fomos ao Centro de Informação ao Turista, na Secretaria de Turismo de La Municipalidad de Ushuaia, na mesma Av. San Martins, onde cumprimos o ritual dos viajantes que chegam no local: carimbamos o nosso passaporte com os carimbos de USHUAIA, "A CIUDAD MAS AUSTRAL DEL MUNCO". Providência indispensável!
                   Já era final do dia e entramos na Laguna Azul, a mesma cafeteria onde havíamos feito o desjejum para um lanche reforçado. Voltamos cansados para o hotel e eu só tive coragem para registrar os acontecimentos no diário e conversar rapidamente no MSN com minha amiga Maria Amélia. Foi bom que fiquei sabendo que estava tudo bem em nossa terra.
                  Meio a contragosto, concordei em partir no dia seguinte para Puerto Natales, no Chile. Eu queria ficar mais um dia para visitar os  vários museus, sobre os quais havia tido informações interessantes e também conversar um pouco com o pessoal do lugar. Ficou para uma próxima vez...



quarta-feira, 15 de junho de 2011

De Goiânia ao Fim do Mundo 6

 05/01/2007

             Terminamos saindo meio tarde de Puerto Montt. O relógio marcava 09h10m e o velocímetro do jipe 21.781 km.
         Pegamos a Ruta 5, em direção a Osorno, onde mudamos de estrada. Pelo caminho, fomos nos despedindo da majestade do vulcão Osorno, cuja visão imponente nos acompanhou por grande parte do caminho. A imagem dos vulcões e picos nevados dos Andes é maravilhosa para nós, que não temos nada parecido no Brasil.
       Passamos pela alfândega argentina sem problemas. A fila estava pequena e tivemos sorte. Só apresentamos os documentos e fomos liberados. Vimos os policiais revistando alguns carros, mas com o nosso, nem pediram para parar. Embora estivéssemos com tudo regular, perder tempo com revista é sempre um aborrecimento. Meus anjos estavam de plantão.
Praça central em Bariloche
             No meio do caminho, deparamos com Vila La Angostura, bela cidadezinha que, segundo lemos, é o balneário da elite argentina, uma vez que Bariloche foi tomada pelos turistas. Era o refúgio de Perón, nos seus tempos de glória. Não paramos, decidimos ir direto para Bariloche.
           San Carlos de Bariloche localiza-se na província de Rio Negro, Distrito dos Lagos e é mais ou menos como eu imaginava. A beleza do lago Nahuel Huapi torna a paisagem muito linda. O casario quase todo no estilo alemão, as cores alegres, as ruas bem cuidadas, imprimem um ar festivo à cidade. Chegamos num sábado e a cidade estava tomada de turistas. Fomos para a avenida que margeia o lago e não encontramos hotel: ou não tinham vaga ou eram caríssimos. Resolvemos procurar no centro da cidade e terminamos encontrando lugar no Blue Tree, que fica na rua San Martin, uma das principais artérias da cidade. Achamos caro (300 pesos mais taxas), mas decidimos ficar, cansados que estávamos. O apartamento tinha frigobar, luxo que não dispúnhamos, se não me falha a memória, desde que saímos do Brasil. Aliás, esse foi um ponto que nos chamou atenção. Em nosso país, talvez pelo clima, os hotéis de médio para cima, têm frigobar. Já no Chile e Argentina, só nos de categoria superior. O nosso apartamento era no subsolo e não pegava a internet. Para nos conectarmos, tivemos que ir ao saguão do hotel. Um dos gerentes do hotel é brasileiro, de São Paulo, chama-se Lauro e foi muito simpático. Disse-nos que está na rede hoteleira há dez anos, já tendo passado por Brasília e várias outras cidades.
Na linda Bariloche
               Para variar, encontramos vários brasileiros. Um paranaense, que estava com a família e já havíamos visto na fronteira, estava procurando hotel e terminou indo para o nosso. Também vimos parte dos integrantes de um grupo que saiu de Goiânia. A maioria deles é do Norte, de Manaus. Tavinho havia conversado com um deles, em Goiânia. Os companheiros tinham despachado os jipes até nossa cidade e a caravana saiu de lá. Eles estavam no caminho inverso, partiriam em seguida para o Chile. Estavam loucos para ver neve de perto e pegar no gelo. Falamos para eles de Pucón e do vulcão Villarica, onde subimos e fotografamos bastante gelo. Ficaram empolgados e disseram que iriam passar por lá.
               Tínhamos visto, ao chegar ao hotel, o outro troller verde, que vimos nas ruas de Pucón. Mais uma vez não conseguimos encontrar seus ocupantes. Quando voltamos da rua, eles tinham feito o check out e, mais tarde, vimos novamente o carro sem os ocupantes. A placa é de Curitiba e pensamos que provavelmente estariam fazendo roteiro semelhante ao nosso e talvez mais pra frente poderíamos encontrá-los.
                Logo que chegamos ao hotel, antes mesmo de tomarmos posse do nosso apartamento (ele estava sendo desocupado e preparado pelas camareiras) fomos almoçar num restaurante próximo. Tavinho estava ansioso para comer um bife de chorizo. Comemos bem, só não conseguimos tomar cerveja gelada. Pedimos um balde de gelo, mas não adiantou muito, já que as danadas estavam quentes mesmo. Ao chegarmos ao hotel, Lauro nos serviu uma quase perfeita. Ele se divertiu porque está acostumado com o gosto dos brasileiros. 
                Fomos dormir pensando em descobrir, no dia seguinte, tudo o que havia de melhor em San Carlos de Bariloche, cujo apelido é Brasiloche, porque é o destino principal dos brasileiros na Argentina.

