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sexta-feira, 29 de julho de 2011

De Goiânia ao Fim do Mundo 13

20/01/2008

                Naquele domingo, em Buenos Aires, programamos três passeios: de manhã, passear pelo charmoso bairro Caminito, à tarde, visitar o MALBA - Museu de Arte Latino Americana e, por fim, ir a um show de tango, à noite.
                  Fomos ao Caminito de táxi. Adoro aquelas casinhas coloridas e o ar festivo das ruas coalhadas de turistas de todas as nacionalidades e, principalmente, brasileiros porque "o câmbio les favorece", conforme a cândida explicação do taxista, ao nosso comentário sobre a surpreendente presença de brasileiros em toda a Argentina.
CAMINITO, Pena que todas as fotos ficaram desfocadas
  Demosuma volta pelos locais principais, comprei dois calendários e algumas lembrancinhas e sentamos em um bar. Tomei dois chopes enquanto ouvia o tango cantado pelos artistas de rua e apreciava o vaivém dos turistas. Tavinho não estava em sintonia comigo. Aborrece-o os lugares que ele considera "templos de consumo". Assim, demorei menos no bairro do que gostaria. Por mim, teria ficado lá mais tempo, percorrendo devagar as lojinhas, jogando conversa fora com as hermanas e assistindo os artistas de rua dançarem e cantarem. Me conformei porque já tinha feito isto em 2004, mas mesmo assim, ainda pretendo voltar lá outras vezes. É muito interessante!
         De lá, pegamos outro táxi para ir conhecer o MALBA. Nosso principal objetivo era ver de perto as obras dos brasileiros, principalmente os quadros de Tarsila do Amaral.
     Mas, ficamos frustrados porque após percorrermos todo o Museu e não encontrarmos o que procurávamos, resolvemos perguntar e descobrimos que as obras de Tarsila e dos outros estavam "em San Pablo", conforme nos informou a atendente. Tinham sido emprestadas para a Pinacoteca e só retornariam a Buenos Aires em março.
        Fiquei revoltada porque era a segunda vez que eu ia ao MALBA e não conseguia ver o Abaporu. Da primeira vez, em agosto de 2004, o museu estava fechado para reformas. E naquele momento, as obras tinham feito o caminho inverso e estavam logo em São Paulo, onde vou quase todos os meses visitar Gustavo e Tarsila. Me restou o consolo que passaríamos em Sampa, logo mais, no retorno e uma das primeiras coisas que eu faria seria a visita à Pinacoteca.
A Casa Rosada
        À tarde saímos para passear perto do hotel. Fomos à Plaza de Mayo, que fica bem próxima e ver de perto a Casa Rosada. Tiramos várias fotos, mas nenhuma ficou boa. Não sei o que aconteceu com a Câmera, talvez  mexemos em algum botão indevido. O fato é que todas as fotos em Buenos Aires não prestaram. 
Para a noite, contratamos no hotel um show de tango, na casa "La Ventana". É show pra turista, mas pra quem nunca foi, é interessante. Cumprimos o ritual dos turistas típicos, tirando fotos na entrada com os dançarinos profissionais, fingindo que estávamos dançando. Coisa mais ridícula! Da primeira vez que vim a Buenos Aires, tivemos mais tempo e fomos conhecer as casas tradicionais, frequentadas pelos argentinos. Muito melhor!
O inusitado da noite foi o nosso (quase)  reencontro com a brasileira que havíamos visto jantando com o filho lá na Patagônia. Enquanto tirávamos as fotos, a vimos discutindo com o mestre de cerimônias do local. Estava exigindo um lugar melhor, perto do palco, uma vez que gostava de dançar e queria ficar perto dos músicos. Acontece que as mesas para duas pessoas, como era o caso dela e o nosso são nas laterais. A casa estava lotada e não havia como satisfazer a vontade dela, tentou explicar o argentino. Mas, ela ameaçou se retirar e, para surpresa nossa, o cara disse a ela que seria um favor que ela faria. A essas alturas, tínhamos nos encolhido em um canto para evitar o constrangimento do encontro. E ela teve que ir embora mesmo, não teve jeitinho nenhum.
Salud!
         A noite não terminou com o astral que iniciou. Eu estava alegre, tomando vinho e me divertindo com o show, mas terminei me aborrecendo com o Tavinho por uma bobagem qualquer. Acho que a minha alegria o incomodou, ele não curte tomar vinho, prefere cerveja e talvez por isso, por não estar como gostaria, resolveu chamar minha  atenção, alegando que eu estaria atrapalhando a pessoa que estava atrás (que não reclamou nada). Pronto. Fim de festa. Detesto policiamento. Passamos o resto da noite sem nos falarmos. Lamentável!

21/01/2008

              Último dia em Buenos Aires.
            De manhã, fomos levar o jipe para lavar e depois fui sozinha fazer umas compras. Queria comprar uma roupa e um tênis pra mim, mas não estava com disposição e não encontrei nada que me agradasse. Comprei camisetas para presentear e lingerie para a Priscila.
Em Palermo, no restaurante.
              Fomos ao lindo bairro de Palermo para almoçar. Tínhamos a indicação de um restaurante, mas não o encontramos. Deve ter fechado. Seguimos a orientação do motorista de táxi, que nos recomendou o Meridiano 58o, na Calle J. L. Borges, 1689, Palermo Soho.
Excelente comida, um pouquinho cara, mas muito bem feita. Ah, e conseguimos tomar cerveza bien helada.
À tarde, voltamos à Florida e Tavinho comprou umas camisetas e mais caixas de seu remédio, que não tem no Brasil. Aproveitei e fui à loja Havana comprar alfajores para levar pra Sonia e Gustavo.
Resolvemos não sair mais.  Decidimos partir cedo, no dia seguinte, de balsa, para Montevidéu e de lá para o Brasil. Se tudo corresse bem, sem demora na alfândega, a próxima noite já dormiríamos no Brasil.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

De Goiânia ao Fim do Mundo 12

18/01/2008

             Saímos de San Lorenzo às 07h56m. Olhando a quilometragem do Troller, que marcava 28.635, fiz as contas e descobri que já tínhamos rodado, desde Goiânia, 12.747 km.
            Paramos em Rio Colorado para nosso café da manhã em um pequeno restaurante, ao lado de um posto de gasolina, na beira da estrada. Comemos as tradicionais medias lunas e tomamos café com leite. Também tomei um iogurte, que havia comprado no posto. Pagamos pelo desjejum 14,50 pesos.
          A paisagem de deserto que vimos nos últimos dias começou a mudar. Já víamos uma vegetação maior, mais verde. Logo passamos por uma placa, onde descobrimos que estávamos entrando na província de Buenos Aires. Ô lá lá...Eram 10h15m e fiquei imaginando a que horas chegaríamos à bela capital.
            Às 11 horas entramos na cidade de Bahia Blanca e paramos para tentar resolver o problema do cartão. Encontramos um locutório (não me lembro se já mencionei que se trata de uma espécie de lan house, misturada com posto telefônico), liguei para a casa de Câmbio, em Goiânia, e eles me forneceram o número do Visa. Serviço eficiente, embora um pouco demorado. A atendente suspendeu o cartão e remeteu o saldo do mesmo para Buenos Aires, fornecendo-me um número para eu resgatar a importância em um dos pontos de câmbio relacionados. Resolvido o problema, fomos a uma casa de Câmbio para trocar alguns euros .
                Feito o saque, entramos em um restaurante, onde tinha serviço de bufê. Tavinho reclamou porque não tinha arroz. Comemos rápido e quando o garçom veio perguntar-nos se já podia trazer a carne, já tínhamos terminado. Não prestamos atenção no costume local: o self service por aquelas bandas é diferente: a carne e a sobremesa não ficam à disposição: você tem que pedir antes, se não corre o risco de comer sem o principal prato, como aconteceu conosco. No bufê, havia almôndegas, que pra mim foi suficiente, mas Tavinho ficou irritado. Achei bom porque não gosto de pegar a estrada com o estômago pesado. Tínhamos 667 km até Buenos Aires e não sabíamos se conseguiríamos chegar, porque passava das 14 horas.
                Estávamos ansiosos para cumprir aquela etapa e só fizemos rápidas paradas na estrada.
                Conseguimos chegar a Buenos Aires as 23 horas. Pegamos trânsito pesado e a pista só fica dupla quando faltam menos de 100 km para a chegada à capital.
                Na chegada, tivemos dificuldades porque tínhamos a intenção de chegar ao centro e procurar um táxi para nos levar ao Hotel Concorde, que havíamos contatado em uma das paradas. Deu tudo errado: não conseguimos o táxi e, orientados por um guarda, pegamos uma autopista e erramos o local de saída. Como resultado, pagamos pedágios a mais e só conseguimos retornar depois de rodarmos vários quilômetros indevidamente. Aí, finalmente, conseguimos o táxi, que nos levou rapidamente ao hotel. Aliás, na parada na Ruta 3, onde resolvemos reservar hotel para não ter surpresas, tivemos que ligar para diversos. A maioria estava lotada. Por fim, conseguimos a reserva no Concorde, que tem uma localização maravilhosa e, por coincidência, é o mesmo hotel que eu fiquei com minhas amigas, em 2004, quando vim conhecer Buenos Aires, na comemoração do meu aniversário.
                 O hotel é antigo, padrão três estrelas, tem TV a cabo, internet no quarto. Como os demais desse padrão, na Argentina, não tem frigobar e o colchão deixa a desejar. Mas, o local é ótimo, o que compensa os defeitos.

