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quinta-feira, 28 de julho de 2011

De Goiânia ao Fim do Mundo 12

18/01/2008

             Saímos de San Lorenzo às 07h56m. Olhando a quilometragem do Troller, que marcava 28.635, fiz as contas e descobri que já tínhamos rodado, desde Goiânia, 12.747 km.
            Paramos em Rio Colorado para nosso café da manhã em um pequeno restaurante, ao lado de um posto de gasolina, na beira da estrada. Comemos as tradicionais medias lunas e tomamos café com leite. Também tomei um iogurte, que havia comprado no posto. Pagamos pelo desjejum 14,50 pesos.
          A paisagem de deserto que vimos nos últimos dias começou a mudar. Já víamos uma vegetação maior, mais verde. Logo passamos por uma placa, onde descobrimos que estávamos entrando na província de Buenos Aires. Ô lá lá...Eram 10h15m e fiquei imaginando a que horas chegaríamos à bela capital.
            Às 11 horas entramos na cidade de Bahia Blanca e paramos para tentar resolver o problema do cartão. Encontramos um locutório (não me lembro se já mencionei que se trata de uma espécie de lan house, misturada com posto telefônico), liguei para a casa de Câmbio, em Goiânia, e eles me forneceram o número do Visa. Serviço eficiente, embora um pouco demorado. A atendente suspendeu o cartão e remeteu o saldo do mesmo para Buenos Aires, fornecendo-me um número para eu resgatar a importância em um dos pontos de câmbio relacionados. Resolvido o problema, fomos a uma casa de Câmbio para trocar alguns euros .
                Feito o saque, entramos em um restaurante, onde tinha serviço de bufê. Tavinho reclamou porque não tinha arroz. Comemos rápido e quando o garçom veio perguntar-nos se já podia trazer a carne, já tínhamos terminado. Não prestamos atenção no costume local: o self service por aquelas bandas é diferente: a carne e a sobremesa não ficam à disposição: você tem que pedir antes, se não corre o risco de comer sem o principal prato, como aconteceu conosco. No bufê, havia almôndegas, que pra mim foi suficiente, mas Tavinho ficou irritado. Achei bom porque não gosto de pegar a estrada com o estômago pesado. Tínhamos 667 km até Buenos Aires e não sabíamos se conseguiríamos chegar, porque passava das 14 horas.
                Estávamos ansiosos para cumprir aquela etapa e só fizemos rápidas paradas na estrada.
                Conseguimos chegar a Buenos Aires as 23 horas. Pegamos trânsito pesado e a pista só fica dupla quando faltam menos de 100 km para a chegada à capital.
                Na chegada, tivemos dificuldades porque tínhamos a intenção de chegar ao centro e procurar um táxi para nos levar ao Hotel Concorde, que havíamos contatado em uma das paradas. Deu tudo errado: não conseguimos o táxi e, orientados por um guarda, pegamos uma autopista e erramos o local de saída. Como resultado, pagamos pedágios a mais e só conseguimos retornar depois de rodarmos vários quilômetros indevidamente. Aí, finalmente, conseguimos o táxi, que nos levou rapidamente ao hotel. Aliás, na parada na Ruta 3, onde resolvemos reservar hotel para não ter surpresas, tivemos que ligar para diversos. A maioria estava lotada. Por fim, conseguimos a reserva no Concorde, que tem uma localização maravilhosa e, por coincidência, é o mesmo hotel que eu fiquei com minhas amigas, em 2004, quando vim conhecer Buenos Aires, na comemoração do meu aniversário.
                 O hotel é antigo, padrão três estrelas, tem TV a cabo, internet no quarto. Como os demais desse padrão, na Argentina, não tem frigobar e o colchão deixa a desejar. Mas, o local é ótimo, o que compensa os defeitos.

19/01/2008

            Depois da canseira dos últimos dias, resolvemos que o nosso primeiro dia em Buenos Aires seria bem light.
               E foi...pela manhã passeamos pelas redondezas. O hotel fica a três quadras da Calle Florida, o templo do consumo.
              Inicialmente, fomos sacar o dinheiro relativo ao cartão extraviado. Conseguimos fazê-lo numa casa da própria Wester Union, a cia. que foi utilizada pela representante do Visa para a remessa da importância.
Puerto Madero
               Feito isso, resolvi ir a um salão de beleza porque o meu cabelo e as minhas unhas estavam pedindo socorro, depois de quase um mês sem qualquer trato. Indicaram-me um excelente, na Galeria Pacífico. O serviço ficou ótimo, mas o preço foi um absurdo. Pelo menos foi o que eu achei na época. A gente fica mal acostumada lá na Argentina, devido aos preços baixos, mas analisando depois com calma, cheguei à conclusão que o preço foi mais ou menos o que eu pagaria no Brasil, em um salão médio, em São Paulo ou no Rio. Paguei 413 pesos, incluídos um shampoo e um condicionador, que comprei. Isso, na época equivalia a um pouco menos de 200 reais, se não me engano. Hoje deve ser em torno de 155 reais porque o  câmbio melhorou ainda mais, a nosso favor. De qualquer forma, o brasileiro, na Argentina, deve ficar atento. Se os artigos, no comércio, estão sensivelmente mais baratos, na questão dos serviços, eles aproveitam para tirar a diferença, quando percebem que lidam com brasileiros. Achei caro naquele momento, mas me desculpei porque depois de toda aquela jornada, era o mínimo que eu merecia.
No Las Lilas.  O mais bonito ficou nítido
               Descemos à pé para Puerto Madero, onde escolhemos os restaurante Las Lilas, que eu já conhecia da vez anterior, para bebermos cerveja e almoçar. Ótima pedida! Comemos uma carne excelente. Pagamos 241 pesos, incluído o serviço. Mesma coisa...na hora, achei caro; afinal, pelas andanças pelo interior do país, estávamos mal acostumados. Mas, fazendo o câmbio e considerando o nível do restaurante e a comida, foi até barato.
Puerto Madeiro é o exemplo vivo de como o poder público , com investimentos eficientes, pode reverter uma situação de abandono e penúria, transformando-a num projeto vitorioso de recuperação de um local que estava semi-abandonado, caindo aos pedaços.
Dizem as informações disponíveis que as obras idealizadas por Eduardo Madero, finalizadas em 1897, para permitir a entrada de grandes navios em Buenos Aires, não deram resultado e as docas ficaram por anos a fio sem utilidade. Somente na década de 1990, o governo argentino fez o projeto de recuperação, que transformou o local em cartão de visita da cidade. Há, nos quatro diques, todo o tipo de estabelecimentos, inclusive a Universidade Católica Argentina. Há lojas, hotéis e muitos restaurantes, que estão entre os melhores e mais caros da capital. E o visual do passeio em que ficam a maior parte dos bares e restaurantes é muito bonito, com o porto repleto de embarcações de todas as cores e tamanhos. Em um dos extremos fica um cassino que, segundo nos informaram, é explorado pelo governo, que limita as apostas, para que o local seja fundamentalmente de diversão. Programamos ir conferir, mas depois terminamos desistindo.
                 Após retornarmos do restaurante, à pé, curtindo a cidade, decidimos não fazer nada, ficar no hotel "morgando", como diz o Tavinho. Àquelas alturas, estávamos nos sentindo cansados da maratona, já com uma vontade de chegar em casa. Talvez porque já tínhamos visto tudo o que de melhor havíamos planejado. Eu já conhecia Buenos Aires, mas queria ir com Otávio nas atrações principais.



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