06/01/2008

              No dia seguinte, pegamos nosso carro, com o velocímetro assinalando 22.152 km e fomos explorar a cidade.
          Logo chegamos à conclusão que San Carlos de Bariloche merece a fama que tem. A cidade realmente parece cartão postal. Da avenida principal, que corre acima da Av. 12 de Outubro, que é a que margeia o lago, de todas suas travessas, avista-se o lago Nahuel Huapi, porque todas as ruas transversais são em aclive. O visual é maravilhoso!
             O nosso hotel localiza-se nessa avenida principal, a Jose San Martin. Ao longo da avenida estão instaladas as principais casas de comércio, todas elas voltadas para o atendimento aos turistas. Há uma profusão de lojas de souvenirs e muitas casas de chocolate, que é o ponto alto do comércio local.

Onde compramos souvenirs

          Depois de um agradável café da manhã – bufet com frutas, pães, queijo, suco (finalmente), resolvemos acatar a sugestão do gerente brasileiro do nosso hotel e saímos para conhecer os Cerros (parques) principais da cidade.Pegamos a avenida costeira e fomos primeiro ao Cerro Campanário. O caminho tem paisagens lindíssimas e miradores (mirantes) estratégicos. Num deles, havia várias barraquinhas de ambulantes vendendo souvenirs. Comprei uns imãs de geladeira de uma baiana, que disse-nos estar há treze anos na Argentina. Comprei também um porta moedas. No país dos hermanos e no Chile o uso de moedas é mais disseminado que no Brasil.
              Erramos o caminho e fomos parar no belo hotel Liao Liao, o mais luxuoso da cidade, que oferece até campo de golfe aos privilegiados hóspedes, sem contar a vista maravilhosa das montanhas e do lago. É isso. Bariloche é banhada pelo belíssimo lago Nahuel e cercada de montanhas e bosques. É realmente uma natureza exuberante.

           Subimos pelo teleférico no Cerro Campanário, morro de 1.050 metros. Lá no alto há uma cafeteria, onde, com surpresa, tomamos um bom café, artigo raro na Argentina. A vista é muito linda.