19/01/2008

            Depois da canseira dos últimos dias, resolvemos que o nosso primeiro dia em Buenos Aires seria bem light.
               E foi...pela manhã passeamos pelas redondezas. O hotel fica a três quadras da Calle Florida, o templo do consumo.
              Inicialmente, fomos sacar o dinheiro relativo ao cartão extraviado. Conseguimos fazê-lo numa casa da própria Wester Union, a cia. que foi utilizada pela representante do Visa para a remessa da importância.
Puerto Madero
               Feito isso, resolvi ir a um salão de beleza porque o meu cabelo e as minhas unhas estavam pedindo socorro, depois de quase um mês sem qualquer trato. Indicaram-me um excelente, na Galeria Pacífico. O serviço ficou ótimo, mas o preço foi um absurdo. Pelo menos foi o que eu achei na época. A gente fica mal acostumada lá na Argentina, devido aos preços baixos, mas analisando depois com calma, cheguei à conclusão que o preço foi mais ou menos o que eu pagaria no Brasil, em um salão médio, em São Paulo ou no Rio. Paguei 413 pesos, incluídos um shampoo e um condicionador, que comprei. Isso, na época equivalia a um pouco menos de 200 reais, se não me engano. Hoje deve ser em torno de 155 reais porque o  câmbio melhorou ainda mais, a nosso favor. De qualquer forma, o brasileiro, na Argentina, deve ficar atento. Se os artigos, no comércio, estão sensivelmente mais baratos, na questão dos serviços, eles aproveitam para tirar a diferença, quando percebem que lidam com brasileiros. Achei caro naquele momento, mas me desculpei porque depois de toda aquela jornada, era o mínimo que eu merecia.
No Las Lilas.  O mais bonito ficou nítido
               Descemos à pé para Puerto Madero, onde escolhemos os restaurante Las Lilas, que eu já conhecia da vez anterior, para bebermos cerveja e almoçar. Ótima pedida! Comemos uma carne excelente. Pagamos 241 pesos, incluído o serviço. Mesma coisa...na hora, achei caro; afinal, pelas andanças pelo interior do país, estávamos mal acostumados. Mas, fazendo o câmbio e considerando o nível do restaurante e a comida, foi até barato.
Puerto Madeiro é o exemplo vivo de como o poder público , com investimentos eficientes, pode reverter uma situação de abandono e penúria, transformando-a num projeto vitorioso de recuperação de um local que estava semi-abandonado, caindo aos pedaços.
Dizem as informações disponíveis que as obras idealizadas por Eduardo Madero, finalizadas em 1897, para permitir a entrada de grandes navios em Buenos Aires, não deram resultado e as docas ficaram por anos a fio sem utilidade. Somente na década de 1990, o governo argentino fez o projeto de recuperação, que transformou o local em cartão de visita da cidade. Há, nos quatro diques, todo o tipo de estabelecimentos, inclusive a Universidade Católica Argentina. Há lojas, hotéis e muitos restaurantes, que estão entre os melhores e mais caros da capital. E o visual do passeio em que ficam a maior parte dos bares e restaurantes é muito bonito, com o porto repleto de embarcações de todas as cores e tamanhos. Em um dos extremos fica um cassino que, segundo nos informaram, é explorado pelo governo, que limita as apostas, para que o local seja fundamentalmente de diversão. Programamos ir conferir, mas depois terminamos desistindo.
                 Após retornarmos do restaurante, à pé, curtindo a cidade, decidimos não fazer nada, ficar no hotel "morgando", como diz o Tavinho. Àquelas alturas, estávamos nos sentindo cansados da maratona, já com uma vontade de chegar em casa. Talvez porque já tínhamos visto tudo o que de melhor havíamos planejado. Eu já conhecia Buenos Aires, mas queria ir com Otávio nas atrações principais.



quinta-feira, 14 de julho de 2011

De Goiânia ao Fim do Mundo 11

16/01/2008

               Acordamos no carro às 03 horas da madrugada e resolvemos rodar mais um pouco. Estávamos com frio e mal dispostos, com o desconforto do descanso. Penso que só conseguimos dormir algumas horinhas devido ao cansaço. Vi que o velocímetro do Troller marcava 26.991 km, sinal que tínhamos rodado 841 km no dia anterior, número significativo considerando que passamos várias horas na visita ao belíssimo Perito Moreno.
             Abastecemos e Tavinho dirigiu mais 150 km, quando descobrimos que necessitávamos de descansar mais. Então, paramos em outro posto e dormimos mais um  pouquinho.
           Às 07h17m, depois de tomarmos um café, pegamos novamente a estrada, que estava em obras, o que nos obrigou a passar por um desvio, no rípio e depois enfrentar alguns trechos de estrada irregular. Verificamos que lá na Argentina há maior preocupação com a conservação das rodovias. Eles têm poucas estradas de pista dupla, mas as Rutas estavam todas em bom estado ou com obras em andamento. Muito difícil ver um buraco. Ponto para os argentinos!
Imagem linda do Glaciar Perito Moreno
           Passamos por Caleta Olivia e vimos o mar. Verifiquei no mapa que estávamos diante do Golfo San Jorge e viajaríamos ao lado dele até pouco depois de Comodoro Rivadavia, quando a Ruta 3 se distancia da costa. Peguei o volante e dirigi até lá. Era 11 horas da manhã e lembramos que tínhamos que trocar o óleo do carro. Havíamos levado o óleo, com receio de não encontrá-lo por lá, mas a dificuldade foi encontrar um lugar para fazer a substituição. No posto YPF, que abastecemos, eles não faziam, fomos a uma concessionária Ford e também não conseguimos. Indicaram-nos um posto Esso, mas tinha três carros na frente e não quisemos esperar. Se soubéssemos o que nos esperava, teríamos esperado.  Terminamos recorrendo a uma oficina prestadora de serviços, representante da Bosch, onde o mecânico, após verificar que o motor do nosso carro era igual ao da Ranger, se dispôs a fazer a troca do óleo e dos filtros. Cometemos um grande erro ao não combinar o preço do serviço antes. Após perdermos quase três horas na oficina porque o mecânico bateu a porta do Jipe, com a chave dentro e levou um tempão para conseguir abri-la, ainda nos cobraram a exorbitância de 338 pesos. Um verdadeiro assalto, uma vez que era apenas a mão de obra, tínhamos o óleo e os filtros. Não discutimos porque erramos em não perguntar o preço antes. Como no Brasil, a troca de óleo é grátis quando fazemos a compra no posto, imaginamos que o serviço seria barato. Serviu de lição...mais uma.
            Saímos da oficina e, para não perder mais tempo, optamos por ir  a um posto comer sanduíches. Era o dia dos atrasos. A atendente estava sozinha, tinha que preparar os lanches e ainda atender o balcão. Resultado: nossos sanduíches demoraram uma meia hora para ficar prontos. Com tudo isso, só conseguimos pegar a Ruta quase três horas da tarde, mas rodamos bem e chegamos a Puerto Madryn pouco antes das vinte horas. Não conseguimos vaga no hotel que tínhamos escolhido pelo guia, fomos ao Serviço de Informação Turística, onde ficamos sabendo que só havia vagas nos dois hotéis maiores da cidade. Com medo de ter que dormirmos no carro novamente, fomos direto para o primeiro deles, que é o melhor da cidade, o Villa Piren, diária de 380 pesos.
               O nosso apartamento tinha uma banheiro bem confortável, TV a cabo, cama grande, mas o colchão era mole, o que judiou da minha coluna. Tomamos um bom banho, refizemos nossas energias e fomos à rua dar uma olhada nas vitrines. Na lojinha anexa ao hotel comprei lembranças para familiares.
                Puerto Madryn fica na província de Chubut, a 1.310 km de Buenos Aires. É uma cidade tranquila e agradável, que serve de base para os visitantes conhecerem a Península Valdez e outras reservas ecológicas que ficam próximas, como Punta Tombo.Lamentei ter me esquecido de tirar fotos na cidade.
              Jantamos em um restaurante próximo ao hotel, onde comemos salmão e tomamos um vinho patagônico. Acatamos a sugestão do garçom. O vinho era bom, mas suave. Arrependi de não ter pedido um branco seco. O jantar custou 190 pesos. O dia custou caro. Meu companheiro começou a ficar preocupado, achando que estávamos gastando muito e que nosso dinheiro terminaria antes do fim do itinerário, mas, pelo meus cálculos, ainda tínhamos o suficiente para cumprirmos o roteiro programado. Em último caso, usaríamos o cartão de crédito.

