Acordamos no carro às 03 horas da madrugada e resolvemos rodar mais um pouco. Estávamos com frio e mal dispostos, com o desconforto do descanso. Penso que só conseguimos dormir algumas horinhas devido ao cansaço. Vi que o velocímetro do Troller marcava 26.991 km, sinal que tínhamos rodado 841 km no dia anterior, número significativo considerando que passamos várias horas na visita ao belíssimo Perito Moreno.
Abastecemos e Tavinho dirigiu mais 150 km, quando descobrimos que necessitávamos de descansar mais. Então, paramos em outro posto e dormimos mais um pouquinho.
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| Imagem linda do Glaciar Perito Moreno |
Passamos por Caleta Olivia e vimos o mar. Verifiquei no mapa que estávamos diante do Golfo San Jorge e viajaríamos ao lado dele até pouco depois de Comodoro Rivadavia, quando a Ruta 3 se distancia da costa. Peguei o volante e dirigi até lá. Era 11 horas da manhã e lembramos que tínhamos que trocar o óleo do carro. Havíamos levado o óleo, com receio de não encontrá-lo por lá, mas a dificuldade foi encontrar um lugar para fazer a substituição. No posto YPF, que abastecemos, eles não faziam, fomos a uma concessionária Ford e também não conseguimos. Indicaram-nos um posto Esso, mas tinha três carros na frente e não quisemos esperar. Se soubéssemos o que nos esperava, teríamos esperado. Terminamos recorrendo a uma oficina prestadora de serviços, representante da Bosch, onde o mecânico, após verificar que o motor do nosso carro era igual ao da Ranger, se dispôs a fazer a troca do óleo e dos filtros. Cometemos um grande erro ao não combinar o preço do serviço antes. Após perdermos quase três horas na oficina porque o mecânico bateu a porta do Jipe, com a chave dentro e levou um tempão para conseguir abri-la, ainda nos cobraram a exorbitância de 338 pesos. Um verdadeiro assalto, uma vez que era apenas a mão de obra, tínhamos o óleo e os filtros. Não discutimos porque erramos em não perguntar o preço antes. Como no Brasil, a troca de óleo é grátis quando fazemos a compra no posto, imaginamos que o serviço seria barato. Serviu de lição...mais uma.
Saímos da oficina e, para não perder mais tempo, optamos por ir a um posto comer sanduíches. Era o dia dos atrasos. A atendente estava sozinha, tinha que preparar os lanches e ainda atender o balcão. Resultado: nossos sanduíches demoraram uma meia hora para ficar prontos. Com tudo isso, só conseguimos pegar a Ruta quase três horas da tarde, mas rodamos bem e chegamos a Puerto Madryn pouco antes das vinte horas. Não conseguimos vaga no hotel que tínhamos escolhido pelo guia, fomos ao Serviço de Informação Turística, onde ficamos sabendo que só havia vagas nos dois hotéis maiores da cidade. Com medo de ter que dormirmos no carro novamente, fomos direto para o primeiro deles, que é o melhor da cidade, o Villa Piren, diária de 380 pesos.
O nosso apartamento tinha uma banheiro bem confortável, TV a cabo, cama grande, mas o colchão era mole, o que judiou da minha coluna. Tomamos um bom banho, refizemos nossas energias e fomos à rua dar uma olhada nas vitrines. Na lojinha anexa ao hotel comprei lembranças para familiares.
Puerto Madryn fica na província de Chubut, a 1.310 km de Buenos Aires. É uma cidade tranquila e agradável, que serve de base para os visitantes conhecerem a Península Valdez e outras reservas ecológicas que ficam próximas, como Punta Tombo.Lamentei ter me esquecido de tirar fotos na cidade.
Jantamos em um restaurante próximo ao hotel, onde comemos salmão e tomamos um vinho patagônico. Acatamos a sugestão do garçom. O vinho era bom, mas suave. Arrependi de não ter pedido um branco seco. O jantar custou 190 pesos. O dia custou caro. Meu companheiro começou a ficar preocupado, achando que estávamos gastando muito e que nosso dinheiro terminaria antes do fim do itinerário, mas, pelo meus cálculos, ainda tínhamos o suficiente para cumprirmos o roteiro programado. Em último caso, usaríamos o cartão de crédito.
17/01/2008
Acordei cedo com dor na coluna. Fiz uns exercícios de alongamento e após o café da manhã, tomei um anti-inflamatório e um analgésico e a dor logo passou. O
desayuno foi melhorzinho que os anteriores, mas de fruta só havia banana e maçã.
Fechamos a conta do hotel e fomos para a Península Valdés. De Puerto Madryn até Puerto Piramide, a localidade que é o ponto de partida para visitar o santuário - a Península Valdés é Patrimônio Natural da Humanidade, reconhecida pela UNESCO em 1999 - são 100 km de asfalto.
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| Península Valdés e lobos marinhos |
A Península é ligada ao continente por uma faixa de terra, o Istmo Carlos Ameghino. No meio do caminho para Puerto Piramides há um posto de acesso com uma guarita. Lá compramos os ingressos para a visitação: 40 pesos cada um.