Paisagem linda do Campanário


No teleférico do cerro Otto
               Do Cerro Campanário fomos direto para o majestoso Cerro Catedral, onde, no inverno, estão as mais famosas pistas de esqui de Bariloche. Sobe-se de teleférico, em duas etapas e a altura é muito maior. Lá são 2.000 metros de altitude e a vista é deslumbrante. Vê-se o lago Nahuel, com suas ilhotas, as montanhas com os picos nevados e toda a vegetação maravilhosa da cidade. Passeio imperdível para quem vai a Bariloche.
              Para completar o circuito, fomos em seguida ao Cerro Otto, esse mais próximo da cidade. Pode-se subir de carro, mas preferimos o teleférico que, ao contrário dos outros, é composto de cabines fechadas para quatro pessoas. Subimos com um casal brasileiro, de Natal/RN, que estava em lua de mel. Ele é fotógrafo e tirou fotos nossas, que ficaram boas, naturalmente. Decidi fazer um curso de fotografia quando voltar. Estava cansada de apanhar da câmera. A maioria de nossas fotos ficam boas, por sorte, já que não entendemos nada da regulagem das máquinas. A digital é fácil, mas mesmo assim requer alguns conhecimentos que não temos. Naquele dia, pela manhã, quase compramos outra máquina porque não conseguíamos ver a imagem no visor e pensamos que ela tinha pifado. Só não chegamos a efetuar a compra porque a loja não aceitava cartão e quando conseguimos efetuar o saque, resolvemos passar em outra loja. Lá, por sorte, havia um atendente honesto que deu uma regulada rápida e nos devolveu a máquina em perfeitas condições. Na loja anterior, o rapaz nos tinha dito que não tinha conserto. Como sempre, contamos com a ajudinha providencial do meu anjinho da guarda. Digo sempre que ele é meu porque o Tavinho não comunga muito com as minhas crenças, mas termina se beneficiando delas.

No Cerro Catedral

               No Cerro Otto há um restaurante no mesmo estilo do Giratório, de Santiago. O piso gira enquanto se observa a beleza da paisagem. O sistema é o mesmo, só que a estrutura é um pouco menor e o giro total não deve durar mais que 20 minutos. Linda a vista. Valeu a pena.
               Voltamos ao hotel cansados e felizes. Descansamos, namoramos e saímos para jantar na Taberna Breogan, que fica pertinho do hotel, na mesma Av. San Martin, no número 405. É uma taberna galega (origem espanhola). Comi uma bela truta e Tavinho foi de lomo (filé) com batatas e arroz. Na Argentina, ele não dispensou a carne vermelha, que parece melhor que a nossa e, graças ao câmbio favorável, estava mais barata. Como conseguimos ver praticamente tudo o que havia de melhor na bela Bariloche, decidimos partir no dia seguinte. Faltavam ainda cerca de 2.000 km para chegarmos ao Fim do Mundo.