17/01/2008

                Acordei cedo com dor na coluna. Fiz uns exercícios de alongamento e após o café da manhã, tomei um anti-inflamatório e um analgésico e a dor logo passou. O desayuno  foi melhorzinho que os anteriores, mas de fruta só havia banana e maçã.
                    Fechamos a conta do hotel e fomos para a Península Valdés.  De Puerto Madryn até Puerto Piramide, a localidade que é o ponto de partida para visitar o santuário - a Península Valdés é Patrimônio Natural da Humanidade, reconhecida pela UNESCO em 1999 - são 100 km de asfalto.
Península Valdés e lobos marinhos
                     A Península é ligada ao continente por uma faixa de terra, o Istmo Carlos Ameghino. No meio do caminho para Puerto Piramides há um posto de acesso com uma guarita. Lá compramos os ingressos para a visitação: 40 pesos cada um.
                    Logo após há o que eles chamam de Centro de Interpretação, onde existe um museu, que conta a história da região.
                 De Puerto Piramides, pegamos a estrada de rípio que contorna toda a península. Até a primeira parada, são 71 km. Lá é Punta Norte, onde está a maior parte dos lobos marinhos que vivem na península. Há uma cerca que veda o acesso até a praia,onde eles ficam enfileirados. São centenas deles, de todos os tamanhos. Para quem nunca tinha visto um lobo marinho, é um espetáculo interessante. O local é também habitado por gaivotas, que ficam voando pela praia.
Amei assistir a alegria dos pinguins
                   Tiramos várias fotos e voltamos à estrada seguindo até o local chamado Caleta Valdés, que é o habitat preferido dos pinguins. Finalmente, pude vê-los. Novamente, havia uma cerca proibindo o acesso à praia, mas, colado à cerca há, no barranco, vários buracos que acreditamos ser ninhos dos pinguins porque vários deles, pequeninos, ficam ali, entrando e saindo das pequenas cavernas. Assim, pudemos vê-los de perto.
Abaixo, na praia, eles ficam se exibindo. Entram na água, nadam em velocidade e depois saem e batem as asas, graciosamente, sacudindo a água. Uma gracinha! Adorei ver os pinguins e lamentei que tivéssemos passado direto por Punta Tombo, que fica  170 km antes de Puerto Madryn. Lá tem uma área natural protegida onde se pode aproximar dos pinguins. Fica a dica a quem interessar.
Pouco a frente, paramos novamente e vimos elefantes marinhos, ao longe, na praia. Nesse local, há um restaurante, uma lojinha e um observatório. Demos uma olhada na comida que estava no bufet, mas não animamos. Compramos refrigerantes e uma cerveja e seguimos caminho. No carro, dividimos um sanduíche que havíamos comprado no dia anterior, pensando em compensar a escassez do almoço com um belo jantar.
A cerca é necessária para preservar o patrimônio natural
                    Completamos o percurso da Península indo até Punta Delgada, onde há um farol. O detalhe engraçado da história foi que antes de chegarmos a tal Punta Delgada cruzamos com um carro com argentinos e Tavinho perguntou se havia alguma coisa interessante pra frente.  A estradinha estava ruim e queríamos saber se compensava seguir. O argentino disse para irmos, que era só um km a mais, mas o garoto, que estava sentado atrás no carro, balançou a cabeça e falou "negacito". Fomos até o final da estradinha e descobrimos que a criança estava certa. Não havia nada de interessante por lá, apenas o farol ao longe.
             De junho a meados de dezembro, é a época de se avistar as baleias na Península Valdés, já que elas se aproximam da costa para acasalar. São a grande vedete da região. Como estávamos em janeiro, havia pouco movimento de turistas por lá.
              Voltamos à estrada principal e completamos a volta à península, chegando outra vez a Puerto Piramides, onde abastecemos o carro. Decidimos voltar à Ruta 3 e prosseguir viagem. Ainda tínhamos algumas horas de luz do sol e resolvemos rodar mais um pouco pra ver se conseguiríamos no dia seguinte fazer o restante do trajeto até Buenos Aires. Adeus Patagônia Atlântica!
           Chegamos a San Antonio Oeste e decidimos parar para dormir. Surpresa: novamente não encontramos vaga em hotel. Comemos sanduíche, bebemos refrigerante e seguimos viagem. Na saída da cidade, cometemos um equívoco. Em vez de continuarmos na Ruta 3, pegamos a Ruta 251. Quando descobrimos o erro, verificamos no mapa que ambas passavam por Baia Blanca, nosso próximo objetivo, antes de Buenos Aires. Aliás, o erro terminou sendo favorável porque pela 251 o caminho é um pouco mais curto.
                     Cerca de 100 km depois, chegamos a uma cidadezinha - San Lorenzo e encontramos um hotelzinho, no posto, à beira da estrada, que tinha vaga.Nem titubeamos. Ficamos com o apartamento, que tinha uma cama razoável e um banheiro rústico, mas tudo muito limpo. Pagamos 75 pesos, o que compensou a exorbitância do dia anterior.
                   Instalamo-nos e fomos em busca de um caixa eletrônico e um restaurante. Na porta do banco, descobri que havia perdido o nosso cartão de saque. Imaginei que o tinha esquecido no dia anterior, no hotel, ao pagar a conta. Fomos a uma lan house e verificamos que não haviam saques extras no cartão, o que nos tranquilizou. Menos mal. No dia seguinte, contataríamos a casa de câmbio que emitiu o cartão e eles resolveriam o problema.
                     Fomos ao único restaurante que encontramos na cidade e comemos uma pizza. Voltamos ao hotel, tomamos um banho e nos rendemos ao cansaço, adormecendo imediatamente. Pra mim, só houve tempo de pensar que chegaria, no dia seguinte, à capital da Argentina, que eu conhecera em 2004, em um passeio que fiz com três amigas para comemorar meu aniversário. E ao lembrar disso, me veio a lembrança do niver da mana Regina, que era naquele dia. Comecei a fazer uma oração por ela, mas não me lembro se consegui terminar.


sexta-feira, 24 de junho de 2011

De Goiânia ao Fim do Mundo 10

15/01/2008

                  Saímos de El Calafate, por volta de 09h30m. O velocímetro do jipe marcava 26.150 km, ao deixarmos o hotel em direção ao Perito Moreno. São 50 km na estrada para chegar ao parque e depois mais 28 km até o acesso.