Logo após há o que eles chamam de Centro de Interpretação, onde existe um museu, que conta a história da região.
De Puerto Piramides, pegamos a estrada de rípio que contorna toda a península. Até a primeira parada, são 71 km. Lá é Punta Norte, onde está a maior parte dos lobos marinhos que vivem na península. Há uma cerca que veda o acesso até a praia,onde eles ficam enfileirados. São centenas deles, de todos os tamanhos. Para quem nunca tinha visto um lobo marinho, é um espetáculo interessante. O local é também habitado por gaivotas, que ficam voando pela praia.
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| Amei assistir a alegria dos pinguins |
Tiramos várias fotos e voltamos à estrada seguindo até o local chamado Caleta Valdés, que é o habitat preferido dos pinguins. Finalmente, pude vê-los. Novamente, havia uma cerca proibindo o acesso à praia, mas, colado à cerca há, no barranco, vários buracos que acreditamos ser ninhos dos pinguins porque vários deles, pequeninos, ficam ali, entrando e saindo das pequenas cavernas. Assim, pudemos vê-los de perto.
Abaixo, na praia, eles ficam se exibindo. Entram na água, nadam em velocidade e depois saem e batem as asas, graciosamente, sacudindo a água. Uma gracinha! Adorei ver os pinguins e lamentei que tivéssemos passado direto por Punta Tombo, que fica 170 km antes de Puerto Madryn. Lá tem uma área natural protegida onde se pode aproximar dos pinguins. Fica a dica a quem interessar.
Pouco a frente, paramos novamente e vimos elefantes marinhos, ao longe, na praia. Nesse local, há um restaurante, uma lojinha e um observatório. Demos uma olhada na comida que estava no bufet, mas não animamos. Compramos refrigerantes e uma cerveja e seguimos caminho. No carro, dividimos um sanduíche que havíamos comprado no dia anterior, pensando em compensar a escassez do almoço com um belo jantar.
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| A cerca é necessária para preservar o patrimônio natural |
Completamos o percurso da Península indo até Punta Delgada, onde há um farol. O detalhe engraçado da história foi que antes de chegarmos a tal Punta Delgada cruzamos com um carro com argentinos e Tavinho perguntou se havia alguma coisa interessante pra frente. A estradinha estava ruim e queríamos saber se compensava seguir. O argentino disse para irmos, que era só um km a mais, mas o garoto, que estava sentado atrás no carro, balançou a cabeça e falou "negacito". Fomos até o final da estradinha e descobrimos que a criança estava certa. Não havia nada de interessante por lá, apenas o farol ao longe.
De junho a meados de dezembro, é a época de se avistar as baleias na Península Valdés, já que elas se aproximam da costa para acasalar. São a grande vedete da região. Como estávamos em janeiro, havia pouco movimento de turistas por lá.
Voltamos à estrada principal e completamos a volta à península, chegando outra vez a Puerto Piramides, onde abastecemos o carro. Decidimos voltar à Ruta 3 e prosseguir viagem. Ainda tínhamos algumas horas de luz do sol e resolvemos rodar mais um pouco pra ver se conseguiríamos no dia seguinte fazer o restante do trajeto até Buenos Aires. Adeus Patagônia Atlântica!
Chegamos a San Antonio Oeste e decidimos parar para dormir. Surpresa: novamente não encontramos vaga em hotel. Comemos sanduíche, bebemos refrigerante e seguimos viagem. Na saída da cidade, cometemos um equívoco. Em vez de continuarmos na Ruta 3, pegamos a Ruta 251. Quando descobrimos o erro, verificamos no mapa que ambas passavam por Baia Blanca, nosso próximo objetivo, antes de Buenos Aires. Aliás, o erro terminou sendo favorável porque pela 251 o caminho é um pouco mais curto.
Cerca de 100 km depois, chegamos a uma cidadezinha - San Lorenzo e encontramos um hotelzinho, no posto, à beira da estrada, que tinha vaga.Nem titubeamos. Ficamos com o apartamento, que tinha uma cama razoável e um banheiro rústico, mas tudo muito limpo. Pagamos 75 pesos, o que compensou a exorbitância do dia anterior.
Instalamo-nos e fomos em busca de um caixa eletrônico e um restaurante. Na porta do banco, descobri que havia perdido o nosso cartão de saque. Imaginei que o tinha esquecido no dia anterior, no hotel, ao pagar a conta. Fomos a uma lan house e verificamos que não haviam saques extras no cartão, o que nos tranquilizou. Menos mal. No dia seguinte, contataríamos a casa de câmbio que emitiu o cartão e eles resolveriam o problema.
Fomos ao único restaurante que encontramos na cidade e comemos uma pizza. Voltamos ao hotel, tomamos um banho e nos rendemos ao cansaço, adormecendo imediatamente. Pra mim, só houve tempo de pensar que chegaria, no dia seguinte, à capital da Argentina, que eu conhecera em 2004, em um passeio que fiz com três amigas para comemorar meu aniversário. E ao lembrar disso, me veio a lembrança do niver da mana Regina, que era naquele dia. Comecei a fazer uma oração por ela, mas não me lembro se consegui terminar.