07/01/2008

                 Não sei dizer se são os dias ou as noites que são maiores naquela região. Mas, eu, particularmente, não conseguia dormir cedo. Assim, na noite do dia 06, quando apaguei a luz, era uma e meia da manhã, ou seja, fui dormir já no dia 07. Em conseqüência, nosso plano de deixar Bariloche às 08 horas sofreu um atraso. Saímos às 10 horas, o que terminou me agradando muito, já que curtimos novamente o belo visual da cidade, com o sol da manhã deixando seus reflexos nas águas do lago Nahuel.
Rio Foyel
                  Pegamos a Ruta 258, que segue margeando o lago por um bom pedaço. Logo que deixamos o Nahuel Huapi para trás, surgiu o lago Mascardi. Mais pra frente, paramos um pouco à margem do Rio Foyel. Água límpida, cheia de pedras, paisagem bonita. Tirei uma foto do Tavinho.
                   Logo em seguida, chegamos a El Bolson, primeira cidade de porte médio do caminho. Paramos em um posto e compramos algumas medias lunas e coca-cola para forrar o estômago. Também abastecemos o jipe.
                  Um pouco mais a frente, a paisagem mudou radicalmente. Chegamos à região dos pampas, imensamente árida, aparência de deserto sem areia, com vegetação seca. As montanhas já não tinham picos nevados. Após Gobernador Costa, onde paramos novamente para abastecer e comer um sanduíche, a paisagem ficou menos seca e passamos a ver gado pastando.
                  No entroncamento seguinte, erramos o caminho e fomos parar numa cidadezinha histórica, Jose de San Martin, que imaginamos ser o berço ou lugar importante na vida do herói argentino. O vento era muito forte na estrada e começamos a temer que ele deslocasse o carro. Vimos que faltavam cerca de 260 km para chegarmos a Sarmiento e de lá mais 150 km até Comodoro Rivadavia, que era nosso objetivo para pernoitar.
                 A paisagem voltou a ficar mais seca e o vento aumentou. A essa altura, faltavam 184 km para Sarmiento e o vento era assustador. Nunca tinha visto antes paisagem tão hostil. Tentei descer do carro, quando Tavinho, que estava dirigindo, parou um pouco para olhar o mapa e, simplesmente, não consegui. Fiquei com medo de não conseguir sustentar a porta do Troller e também de ser levada pelo vento e desisti de sair do carro.
                 Quando estávamos há 120 km de Sarmiento, olhei o relógio e vi que era já 18h50m. Cheguei à conclusão que só iríamos até lá. De tão feia e desértica, a paisagem nos pareceu fascinante, talvez pelo inusitado. A sensação que tínhamos era que a estrada não levava a lugar nenhum, que não havia ser vivo naquelas plagas. Sensação desmentida pelas placas indicativas que, de quando em quando, nos avisavam quanto faltava para chegarmos ao destino.
                 Antes de chegarmos a Sarmiento, apareceu à nossa frente o lago Musters. Avistamo-lo primeiro ao longe, após uma curva da estrada, entre as montanhas. Visão fascinante! Logo, chegamos perto e, mais uma vez, impressionamo-nos com o inusitado da paisagem. A vegetação desértica, constituída de pequenos arbustos secos, entremeados de pedras, chega até as margens do lago. Não há uma só árvore. E o vento, ali na beira do lago, aumentou de intensidade. Tavinho, preocupado com a intensidade do vento, diminuiu a velocidade do Troller. Estávamos na Patagônia, fascinados com aquele mundo agreste e, ao mesmo tempo, com um pouco de medo.
                Chegamos a Sarmiento pouco depois das 20 horas, ainda dia alto. Na entrada da pequena cidade, indicaram-nos um hotel. Havia lugar e instalamo-nos no apartamento que tinha apenas TV a cabo. Nada de internet, mas, por uma noite apenas, não faria falta. Na breve voltinha que demos pela cidade, continuamos impressionados com a constância do vento. É incrível o barulho que ele faz e não consegui imaginar como seria viver num lugar assim. A proprietária do hotelzinho disse-nos que é assim o ano inteiro. Nas ruas, há movimento permanente de folhas voando, poeira levantando e objetos sendo levados pelo vento. Fiquei imaginando o trabalho que deve ser manter uma casa limpa. Tavinho concluiu que não deve existir a profissão de gari naquela região porque seria realmente um trabalho inútil, já que o movimento contínuo do vento desloca tudo do lugar, sem trégua.
                  Escrevendo no quarto do hotel, verifiquei que já eram 23h20m, horário de verão na Argentina e mesmo horário no Brasil. O sol tinha ido embora não fazia muito e, pela janela, vi que o céu ainda estava com as luzes avermelhadas do poente. Terra estranha aquela! Tínhamos rodado, no dia, 755 km e para o dia seguinte planejamos ir até Rio Galegos, mais de 900 km. Àquela altura, sem muita informação sobre o caminho, não tínhamos a menor idéia se conseguiríamos atingir o objetivo.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