Glaciar Perito Moreno
 Compramos ingressos para o passeio de barco: 35 pesos para cada um. Para entrar no parque, já tínhamos pago 80 pesos, 40 para cada. Para ver o Perito Moreno inicialmente pega-se o mesmo caminho que fizemos no dia anterior para Punta Banderas, mas depois a estrada se bifurca.
O glaciar Perito Moreno, que tem esse nome em homenagem a Francisco Moreno, explorador pioneiro da Patagônia, que era perito do governo argentino, estende-se por uma superfície de 250 km quadrados, desde sua zona de formação, no Campo de Hielo Sur até o Lago Argentino. São 5 km de paredão sobre o Brazo Rico do Lago Argentino, formando um dique natural, que fascina os turistas. Por causa do aquecimento global, o glaciar avança 2 metros por ano, estando, portanto, diminuindo devagarzinho.
No barco, defronte o belo Perito Moreno
 Nos pontos mais altos, chega a 80 m de altura. No passeio de barco, chega-se relativamente perto de uma das paredes do glaciar e pode-se observar blocos de gelo se despencando da parede e caindo nas águas do lago. O passeio de barco dura mais ou menos uma hora. Para variar, encontramos vários brasileiros a bordo. Primeiro, uma garota de Brasília, que viajava de mochila, sozinha, por esse mundo afora. E depois um grupo de várias pessoas de Ribeirão Preto, com os quais conversamos mais. Tavinho, principalmente, já que é sua região de origem.. Tiramos algumas fotos e a moça brasiliense bateu uma de nós dois.
Com os casais brasilienses
Descendo do barco, resolvemos pegar o ônibus para ir até as passarelas observar o Perito Moreno de outros ângulos. Valeu a pena a descida até o Mirador del Glaciar, onde se tem uma visão mais panorâmica da grande geleira e observa-se com mais frequência e de mais perto o deslocamento dos blocos de gelo e o estrondo que eles produzem no choque com a água.
É muito bonito o espetáculo e fascinante a cor branquíssima e, em alguns pontos, incrivelmente azulada. Dizem que é o reflexo do sol.
No mirante, encontramos uma turma de Brasília, três casais e um deles, goiano, de Silvânia, cidade próxima de Goiânia, que conheço bem por ser cidade natal de um dos meus compadres. Tiramos fotos junto com a turma.
O fantástico paredão de gelo
Apesar da beleza grandiosa dos glaciares, ao encerrarmos nossa visita à mais bela geleira do continente, decidimos que já havíamos visto gelo e montes nevados suficientes e resolvemos abortar nossa antes planejada ida para El Chaltén, cuja atração maior é o Cerro Fitz Roy, com 3.405 m. Dizem que ele tem um visual maravilhoso, mas naquele momento, preferimos partir para a Península Valdés. Eu estava a fim de ver os pinguins.
Assim, uma vez mais modificamos o nosso roteiro. Acertamos que voltaríamos a Rio Gallegos e de lá, seguiríamos pela Ruta 3 até Puerto Madryn, de onde iríamos à Península para curtir os pinguins. Depois, Buenos Aires, Uruguai e volta pelo sul do Brasil.
            No retorno do Parque Nacional Los Glaciares, paramos em El Calafate, onde fizemos um lanche no Café e Pizzaria Casablanca, que já conhecíamos. E colocamos apenas um pouco de diesel, já que também lá, os argentinos cobram mais caro dos veículos com patente (placa) estrangeira. Eu estava com dor na coluna e tomei um comprimido, logo a dor melhorou e eu peguei o volante para o Tavinho dormir um pouco. Mas, só consegui dirigir 60 km, veio um sono terrível e eu parei no posto de Esperanza. Tomamos um café e Tavinho pegou a direção novamente.
             A estrada, bem conservada, estava com pouco movimento. A paisagem, bem patagônica, árida e desértica, provoca sono e moleza, devido à monotonia. Chegamos a Rio Gallegos, onde planejávamos dormir, às 18h30m. Mas, como ainda tínhamos algumas horas de sol, o meu companheiro estradeiro (acho que ele deve ter sido motorista de caminhão na outra encarnação) me convenceu a seguirmos até uma cidadezinha chamada Monte León, a cerca de 200 km a frente. No posto, onde abastecemos, um motorista de ônibus disse ao Tavinho que havia uma pousada naquela localidade.
         Acreditei na veracidade da informação, uma vez que vi no mapa que perto havia uma ilha com pinguins. Por outro lado, rodando mais naquele dia nos possibilitaria chegar a Puerto Madryn no dia seguinte.
           Passamos na estrada por um grupo de casas em que estava escrito Estância Monte León. Imaginamos que a pousada estaria mais a frente. Ledo engano. Pelo visto, era lá mesmo. Tavinho odeia voltar e não quis fazê-lo. Resolveu tocar até a próxima cidadezinha que, no mapa, estava a 30 km. Mas, no tal lugar não havia hotel e a alternativa que nos sobrou foi seguir até Puerto Julian.
       Chegamos a Puerto Julian pouco mais de 22 horas e percorremos a cidade inteira em busca de acomodação. Por fim, fomos ao posto de informação turística, que funciona junto ao terminal de ônibus, para receber a confirmação do que já havíamos constatado: não tinha vaga em nenhum hotel da cidade e nem mesmo nas casas de família, que se transformam em hospedarias quando aumenta a demanda na região.
            Já havíamos ouvido relatos semelhantes várias vezes, mas nunca pensamos que pudesse ocorrer conosco. Estávamos exaustos, com muito sono e a cidade mais próxima, que poderia ter vaga em hotel, era Caleta Olivia, há aproximadamente 3 horas e meia de viagem. Resultado: estacionamos em um posto YPF, à beira da estrada e preparamo-nos para dormir no carro. Antes de conseguir dormir, fiquei pensando na barraca que eu tinha pensado trazer  exatamente porque tinha lido histórias de viajantes que tinham passado por isso. Naquela de minimizar a bagagem, a barraca foi descartada.







                    
                     

terça-feira, 21 de junho de 2011

De Goiânia ao Fim do Mundo 9


13/01/2008

Nosso hotel e a vista de Puerto Natales
                Saímos um pouco antes das nove horas de Puerto Natales, com o velocímetro do jipe indicando 25.860 km e dez quilômetros depois chegamos à fronteira com a Argentina. Não havia ninguém na fila, nem precisei descer do carro. Tavinho levou os documentos  e o encarregado carimbou nossos passaportes. Na aduana argentina, também não tinha ninguém, mas demorou um pouquinho porque só havia um funcionário para todos os trâmites.
              Pegamos a ruta 40, em dúvida se continuávamos nela ou se passávamos para a ruta 7, caminho mais longo, mas com asfalto. Tínhamos ficado com um pouco de medo de rodar no rípio por causa dos trincados que já tínhamos no parabrisa. Mas, concluímos que não havia razão para fugir dos trechos sem pavimentação, uma vez que estávamos em um veículo 4 x 4. Assim, ficamos mesmo na Ruta 40, onde atingimos 10.000 km rodados na viagem. A estrada estava boa e são apenas 76 km até El Calafate.
          Chegamos no início da tarde ao nosso destino e fomos logo a um posto de informações da municipalidade, que fica na estação rodoviária, na Rua Júlio Roca. El Calafate é uma cidade de aparência muito agradável e o comércio se concentra na sempre presente Av. San Martin, onde tem um monte de hotéis e pousadas. Pegamos indicação de quatro hotéis com a funcionária do posto. No primeiro, já não havia vagas, mas havia outro, em frente, chamado Los Lagos, onde conseguimos um apartamento bem razoável: quarto amplo, com TV, banheiro acanhado (o que não é novidade por lá) e internet na recepção. Endereço: Rua 25 de Mayo, 220. Preço: 200 pesos, com café da manhã. Devido ao apelo turístico do local, não se consegue hotel decente mais barato do que isso.
            A proprietária do hotel, muito simpática, nos indicou um restaurante na Av. San Martin. Optamos pelo bufê, para comer salada, mas a carne servida não estava à altura da tradição argentina, que já conhecíamos bem. Mas, deu para matar a fome. Pagamos 90 pesos pela refeição.
              Fomos andar pela cidade e passamos em uma lan house, porque eu queria verificar qual o passeio que tinha sido sugerido pela nossa amiga Terezinha,que estivera a pouco tempo em El Calafate. Passamos numa agência de turismo e contratamos uma excursão onde iríamos conhecer cinco glaciares, inclusive o maior de todos, o Upsala. O pacote para nós dois custou 120 euros. O glaciar mais famoso, o Perito Moreno, não fazia parte do pacote, mas nele poderíamos chegar de carro até o local de pegar o barco. Então, decidimos que no dia seguinte faríamos a excursão e no outro o passeio até o Perito Moreno.
Motoqueiros cariocas em El Calafate.
           Resolvida a questão dos passeios, ficamos andando pela cidade e fazendo compras: comprei camisetas para as crianças da família e afilhados e encontrei uma peça bonita de inspiração indígena patagônica que comprei para minha amiga Maria Amélia. Nas andanças pela cidade, vimos muitos brasileiros. Entre eles, um grupo de motoqueiros cariocas, que não dispensam a nossa bandeira. É agradável estar sempre encontrando nossos compatriotas.
Cansados de andar, resolvemos comprar lanche para comer no apartamento. Teríamos que levantar cedo no dia seguinte porque o ônibus da excursão viria nos  apanhar as sete horas.

14/01/2008

             O ônibus da excursão apareceu no hotel as 07h40m. Fomos os antepenúltimos a entrar. Rodamos cerca de uma hora até chegar ao porto. Pelo folheto, vimos que a distância é de apenas 50 km. Lá chegando,  tivemos que comprar os tickets para o barco: 40 pesos cada um. O barco ficou lotado, com gente de todo o lugar do mundo.
               O passeio vale muito a pena, principalmente para nós, brasileiros, onde não existem glaciares.
Saímos do Puerto Bandera, em El Calafate e navegamos pelo braço norte do lago argentino, passando por cinco glaciares, inclusive o maior de todos, o Glaciar Upsala.
 O barco dá ideia do tamanho do gelo.

No início da navegação, já vimos blocos de gelo boiando no lago e a visão dos gigantescos blocos, que formam os glaciares, é fantástica.
O lago argentino é portentoso e ficamos extasiados com a visão dos vários glaciares, um atrás do outro.
O barco faz uma parada na baía Onelli, onde há uma grande concentração de blocos de gelo sobre as águas límpidas da baía. O acesso ao local mais bonito exige uma caminhada de mais ou menos um km por uma alameda cheia de árvores, que é uma típico bosque andino patagônico, conforme a definição que vi em um folder que obtivemos no local. Nesta baía, se encontram os glaciares Onelli, Bolado e Agassiz, que se confluem no lago Onelli. É muito bonito e dá vontade de ficar por ali contemplando a natureza.
Clélia e Tavinho na Baía Onelli

Nessa parada, há um restaurante, onde aproveitamos para almoçar. A maioria das pessoas tinham levado lanche, não sei se por economia ou para não perder tempo. Mas nós não estávamos preparados e fomos ao restaurante, onde comemos bife a milanesa com fritas: 100 pesos, razoável.
Além dos glaciares da baía Onelli e do grande Upsala, vimos também o Glaciar Spegazzini e outros menores.
É voz corrente que o Perito Moreno é o mais belo dos glaciares. Fiquei imaginando se isso poderia ser verdade porque o espetáculo que vimos naquele passeio foi realmente fantástico e inesquecível.



sexta-feira, 17 de junho de 2011

De Goiânia ao Fim do Mundo 8


11/01/2008

             Na manhã do dia 11 de janeiro, com nosso carro marcando no velocímetro 24.683 km, preparamo-nos para deixar a linda Ushuaia. Como sempre fazíamos, a primeira providência era o abastecimento e os cuidados com o jipe. Fomos a vários postos, mas todos insistiam em cobrar preço diferente da tabela. Aliás, nas cidades de fronteira, na Argentina  (não me lembro se no Chile acontece o mesmo),  o preço para veículos estrangeiros é sempre superior, o que até entendemos, uma vez que ao contrário os brasileiros só abasteceriam no local. Mas, ali em Ushuaia, achamos que isso não justificava.                
          Quando estávamos a ponto de desistir de colocar diesel, encontramos um posto na saída que nos cobrou o preço da bomba. É incrível como eles conseguem vender  o combustível bem mais barato que o nosso. E não são auto suficientes, como dizem que somos. Culpa da famigerada política tributária do Brasil.
Até qualquer dia, Ushuaia
Voltamos à nossa conhecida Ruta 3, contemplando pela janela do veículo os incríveis montes nevados. Lembrei-me que esqueci de registrar que quando estávamos no Glaciar Martial, no dia anterior, vimos que nevava lá no alto.
             Até Rio Grande, realmente a paisagem é incrível! Quando lá chegamos, completamos novamente o tanque de combustível e seguimos para San Sebastian, na fronteira com o Chile. Ultrapassamos sem problemas as duas aduanas. Poucos quilômetros à frente, pegamos novamente a via de rípio e o parabrisa do Troller foi atingido por algumas pedrinhas, ao cruzarmos com caminhões. O saldo foi três pequenos trincados. Ficamos preocupados porque não tínhamos ideia  se o vidro corria o risco de se romper. Se isso acontecesse, o transtorno seria imenso porque teríamos que pedir outro vidro do Brasil, já que nosso carro não tem por lá. Entendemos, então, a razão de vários 4x4 que cruzamos pelo caminho possuírem uma tela frontal para proteção do vidro. Para andar direto por estradas de rípio, é acessório indispensável. Mais uma que aprendemos. Quando chegamos à balsa, Tavinho conversou com alguns motoristas de caminhão sobre os trincados do parabrisa e eles nos tranquilizaram, disseram que do jeito que estava, não havia risco.
Atravessamos novamente o estreito de Magalhães. Desta vez, nem desci do carro e aproveitei para colocar as anotações em dia. 
Os outros correram
               Na sequência, ao deixarmos a balsa, pegamos a Ruta 255 e seguimos pela margem do grande estreito de Magalhães. A opção seguinte era Punta Arenas, onde a atração maior é a zona franca, com preços atraentes. Mas, como nosso objetivo não era fazer compras, decidimos ir direto para Puerto Natales, em busca das belezas de Torres del Paine. 
O animal que eu tinha achado parecido com um veado chama-se guanaco e é típico da Patagônia. Vimos rebanhos inteiros, mas eles são ariscos. Quando nos aproximamos para fotografar, eles fogem.
Dava pra morar aqui
Chegamos bem cansados em Puerto Natales e nem tivemos ânimo para procurar um hotel no esquema "bom e barato". Queríamos uma cabana no estilo da que ficamos em Ushuaia, mas terminamos ficando num lugar denominado Centro Turístico Terravento, onde as cabanas são muito bem equipadas. A hospedagem é cara: 50.000 pesos, mas abriga uma família, porque tem dois quartos e mais um bom sofá-cama na sala. Como estávamos sós, ficou pesado, mas contratamos somente por uma noite. No dia seguinte, tencionávamos procurar com calma outro lugar mais em conta. Também, não havia outra alternativa. as cabanas estavam lotadas e a vaga era mesmo só para aquele dia.
Acatando a sugestão do proprietário do hotel, fomos jantar no El Asador Patagonico, restaurante simpático que fica na praça central da cidade. Comemos cordeiro patagônico e bebemos um bom vinho cabernet sauvignon. Valeu a extravagância. Nada como uma boa mesa e uma boa cama para motivar carinhos patagônicos. Fui dormir pensando que, no dia seguinte, conheceria um dos orgulhos chilenos, o famoso parque nacional Torres del Paine.