De Goiânia ao Fim do Mundo 5

02/01/2008

No centro de Pucón
                  Na manhã seguinte, após nosso café da manhã, quando vi queijo pela vez primeira naquela viagem, acompanhado de pão, leite com nescafé, manteiga e geléia, pegamos nosso jipe, que marcava 21.166 km rodados, e fomos explorar a cidade. Primeiro, uma volta perto do lago que, de fato, é muito lindo. Depois, fomos ao centro, onde estão os restaurantes e a avenida principal. Vimos outro troller igualzinho ao nosso, mas não encontramos os ocupantes. Topamos com uma turma de brasileiros, que estavam em oito pessoas, todos com veículos 4x4, de Joinvile, Santa Catarina. Estavam no caminho inverso, já retornando, iam passar em Santiago e retornar para o Brasil. Um dos casais nos falou que passaram três dias em Porto Varas, que acharam muito linda. Demos-lhes dicas sobre Santiago.
              Cabe, aqui, falar um pouco de Pucón. Trata-se de uma cidadezinha –o guia fala em 25 mil habitantes – fascinante, talvez a mais charmosa da região dos lagos chilenos. Ela atrai turistas do mundo inteiro, por sua versatilidade, uma vez que, além do visual representado pelo formoso lago e pelo vulcão maravilhoso, ainda tem águas termais e é procurada pelos amantes dos esportes radicais, mountain bike, trekking, rafting e, no inverno, esqui e snowboard. Me fez lembrar Gramado e Canela, mas tem mais atrativos.
                Retornamos ao hotel, fechamos a conta (30.000 pesos) e resolvemos seguir em frente, rumo ao vulcão Villarrica.
No meio da subida do Villarrica
Chegamos ao gelo do vulcão
                Fantástico! No início da subida, quando paramos o jipe a primeira vez, encontramos dois casais brasileiros, que havíamos visto em Mendoza. Acabamos subindo juntos. Eles são de Brusque/SC e um deles é dono de uma fábrica de cerveja artesanal. Na subida inicial, descobrimos que estávamos na pista errada e voltamos para subir pelo caminho dos alpinistas. Caramba! A gente sobe até bem alto e alcança os blocos de gelo, nas encostas do vulcão. Quando os enxergamos à distância, nem imaginamos que é possível alcançá-los de carro. Muito lindo e emocionante!  Tiramos muitas fotos no gelo e eu peguei duas pedras do vulcão para lembrança. É incrível, a gente vê o gelo derretendo e escorrendo devagarzinho. Vimos muitos alpinistas subindo e descendo do pico, mas turistas comuns não têm como passar do ponto em que chegamos. Há lá uma estação de teleférico, mas não estava funcionando. Deve abrir somente na temporada de inverno. O tempo estava meio fechado, mas mesmo assim deu pra tirar boas fotos.
                      Descemos, abandonando os companheiros de Brusque. Eles vão para Valdívia, nós decidimos ir direto para Puerto Varas e, de lá, o nosso pensamento era  irmos a Bariloche, de barco e ônibus, deixando o jipe guardado. Os planos foram mudados, conforme contarei depois. Paramos em Villarrica para comermos uns salgados numa padaria da Av. Pedro de Valdivia e pegamos a Panamericana. Naquele dia, paramos apenas para lanches rápidos e para abastecer nos postos da Rede Pronto/Copec, dos quais ficamos fregueses. Muito bons!
                 Os dias na região dos lagos andinos são longos. Rodando pela estrada, com Tavinho na direção, observei que, apesar de ser 20 horas, o sol ainda estava alto. Resolvi prestar atenção para marcar a hora do poente. Chegamos a Puerto Varas por volta de 21 horas e ainda era dia. Terminei me esquecendo de marcar a chegada da noite, mas não tardou muito, deve ter ocorrido mais ou menos, às 22 horas.
                  Instalamo-nos no hotel Licarayen, uma charmosa construção de estilo alemão, que fica num local estratégico, numa das curvas da Avenida que margeia o lago Lianquihue. A cidade é bem agradável, com casas de madeira, inspiração da colonização alemã. É a porta de entrada para o Parque Nacional Vicente Peres Rosales, cujas atrações principais são o famoso Lago Todos Los Santos e o Osorno, o vulcão que é um dos mais tradicionais cartões postais do Chile. Nosso apartamento no hotel tinha vista parcial para o lago e a diária era 104 dólares. No Chile, é comum o preço na moeda americana, principalmente nos hotéis medianos e de luxo.
             Jantamos no restaurante Da Alessandro, que se localiza na avenida que passa defronte ao lago. Percorremos a cidade, que o guia informa ter 33.000 habitantes, informação que imaginei estar incorreta, já que pareceu-me maior. Havia muitos restaurantes abertos, tanto na margem do lago, quanto no centro da cidade, que fica numa parte mais alta, mas chegamos à conclusão que fizemos a escolha correta. Comi um belo salmão e Tavinho novamente optou por massa, o tradicional gnocci. Pagamos 24.200 pesos pelo jantar. A idéia para o dia seguinte era explorar a cidade e decidir se faríamos o passeio para Bariloche. O custo do mesmo, só a ida, é 170 dólares por pessoa.