12/01/2008

                  Deixamos cedo a nossa linda cabana e fomos para o centro de Puerto Natales em busca de outro hotel e encontramos sem dificuldade o Hostal Francis Drake, simples, mas muito agradável. A diária era 29.000 pesos e pudemos, inclusive fazer o nosso desjejum, sem nenhum acréscimo.
Paisagem fascinante na estrada para T.del Paine
                     Às 09h15m, com o velocímetro acusando 25.486 km, pegamos a estrada a caminho de Torres del Paine. Antes, porém, fomos a uma mercearia e compramos pães, queijo, salaminho e água. Não me lembro se isso foi sugerido por alguém, mas o fato é que foi uma  providência feliz, conforme verificaríamos mais tarde.
                    Punta Arenas, Puerto Natales, o Parque Torres del Paine e a base de Puerto Williams é o que há de principal na Patagônia Chilena. O Parque fica a 115 km de Puerto Natales, pela Ruta 9. No caminho, paramos um monte de vezes tentando fotografar os guanacos, que são selvagens, da mesma família das lhamas. São referência na região e dominam a paisagem campestre, alternando com grandes rebanhos de ovelhas.
Na entrada do parque
              Entramos no parque pela portaria Laguna Amarga. O parque, que tem 242 mil hectares possui outras quatro entradas, devendo-se evitar apenas a Laguna Verde, porque por ela não dá acesso ao parque de carro. Compramos os ingressos (15.000 pesos cada) na portaria e nos forneceram um mapa. É um local privilegiado da natureza. Pode-se percorrê-lo quase inteiro de carro. A estrada é de rípio, mas apresenta boas condições. Fomos rodando devagarzinho curtindo a paisagem. Há diversos lagos no trajeto, como o belíssimo Pehue e o Grey e ainda uma cachoeira que, para ser visualizada, deve-se descer do carro e andar cerca de 500 metros, segundo informa a placa no local. No entanto, tem-se a impressão que a subida é muito maior que o meio quilômetro anunciado. Isto porque o vento no local é absurdamente forte. Mas, o visual da cachoeira, com os picos nevados ao fundo, a linda vegetação e as pedras às margens do rio compensam todo o esforço da subida.
Valeu a subida. Natureza bela!
Fizemos o circuito completo possibilitado pela estrada que corta o parque, parando e fotografando os locais mais bonitos. Entramos em um dos hotéis  que existem no parque, que estava lotado, cheio de turistas de todas as partes do mundo, a maioria européia. Por curiosidade, perguntamos o valor da diária 151.250 pesos para duas pessoas, ou seja, três vezes o valor de uma diária de hotel similar em qualquer cidade próxima. Pelo que vimos, o hotel é confortável, mas está longe de ser considerado de luxo. Portanto, fica a dica pra quem quiser explorar o parque: quem não for amante de camping e de refúgios de montanha (há bastante deles no parque), o melhor é ficar em Puerto Natales e contratar uma excursão de van. Isso, se não estiver de carro, que pra mim é a melhor opção. No inverno, disseram que poucos campings funcionam, já que as temperaturas ficam baixíssimas, tem que ter barraca impermeável e antitérmica, saco de dormir, fogareiro, etc. Estávamos lá no verão e sentimos frio algumas vezes, já que o vento, na Patagônia, é constante. Imagine como deve ser no inverno. Voltando aos comentários sobre o  hotel, os preços no bar são também muito acima do normal. Pagamos por dois  cafezinhos 4.000 pesos e o pior é que o café estava péssimo.
              Foi aí que bendizemos o fato de havermos levado nosso lanchinho. Enquanto Tavinho dirigia devagar, preparei sanduíches com os suprimentos que havíamos comprado em Puerto Natales. Foi ótimo.
Os  maravilhosos Cuernos del Paine
 Antes de sairmos do parque, já no final da tarde, pegamos uma das estradinhas suplementares, a que leva à Hosteria Las Torres para chegar mais perto das famosas torres que dão nome ao parque e ficamos um bom tempo à espera de que as nuvens se afastassem do cume das torres para conseguirmos fotos mais nítidas. Mas, não adiantou, as nuvens não ajudaram e nossas fotos ficaram todas com elas encobrindo parcialmente as torres. Tivemos mais sorte com os não menos famosos CUERNOS DEL PAINE, rochas em forma de chifres, que junto com as torres fazem parte do chamado Macizo del Paine.  Para chegar nesse local, é preciso atravessar uma ponte de madeira estreitíssima, que quase não coube o Troller. Pela estrada, volta e meia guanacos apareciam e às vezes cruzavam na frente do carro. Lindos!
Guanacos compondo a bela paisagem

Fiquei fascinada com Torres del Paine. O parque, desde 1978, foi declarado Reserva Mundial de Biosfera, pela Unesco e ele merece todos os adjetivos que lhe são atribuídos. Por todos os ângulos, a paisagem é sempre muito bonita e, às vezes, tem um monte de coisas belas num mesmo contexto: lago, montanha, céu com nuvens multicores e os animais quase sempre presentes, correndo livres.
               Chegamos de volta a Puerto Natales depois das dezenove horas, mas como é normal naquela região, o sol ainda estava alto. Fomos à cidade e enquanto fui dar uma volta em busca de souvenirs da região, Tavinho foi a uma lan house checar seus e-mails.
                  Mais tarde, escolhemos ao acaso um restaurante, na Calle Pedro Mont, para contemplarmos o Serro (estreito) Ultima Esperanza, o pedaço de mar que banha a cidade de Puerto Natales. Comi um congrio com salsa (molho) de mariscos e Tavinho foi de salmão. Tomamos um vinho Concha Y Toro. Estava tudo muito bom!
                No restaurante encontramos uma brasileira, de São Paulo, que jantava com o filho. Estavam  numa excursão e disseram que seguiriam no dia seguinte para El Calafate, na Argentina. Na ocasião, não imaginávamos que a veríamos novamente, em circunstâncias interessantes, na capital portenha.





















































































































































































































































































































































































































quinta-feira, 16 de junho de 2011

De Goiânia ao Fim do Mundo 7

08/01/2008

                  Com o velocímetro do troller marcando 23.050 km, deixamos Sarmiento por volta de oito e meia da manhã.
prospecção de petróleo 
                  Já na estrada, no meio dos campos áridos do deserto patagônico, descobrimos aquela que deve ser a razão da existência da cidade que acabávamos de deixar: máquinas e mais máquinas de prospecção de petróleo, trabalhando a todo vapor. Tiramos fotos. Nunca havíamos visto de perto essas máquinas. Mais na frente, uma estrutura industrial da Petrosar S/A, a Petrobrás da Argentina. Deve ser um local de distribuição, porque havia vários caminhões parados no pátio.
                   Um animal, que parece um veado, típico daquela região, atravessou a pista à nossa frente, no galope. Paramos o carro e o vimos retornando para se juntar a um grupo deles, que brincavam no campo seco. Bati uma foto, mas não consegui pegar direito. Fiquei lamentando, mal sabendo que veríamos centenas deles pelas estradas da Patagônia.
                    Da estrada, vimos, do alto, a cidade de Comodoro Rivadavia, onde tínhamos planejado dormir na noite anterior. Ela fica à beira-mar, agora na Oceano Atlântico, mais precisamente defronte ao Golfo San Jorge. Vimos, no guia, que a cidade tem mais de 200 mil habitantes e é responsável por 30% da produção petrolífera da Argentina. Tem uma localização estratégica entre o norte e o sul da Patagônia. Fica naquela parte mais estreita da América do Sul. É uma cidade portuária e há uma estrada que liga a cidade à sua equivalente chilena, voltada para o Pacífico, para facilitar o transporte de mercadorias de uma lado para o outro do continente.
Comodoro  Rivadavia
                   Paramos num posto YPF, na entrada da cidade de Caleta Olivia, ainda à beira-mar. Compramos sanduíche para o caminho e abastecemos o carro.A estrada distanciou do mar e a solidão do deserto aumentou. Peguei o volante e dirigi cerca de 160 km. Em parte desse percurso, a ruta estava em obras, passei por um desvio em estrada com rípio e trechos esburacados. Depois, voltou a estrada reta, quase sem curvas, monótona, sem acostamento, mas com pista regular, possibilitando desenvolver boa velocidade. Me deu sono e devolvi o volante ao motorista principal.
                   Paramos novamente em Puerto San Julian, num moderno posto YPF. Moderno, mas carente de estrutura. Demorou para conseguirmos atendimento e tivemos que nos contentar com sanduíches já prontos, que estavam na vitrine, já que não havia ingredientes para fazer nada diferente. Compramos para levar o que havia disponível: batatas fritas, coca-cola, chocolate e haws. O lanchinho custou 29,80 pesos. O troller tinha rodado, desde a última parada, 351 km e abastecemos novamente porque não sabíamos se encontraríamos diesel mais a frente.
                   Pelo mapa, verificamos que já não haveria nenhuma cidade mediana até Rio Gallegos. Percebi que Tavinho estava com sono, pedi o volante, mas ele custou a entregar os pontos. Como o conheço bem, calcei meu tênis e fiquei aguardando. Não deu outra: um pouco à frente, ele capitulou. Foi bom porque ele conseguiu dormir um pouco enquanto eu dirigia. O deserto continuava firme e o vento também.Naquela solidão do deserto patagônico, verifiquei, no velocímetro, que estávamos completando 8.000 km de aventura. Eu não estava ainda com a menor vontade de regressar. Estava fascinada com o passeio, que superava a minha expectativa. Quanto a Tavinho, ele estava louco para chegar a cidade de Ushuaia, conhecida como Fim do Mundo, que era nosso objetivo principal. Parece que meu companheiro não estava curtindo muito aquela paisagem desoladora.
                 Chegamos a Rio Gallegos às 18 horas. Entramos na cidade e fomos em busca do hotel que havíamos escolhido no guia. Não havia vaga. Saímos para procurar e logo encontramos dois bem próximos, que tinham apartamentos vagos. Optamos pelo que tinha o quarto mais confortável, porque o outro tinha cheiro de mofo. Só lamentamos porque no insalubre havia internet e no aprazível não. Paciência. O hotelzinho escolhido chama-se Nevada e fica bem em frente a um posto YPF, onde fizemos um lanche e planejamos tomar o desayuno no dia seguinte, já que o serviço não estava disponível no hotel. O Nevada fica na Rua Zapiola número 480, é bem simples, mas o quarto é amplo e tem TV a cabo, único luxo disponível. Mesmo assim, custou-nos 150 pesos, pagos adiantados, conforme costume nesses lugares de passagem.
                 Após nos instalarmos no hotel, fomos dar uma voltinha pela cidade. Inicialmente, saímos à pé, mas o vento gelado nos fez retornar para buscar o jipe. Chegamos até a avenida costeira, que margeia o Rio Gallegos. A cidade não é bonita, mas tem comércio significativo, um monte de hotéis e, parece, que a economia vem da exploração do petróleo.
                 Descansando no hotel, verificamos que no dia seguinte, chegaríamos ao Fim do Mundo, com a permissão do Alto. Tínhamos um trajeto complicado pela frente. Para chegar a Ushuaia, tínhamos que passar por duas alfândegas, pegar uma balsa, depois uma estrada de rípio e outra em más condições. Mas, o que mais nos preocupava, era a burocracia das aduanas. Contávamos com a nossa sorte e com os relatos de quem havia estado lá. Todos diziam que os percalços valiam a pena e que no trecho final da estrada, a paisagem é deslumbrante. Agora já estávamos próximos à Terra do Fogo, mas o vento forte que nos perseguia desde a entrada na Patagônia ainda continuava. Pelo jeito, deve ser assim até o final da estrada, no Fim do Mundo, já que descobrimos que o vento vem da Antártica.