03/01/2008

                   Após o café da manhã, que tinha pãezinhos e o kuchen, uma iguaria tradicional da região, de origem alemã, que é uma espécie de mistura de bolo com rosca, recheado com frutas, muito gostoso, saímos para dar um volta pela cidade. O nosso carro marcava 21.601 km rodados. Descobrimos que a viagem para Bariloche de barco estava lotada até nem me lembro quando. Então resolvemos ir até o Lago de Todos Los Santos e ver os saltos do Rio Petrohue.
O fantástico Rio Petrohue
Passamos primeiro nos Saltos. Paga-se 1.200 pesos por adulto para ver os saltos e vale muito a pena. O rio tem uma cor fantástica, vários tons de verde e tem várias cascatas. Muito bonito! Tiramos belas fotos.
Fomos em seguida para o parque, onde está o lago. Lá decidimos pegar um barco de excursão para Peulla. São quase duas horas de navegação. O visual, na viagem, é maravilhoso. Vê-se o Osorno, com toda a sua imponência, bem de perto, e também outros vulcões como o Calbuco e o Puntiagudo, todos com picos nevados. Passamos por uma ilha particular chamada Margarita, que é de propriedade dos donos da agência de turismo local, que tem monopólio sobre o turismo na região.
Em Peulla, não há nada a fazer, a não ser contemplar os vulcões. Trata-se de um lugarejo minúsculo, onde, para surpresa nossa, tem um grande hotel e havia muitos hóspedes lá. Tavinho encontrou uns brasileiros que estavam numa excursão da agência CVC, em dois ônibus. Iam dormir lá para seguir no dia seguinte para Bariloche, na viagem de barco que tínhamos planejado fazer, mas que não havia lugar. As agências compram os pacotes e não sobram vagas para os particulares.
A permanência do barco na cidade é de pouco mais de uma hora e meia. Pode-se usar o tempo fazendo o que eles chamam de safári fotográfico – entrar num barco especial, que chega bem pertinho dos vulcões e dos locais mais bonitos para fotografar. Dispensamos. Preferimos usar o tempo caminhando até o centro da cidadezinha, onde descobrimos o hotel, tomamos um café e pudemos usar os banheiros.
O rio Petrohue, com o Osorno ao fundo
                Antes, no porto onde tomamos o barco, também havia um hotel. Aproveitamos para almoçar no restaurante do mesmo, já que tínhamos de esperar até as 15 horas para a partida do barco. Passava das 13 horas quando, para variar, comemos salmão acompanhado de suco de laranja. O almoço custou 23.000 pesos.
                A ida a Peulla valeu pela paisagem que apreciamos do barco. A cidadezinha, conforme mencionei antes, além de não ter nenhum atrativo, tirando a visão do lago e dos vulcões, ainda tem uns habitantes bem desagradáveis: moscas grandes, que mais parecem abelhas e que ficam revoando em volta das pessoas. Não dão sossego. Quanto mais você as expulsa, mais elas se agitam. O nome da mosca, segundo nos informaram é tábano. Uma cearense que estava no passeio disse que vai batizar com esse nome todas as pessoas chatas que cruzarem o seu caminho.
No barco, a caminho de Peulla
           Conhecemos uma espanhola chamada Maria, que estava só e viajava com uma malinha e duas sacolas. Ela nos pediu carona para voltar a Puerto Varas e, no caminho, conversamos muito. Lembrei-me da minha amiga Tê, que consegue viajar sempre com pouca coisa, mas a tal Maria é mais mochileira. Pelo que contou, já percorreu meio mundo, sempre gastando o menos possível. Ficou horrorizada com o preço do nosso hotel e disse que ia procurar um alternativa mais barata. Nós a deixamos na cidade, na porta de um pequeno hotel. Ela tinha chegado pela manhã a Puerto Varas e ido direto ao passeio, naturalmente para economizar uma diária. Se despediu agradecendo efusivamente pela carona. Voltamos ao nosso hotel e fomos dormir sem resolver nosso destino do dia seguinte.

04/01/2008

                   Estranhamente, acordamos mais tarde do que o costume, na manhã de quatro de janeiro.
                   Pegamos o jipe, que estava com 21.733 km e decidimos ir até Puerto Montt. Fica bem perto de Puerto Varas, só 16 km e é uma cidade maior, embora não tenha o charme da bela vizinha. Resolvemos dar umas voltas pela cidade, indecisos se pegávamos uma balsa para conhecer a ISLA DE CHILOE ou se tomávamos o rumo da Carretera Austral, que fazia parte dos sonhos do Tavinho. Trata-se de um caminho radical, estrada de rípio, que, segundo consta nos manuais de viagem, tem um visual maravilhoso, belíssimas paisagens. Eu disse a meu companheiro que topava a aventura, porque sabia que ele queria muito enfrentar esse caminho cheio de surpresas, mas, no fundo, estava com um pouco de medo. A maioria dos aventureiros que pegam a famosa Carretera o fazem em grupo, mas nós estávamos sós e não tínhamos experiência suficiente para esse tipo de aventura. Tavinho é bom motorista e eu também não faço feio, mas não entendemos nada de mecânica. Se a máquina pifasse, o que faríamos? Será que conseguiríamos ajuda? E os outros perigos?
               Por fim, prevaleceu o bom senso. Decidimos esquecer a Carretera Austral e descer pela Argentina. Com a ajuda dos nossos mapas e consultando também as anotações que retiramos de um livro escrito por um fotógrafo de Florianópolis, que fez, com a família, viagem semelhante à nossa, narrando a aventura em “Aventura no Fim do Mundo”, Tavinho montou nosso roteiro para os próximos dias. Esse livro nos foi emprestado por um casal de Goiânia, José de Deus e Elisa, que saíram da cidade depois de nós, no dia 26 dezembro para também ir à Patagônia. Pretendíamos nos encontrar pelo caminho. Só que, infelizmente, eles só foram até Mendoza. Estavam em quatro no Troller, o casal e as duas filhas, mas a viagem ficou desconfortável. Para uma viagem longa, não é o carro ideal para transportar quatro pessoas. Daí, passaram o Ano Novo em Mendoza e voltaram para Goiânia. Pena!
Curtindo o Pacífico
                Decidido o roteiro, resolvemos curtir a cidade. Na parte da manhã, logo que chegamos a Puerto Montt, tínhamos ido ao Serviço de Orientação ao Turista, onde um jovem nos forneceu mapas e informações da cidade. Queríamos botar o pé na água do Pacífico, que víamos pela vez primeira, mas no centro da cidade não tem praia, porque as margens do Golfo, que banha a cidade, são cobertas de pedras. Mas, descobrimos que havia uma praia logo à frente, seguindo a Av. Costanera e rumamos para lá. Tirei os sapatos e mergulhei os pés finalmente nas águas do Pacífico, fazendo a minha saudação costumeira à Yemanjá e aos meus protetores. Salve! Valeu pelo ritual porque a prainha não tinha qualquer atrativo, até me esqueci de anotar o nome do lugar.
                  Voltamos ao centro nevrálgico de Puerto Montt em busca do Mercado, onde o rapaz do serviço turístico disse que poderíamos almoçar pescados. De fato, o Mercado é uma preciosidade, para usar a expressão mais comum da espanhola Maria, nossa caroneira do dia anterior. Além das barracas normais de todos os mercados, há um sem número de pequenos restaurantes, alinhados uns ao lado dos outros, em dois andares do prédio, bem característico, todo de madeira. Os garçons ou proprietários ficam convidando os passantes a entrarem, fazendo propaganda da comida. Puerto Montt é a capital do salmão, segundo lemos nos folhetos turísticos. Foi difícil escolher o restaurante, dada a diversidade de opções. Entramos no da Rosita e, claro, pedimos salmão. A última vez que tinha comido carne vermelha foi no Restaurante Patagônia, em Santiago. No dia 31 de dezembro, o prato foi a Centolla, o caranguejo da região e, a partir de primeiro de Janeiro, só comi salmão. Delícia! E o melhor da história é que, conforme nos havia dito o garçom em Santiago, quanto mais a gente desce, menos ele custa. Lá na Rosita pagamos 10.600 pesos pelo almoço, aí incluída uma porção extra de arroz que pedimos, mais refrigerantes e água. Claro que se trata de um restaurante popular, mas a comida é de primeiríssima qualidade e feita na nossa frente. Dez mil e seiscentos pesos representam menos de cinqüenta reais.
              Instalamo-nos no hotel Miramar, bem simplezinho. Não tinha estacionamento e tivemos que colocar o Troller no posto Esso, que fica em frente. A grande vantagem do hotelzinho é a localização, defronte à costa, pelo que tínhamos uma vista bem agradável da janela. A diária foi de 25.000 pesos, valor que pagamos adiantado para sair bem cedo rumo à Bariloche.
              Tínhamos mandado lavar nossas roupas sujas, por precaução, porque pensávamos que iríamos pela Carretera. Numa lavanderia situada na galeria Espanha pagamos 8.000 pesos por oito quilos de roupa. Foi ótimo! Ainda tínhamos bastante roupa sem usar, mas com essa providência nos despreocupamos, embora, pelos nossos cálculos iniciais ainda tínhamos quase um mês de viagem pela frente.