09/01/2008

                  O jipe estava com 23.939 km, o que significava que tínhamos rodado 889 km, de Sarmiento a Rio Gallegos. A distância real é um pouco menor do que consta nos mapas. Saímos do hotel Nevada às 08h40m, após o café da manhã no posto. Na estrada, passamos por três carros brasileiros, de Santos e Guarujá. Eles entraram em uma estrada secundária em direção à Laguna Azul. A curiosidade nos fez pensar em segui-los para ver o que haveria lá de interessante, mas como não achei nenhuma referência nos guias a essa laguna, seguimos em frente.
                  Na fila da aduana, havia cerca de vinte carros à nossa frente. Essa aduana e a seguinte, tomou duas horas do nosso tempo, assim mesmo porque o senhor paranaense que já tínhamos encontrado antes descobriu que nós, brasileiros, estávamos dispensados de uma das filas. Foi ótimo e demos a dica para o grupo de Santos, que também estava na fila esperando.
Atravessando o estreito de Magalhães
                  Chegamos ao Estreito de Magalhães, onde entramos em outra fila, para esperar a balsa. Fomos à hosteria, que fica à margem, e pedimos um chocolate caliente. A moça nos serviu um leite quente com um tablete de chocolate. Bueno! Misturamos o tablete no leite e ficou bom. Custou 1600 pesos. O senhor paranaense, cuja idade estimamos em pouco mais de 65 anos, já havia feito amizade com um argentino, que reside em Ushuaia. Pelo mapa, havia duas alternativas para chegar ao nosso destino, mas decidimos optar pelo caminho do argentino, que devia saber qual a melhor opção.
                   O local da balsa é Punta Delgada (Chile). Do outro lado, na ilha, é Bahia Azul. Chegando a nossa vez na fila, colocamos o carro na balsa e fomos para a parte posterior do barco assistir o show das baleinhas, que ficam saltando. Tiramos fotos, mas é difícil flagrá-las no momento certo. Pagamos 12.000 pesos pela travessia do Estreito de Magalhães. O canal separa o arquipélago, que constitui a Terra do Fogo, do extremo sul do continente sul-americano. Tem esse nome em homenagem a Fernão de Magalhães, o navegante português que foi o primeiro europeu a atravessar o estreito, em 1520.
                   Após a travessia, passamos pelas duas aduanas seguintes sem qualquer problema. Como a estrada inicial era de rípio, nosso valente 4x4 levou vantagem sobre os demais, ultrapassamos todos e chegamos à frente nas aduanas. O nosso amigo paranaense passou-nos o nome do hotel em que ele reservara lugar, em Ushuaia. Assim, quando chegamos na cidade de Rio Grande, ligamos e conversei com a proprietária do mesmo. Entendi que havia lugar e que tínhamos garantido uma reserva. Era janeiro e temíamos ter problemas de hospedagem na cidade, dado o sem número de turistas que descem pra lá nessa época.
Monumento das Malvinas em R.Grande
                   Rio Grande é uma cidade estratégica. De lá, saiu a aventura argentina em busca das ilhas Falklands, que os hermanos teimam que são argentinas e denominam Malvinas. Há um monumento em homenagem aos mortos da guerra e, pela cidade e nas rodovias próximas, há placas dizendo: LAS MALVINAS SON ARGENTINAS. Pelo que vimos, esse sonho não vai acabar tão cedo.
Tivemos que parar pra ver a paisagem
Só paramos na cidade para abastecer, comprar lanche (media lunas e coca-cola, para variar) e fotografar, rapidamente, o monumento da guerra das Malvinas. Seguimos nosso caminho, ansiosos para vencer a última etapa que nos separava da cidade de Ushuaia. A paisagem já tinha melhorado, passamos a ver o verde, algumas árvores e, ao longe, de novo os picos nevados. Agora, sim, estávamos na Terra do Fogo, assim chamada porque os colonizadores, ao chegarem a essas terras, viram índios com fogueiras acesas para se aquecerem do frio inclemente. Os índios não existem mais, mas o nome ficou. A paisagem foi ficando cada vez mais bonita. Paramos duas vezes no caminho para tirarmos fotos. De novo, os montes nevados e lagos e também o mar. Passamos por um lago belíssimo denominado Paseo Garibaldi. Será que o herói italiano passou também por aquelas plagas?
                    Pelo nosso mapa, o asfalto acabaria em Talhuim, mas vimos que ele estava desatualizado, uma vez que fomos pelo asfalto até nosso destino. Menos mal.
USHUAIA
                    Ao contrário de um grande número de viajantes com os quais conversamos, o tamanho da bela Ushuaia não nos surpreeendeu. Havíamos lido muito sobre ela. Pelas informações do guia, o número de habitantes da cidade é 65.000, mas, ela está permanentemente acrescida de milhares de turistas. A atração de chegar à cidade mais meridional da Argentina e do continente americano, a apenas 1.000 km da Antártida, desafia um número fantástico de turistas do mundo inteiro. O Chile tem uma base militar, denominada Puerto Williams, que fica um pouquinho mais ao sul, então os dois países polemizam sobre o assunto, mas concluímos que o privilégio vai continuar mesmo com a Argentina, porque Ushuaia é realmente uma cidade fascinante.
                   Ao chegar, fomos em busca do hotel contatado em Rio Grande. Lá chegando, descobrimos que não havia vaga, o que a proprietária havia me dito é que nos levaria a um conhecido que ainda tinha disponibilidade em seu estabelecimento. Às vezes, a conversa em portunhol dá margem a conclusões equivocadas.  Resolvemos ir com ela porque ficamos com medo de não achar vaga. Pelas conversas do caminho, já sabíamos que era comum os hotéis ficarem lotados na região. De fato, conseguimos a hospedagem em um apart confortável, com aquecimento, bastante amplo, mas sem TV, nem internet.
                Instalamo-nos e fomos à rua. Tavinho queria ligar para sua mãe e também queríamos contatar nossos familiares e amigos na Internet. Fomos a uma lan house, a um caixa do Banco da Patagônia para sacar dinheiro e, por fim, escolhemos , ao acaso, a cantina Fueguina de Freddy para jantar. Fica na Av. San Martin, 326. Curioso que todas as cidades argentinas tem avenida com o nome do seu festejado herói.
Na hora de voltar ao hotel, descobrimos que havíamos perdido o mapa fornecido pelo proprietário, não sabíamos o nome do hotel, nem a rua. Provavelmente, o mapa tinha voado pela janela do carro. Também na Terra do Fogo venta bastante.
                Rodamos por um bom tempo, até conseguirmos localizar o hotel. Felizmente, depois de passarmos infinitas vezes ao lado da rua do mesmo, viramos pro lado certo e o encontramos. Agradeci novamente aos meus anjos. Cheguei a pensar que iríamos dormir no carro, já que vaga em outro hotel provavelmente não encontraríamos.

10/01/2008

              O dia em Ushuaia  foi cheio. Pela manhã, fomos a uma cafeteria na Rua San Martin para o breakfast porque no apart não tinha.
                 Seguimos então para o Parque Nacional Tierra Del Fuego, que fica a 11 km da cidade, seguindo pela Ruta 3, na direção de Lapataia, à beira do Canal de Beagle, pertinho da fronteira com o Chile.  O parque, que tem 63 mil hectares,  tem paisagens bonitas, com muita vegetação, vários lagos e vales com trilhas para os interessados explorarem. Na entrada, os viajantes recebem um mapa, com as indicações das trilhas e o nível de dificuldade.
                     Percorremos de carro a estrada asfaltada que corta o parque e paramos no ponto máximo para tirar fotos. Nesse local, há placas indicando se tratar do final da Ruta 3 e o visual é fascinante. 
                Saindo do parque voltamos à cidade para percorrer seu famoso comércio da Rua San Martin. Embora a cidade seja zona franca de comércio, os preços de eletrônicos, perfumes e artigos importados não são muito atraentes. A explicação é que, embora haja isenção de impostos, o preço do traslado, devido à distância, termina encarecendo os produtos. Mas, os produtos argentinos e mesmo alguns de grifes estrangeiras são mais baratos que no Brasil, mesmo porque o câmbio estava e continua bem favorável para nós.
              Compramos alguns presentes e souvenirs e depois fomos almoçar. Escolhemos um dos restaurantes recomendados pelo guia, o Gustino, que fica na Av. Maipu, 530 e comemos de entrada truta marinada e, como prato principal, cordeiro fueguino, escolha também sugerida pelo guia. Estava bom, mas para o meu gosto, com pouco sal na carne.
Vista de Ushuaia. Maravilhosa!
               Defronte ao restaurante, há um centro de artesanato, onde comprei um cachecol, que foi muito útil e uma lembrancinha para a mana Regina.
           Após o almoço decidimos ir de carro até o Glaciar Martial. Fomos até a base do teleférico e compramos os ingressos para a subida: 25 pesos cada um. Fazia muito frio, coloquei meu cachecol e o gorro mapuche que eu comprara uns dias antes. Faltaram as luvas, que não tínhamos - e como fizeram falta!. O frio lá em cima estava por volta de 4 graus, como informou o funcionário do parque. No final da viagem pelo cabo, para chegar até a geleira, seria necessário caminhar cerca de duas horas, mas decidimos, por razões óbvias, ficar só até o fim da linha. Tiramos fotos da bela paisagem e enfrentamos a volta no teleférico, quando já estava mais frio ainda, uma vez que estava mais tarde. Ao chegar em baixo, tomamos um chocolate regenerador, no barzinho que existe no local.
No Glaciar Martial
               Voltamos ao hotel  para programarmos a agenda e descansar um pouquinho. Queríamos fazer umas comprinhas e então fomos novamente para o centro da cidade. Comprei alguns souvenirs para a galera, uma camiseta branca para o Gustavo jogar tênis e Tavinho comprou várias camisetas da sua marca preferida, que estavam bem mais baratas que no Brasil.
                 Fomos ao Centro de Informação ao Turista, na Secretaria de Turismo de La Municipalidad de Ushuaia, na mesma Av. San Martins, onde cumprimos o ritual dos viajantes que chegam no local: carimbamos o nosso passaporte com os carimbos de USHUAIA, "A CIUDAD MAS AUSTRAL DEL MUNCO". Providência indispensável!
                   Já era final do dia e entramos na Laguna Azul, a mesma cafeteria onde havíamos feito o desjejum para um lanche reforçado. Voltamos cansados para o hotel e eu só tive coragem para registrar os acontecimentos no diário e conversar rapidamente no MSN com minha amiga Maria Amélia. Foi bom que fiquei sabendo que estava tudo bem em nossa terra.
                  Meio a contragosto, concordei em partir no dia seguinte para Puerto Natales, no Chile. Eu queria ficar mais um dia para visitar os  vários museus, sobre os quais havia tido informações interessantes e também conversar um pouco com o pessoal do lugar. Ficou para uma próxima vez...